Oh situação difícil, mas bastante comum entre várias mães, sejam elas mães em tempo integral ou que trabalhem fora. A questão é quem é a diversão e se nós, como educadoras, estamos apenas ficando com a parte chata.
Ontem fui para São Paulo por conta de uns compromissos e a nossa pequena menina de 3 anos ficou com a avó. Como era rodízio do nosso carro, saímos muito cedo do interior, para chegarmos à tempo. A avó passou a manhã toda com ela, levou na escola, buscou. Cheguei logo depois das aulas.
A avó veio me trazer a Clara e eu estava esperando uma festa, um abraço apertado. Mas não. Minha filha me viu e chorou que queria ir para a casa da Vovó.
Aquilo para mim foi como um tiro o peito.
Nada contra as avós, que são as melhores que Clara poderia ter, assim como eu tive as melhores avós do mundo e sou imensamente grata por isso. Mas a partir do momento que minha filha preferiu outra pessoa, aquela dor serviu como um alerta de reflexão!
Logo eu -pensei – que sou uma mãe daquelas presentes até demais. Que sentia uma conexão enorme com minha filha. Que abri mão carreira promissora com excelente salário para ficar mais perto dela, podendo assim não apenas acompanhar, mas vibrar, com seu primeiro engatinhar, caminhar, falar, escalar,…
Preparei por mais de um ano, em casa, de forma natural e saudável, tudo o que ela comia. Passei noites sem dormir, deixei de comer, de tomar banho e até de existir, por um tempo, por ela.
Sempre pesquisei sobre como viver não apenas tempo em quantidade, mas tambem em qualidade com minha pequena. Sempre fiz questão de conversar muito e explicar o porquê das coisas.
Por 3 anos, fomos 70 % do tempo só eu e ela, numa cidade longe da família, pai trabalhando muito viajando, escolinha só meio período. Sentia ela muito próxima de mim e ela parecia ser muito apegada, tranquila, educada, tínhamos uma sintonia absurda!
Mudamos para o interior e a aproximação com as avós a deixou muito feliz, isso foi muito perceptível. Fiquei feliz também por poder proporcionar a ela maior proximidade com os avós, assim como eu tive esse mesmo presente em minha infância.
Mas, a overdose de avós, após 3 anos de pouca convivência com elas, fez muita coisa mudar. Antes eu educava e dava amor, e convivia bem com isso. Hoje elas transbordam amor, e só eu educo.
Mas cadê o espaço para eu colocar meu amor em pratica? Deve haver um equilíbrio, mas eu ainda não encontrei, diante de tanto amor distribuído num cenário onde não há limites. Pois quando entro em cena, na tentativa de educar – o que implica um pouco de doses extras de Vitamina N, de NÃO – viro uma megera.
Sim, eu sei que as avós – uma mais, outra menos – estão preocupadas em serem apenas divertidas. Não estão preocupadas em educar e nem é o papel delas. Super valorizo o papel da avó na vida dos netos. Sei também que ficaram muito tempo longe da pequena Clara e isso gera essa ansiedade do proporcionar todo o tempo perdido como se não houvesse amanhã. Mas eu ainda estou ali, no dia a dia, tentando educar.
E nesse cenário novo até para mim, que preciso ensinar o certo e o errado em terra de “tudo pode”, acabei incorporando, em um mês, apenas o papel de megera. Sendo a chata num mundo onde todos são legais e deixam tudo. Isso parece afastar minha filha de mim e me doeu.

Em apenas 1 mês de convivência, eu me tornei a chata que só põe regras, num cenário onde ninguém parece estar preocupado com isso.
Seguirei como estrela guia, coisa que sempre fui, mas tentarei brincar mais com ela, tentarei não ser mais só a chata e acima de tudo, achar um ponto de equilíbrio em tudo isso. Principalmente, sem deixar que a falta de regras tome conta do meu lar e sem que minha filha tenha mãos passadas em sua cabeça toda hora, pois isso não faz bem para sua formação como ser humano.
Não está certo a sobrecarga de só eu ter que ser chata. Não está certo também avós deixarem tudo. Mesmo em casa de avós deve haver limites, diferentes é claro, mas os limites da casa da avó são importantíssimos.
E para acalma-las: o amor vem do só se ter coisas boas. Amar é uma conexão forte, onde superam-se desagrados. Então, filho não irá amar mais alguém só porque essa pessoa é como um parque de diversões. O amar vai muito além de tudo isso!
Mas não está sendo fácil!
Um beijo, Marrie #reflexoesplugadas
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chelle
29 de agosto de 2017 at 14:05Eu acho lindo, mesmo sendo avós eles continuam fazendo papel de pais, é dureza, quando existe avós que nem ligam para os netos.
Rosangela
2 de agosto de 2017 at 19:58Nossa estou passando por isso…e acho que estou ficando até com depressão.Já me sentia desprezada por outras pessoas da minha família nunca imaginei que seria também pelo meu filho.Choro quase todos os dias não sei mais o que fazer.Só peço a Deus forças e sabedoria .Meu coração esta partido demais…
Mikcaelly
26 de julho de 2017 at 14:57Então é duas é muito dificil fico me sentindo um lixo!
Larissa Cerqueira Silva
10 de julho de 2017 at 08:39é horrível isso , tem dias que choro por sentir essa indiferença , é a vó dele que é minha mãe ainda fica exitando , perguntando com quem ele quer mora , quem ele mas ama … e se ele fala mamãe ela fica fazendo cena , dizendo que vai fica triste que vai chorar , não respeita meu espaço na vida dele .
Renata Motta
25 de junho de 2017 at 17:02Meu filho só quer a avó.. nem parece que sou a mãe dele.. ! Nossa fico muito chateada com isso ..
Eunice de Almeida
26 de março de 2017 at 10:13adorei, gratidão pela materia! Foi muito confortante para mim!
Camila Bianchini
9 de fevereiro de 2017 at 18:43Minha filha ama demais a vó e a bisa dela.. mas estamos morando todas juntas, e a criação está ficando impossível
Tudo que eu falo parece não fazer sentido, se eu falo não, elas falam sim..
Não aguento mais
Luiza Oliveira
2 de fevereiro de 2017 at 17:58Como dizem minha mãe e minha Sogra, pais educam, avós “estragam”!! No sentido de dar dengo, fazer mil guloseimas para agradarem os netos!! Amor de vó é muito bom!! Mas as mamães se viram nos 30 para educar esses pequenos!!
Rayana Rangel
2 de fevereiro de 2017 at 14:00Adorei!!!! Acho que os avós devem sim ajudar os pais na educação! !!
Gabriela Salvador
2 de fevereiro de 2017 at 13:29Muito difícil sinto isso a todo instante