A solidariedade na criança é um sentimento pode ser despertado, com exemplos em casa, com não ser poupado de vivenciar pequenas decepções do dia a dia (querer um brinquedo novo e não o ter na hora, por exemplo), através de contos de fadas, onde a criança se identifica com o personagem… Assim, a criança aprende que é feliz vendo os outros também felizes.
Eu não tinha me tocado que esse sentimento já estivesse tão impregnado na minha pequena Clara, de 3 anos.
Estávamos num daqueles dias…
A menina não queria comer. Não queria arrumar os brinquedos. Não queria fazer nada e eu, como mãe, estava correndo contra o tempo para dar conta de tudo o que precisava fazer até dar o horário de levá-la na escola.
Tudo se potencializa quando já não estamos com paciência (fato, somos humanas, mães também perdem a paciência). Dei uma surtada básica, a la época dos nosso pais (da década de 80):
– “Filha, come isso, tanta gente passando fome e você recusando comida”.
Raramente a TV está ligada no noticiário no almoço, mas nesse dia, por alguma razão, estava. De repente o jornalista fala sobre um bebê abandonado numa rua da cidade vizinha. Eu não me seguro:
– “Olha, tá vendo, o pobrezinho nem lar tem e acabou de nascer. É preciso agradecer o que temos na mesa e não dificultar as coisas assim”.
Quando olho para ela, a menina está estagnada. Boquiaberta. Com os olhos cheios de lágrimas.
Calada, começa a comer, com ar pensativo.
Nesse momento já percebo ter exagerado. Paro de tocar no assunto, mudo o canal. Será que excedi no tom? Como mãe de primeira viagem, faço muitas tentativas no educar, mas obviamente aprendo muito no dia a dia, com ela, “tentativa, sentir, ouvir minha voz interna e erro”.
A pequena continua comendo e, depois de um tempo, olha pra mim e diz:
– “Mamãe, aqui em casa tem espaço para o bebê. Tem comida para ele também. Vamos buscá-lo. Ele poderá se chamar Luiz”.
Posso com isso?
Expliquei a ela que o bebê já havia sido entregue para a adoção. Clara nunca pediu irmãos, mas dessa vez, não por querer um companheiro, mas por solidariedade, queria dividir o espaço dela com o pobre bebê abandonado.
Como é linda essa pureza infantil!
Um beijo, Marrie
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Jaqueline Avila
22 de setembro de 2017 at 20:16Linda… Chorei.
Adriana Costa
22 de setembro de 2017 at 16:31Como eu gosto de ouvir suas experiências pq me identifico muito como mãe de primeira viagem.
Como aprendemos com eles.
Nanda Do Bruno
22 de setembro de 2017 at 15:01Caiu um cisco no meu olho!!!
Rebeca outro dia queria levar todos que não tem casa pra morar lá em casa!! Falou que tinha espaço e que eu ia fazer leitinho pra todo mundo!!!
Rafaela Floriano
22 de setembro de 2017 at 15:00Sempre ouvi os outros dizerem q filho único é egoísta, não divide as coisas, não sabe brincar com as outras crianças…pura mentira!!!! Minha filha têm 7 anos, não tem irmãos e é muito solidária, faz amizade fácil,tem muitas amiguinhas,brinca com todos,divide todos os seus brinquedos, e ultimamente separa os brinquedos que não brinca mais e fala pra mim doar para as criancinhas q não têm!!! As crianças são seres muito elevados!!!!
Anna Claydn Veloso
22 de setembro de 2017 at 14:34Que lindo!
Flávia Almeida Braga
22 de setembro de 2017 at 14:29Linda….
Silvia Martins de Souza
22 de setembro de 2017 at 14:23Caiu um cisco aqui…
Sempre tive vontade de adotar, na verdade ainda tenho, mas como agora são dois, as coisas estão meio complicadas, mas se um filho meu fala uma coisa dessas pra mim, acho que desabo de tanto chorar
Mel Graciosa
22 de setembro de 2017 at 14:22Chorei aqui.
Laisa Dayane
22 de setembro de 2017 at 14:19Não acho que você exagerou. Você colaborou para ela desenvolver empatia. Linda história! <3
Patricia Santana
22 de setembro de 2017 at 14:15A minha tem 2/6 mim chama o dia todo, as vezes fico pirada. Quem ama ser mãe sempre cria os filhos com o coração, tenho um adolescente de 17 e são muitos erros e descobertas. Somos mães, somos maravilhosas…