Sou uma mãe contra a maré…

Sobre escolher remar contra a maré – na maternidade, na vida…A vida é feita de escolhas e quando se opta pelo caminho contrário ao da manada – mesmo que vá quietinho e sem alardes – quem observa, acaba se incomodando.

Aí surgem os questionamentos:

“Por que ela não está preocupada com o que todo mundo está?”,

“Por que não acha bonito o que todo mundo tem como padrão?”,

“Por que não se emociona com os textos clichês em que chovem likes?”,

“Por que ela não tem por ambição ir pra Disney todo ano?”,

“Por que ela cria a filha de forma não competitiva?”,

“Por que ela acha que criança precisa só brincar?”,

“Por que ela deixou o ótimo salário para uma vida mais simples?”,

“Qual o problema dessa moça ‘ do contra’?”

A moça continua sua jornada. Não quer ser notada, mas só de não seguir a maré já se assemelha a um elefante branco.

A multidão, sem respostas, inquieta com isso, ela mesmo as inventa, em expressões que são como armaduras para explicar o que vem por anos e anos fazendo, sem sequer pensar o porquê daquilo que lhes foram impostos:

“ela é louca”,

“vive numa bolha”,

“não vai pq não tem como ir”,

“é feia (e suas variações, como tem nariz torto, boca feia, cabelo seco, peito caído, bla bla bla)”,

“é invejosa”,

“mal amada”,

“egoista”,

“falta empatia – mais amor, por favor, tudo é lindo, não questionar é vida!”…

Ela apenas segue a caminhada, como se fosse surda, não se move aos cochichos da multidão. Continua com sua ética, onde todos xingam políticos mas cometem diariamente pequenos atos desonestos sob o argumento “todo mundo faz”. Busca menos dinheiro para ter mais tempo com os que ama, enquanto todos buscam dinheiro e jogam os que amam para quando sobrar tempo.

Ela não critica. Segue preferindo tempo a dinheiro. Alma à corpo. Ser à ter. Realidade à drama clichê.

Isso, despretensiosamente, acaba por incomodar ainda mais quem observa e o silêncio choca. Ela não impõe nada.

No fundo pensam “o que aconteceu com ela, fugiu dos padrões, não gosta do que todo mundo gosta, e está tão plena?”. Ela simplesmente vai. Continua. Admirando o que ninguém mais dá valor. Não precisa de muita gente consigo na caminhada. Pra ela, poucos e bons significa tudo. E suspira, sente tristeza por quem não reflete o próprio caminho, seguindo a manada, para ter mais tempo para acompanhar a vida alheia…
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Por @MarrieOmetto #reflexoesplugadas .

Autora do Livro “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”.

“As crianças precisam de muito daquilo que adultos consideram pouco e pequenas doses daquilo que passamos a vida adulta correndo atrás”. Marrie Ometto


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