Parem de idealizar o empreendedorismo materno. Está longe de ser um mar de rosas. Não existe um chip que padroniza as mães a serem excelentes empreendedoras. Simplesmente, para algumas, isso chega a ser única opção, mas não significa que seja uma boa opção.
Nasce um filho, mas esse ser não pariu uma empreendedora.
SIM, muitas vezes somos arremessadas para essa atividade, porém NÃO, nem todas as mulheres nascem com vocação para o empreendedorismo.
A real é que, principalmente na maternidade de primeira viagem, a gente vai levando o trabalho olhar torto para aquela barriga. Aí nasce a criança, aquele papo de que na empresa rola home Office para auxiliar as mulheres vira meio que lenda, sair mais cedo para amamentar é uma luta e levar a criança ao pediatra se torna quase um empregocídio. Nesse cenário, quando a ficha cai, não é que um filho pariu uma empreendedora não. Ela muitas vezes percebe nisso a única opção para que consiga satisfazer-se como mãe e profissional.
Nesse momento de fragilidade, principalmente pós isenta maternidade, “azamigas” vem: “abre um negocio, você tem talento, fulaninha tá bombando de vender tal produto, faz igual”…
Acontece que, para empreender precisa gostar desse novo modo de trabalho e, antes de tudo, planejar. Não é começar fazendo e ver aonde vai dar, como a maioria diz. Ser pequeno empresário é tipo estar em guerra, onde voam bombas de problemas por toda a parte. Junte isso a casa, a criança e a não ter ajuda. Muitas não tem essa vocação não.
Então idealizar o empreendedorismo é algo muito triste, pois arremessa as mulheres num mar de otimismo que não é real, assim como imagens de mães perfeitinhas atingem nosso subconsciente. Claro que pode sim ser muito bom. Mas está longe de ser só rosas e, muito menos, a salvadora da relação com nossos filhos.
Não se engane pelas imagens da mulher linda e plena de terninho com um bebê no colo amamentando enquanto faz uma planilha e fala ao telefone. Sou uma mãe que fez isso e te falo que, sem ajuda extra, o cenário é o seguinte: enquanto você trabalha – vestida do jeito que dá – a criança vai estrategicamente pedir sua atenção. Na reunião via skype com o cliente, você terá que rebolar para achar um ambiente calmo para conversar e isso não inclui crianças ao lado. A planilha excel, você fará só quando a criança dormir. O orçamento, esse será enviado quando der, afinal você ainda tem que produzir, trocar o bebê, fazer o almoço, colocar para dormir, trocar, dar banho e etc, etc, etc…
Além da culpa de, em meio a mil emails sem responder e ligações, você olha seu filho pedindo atenção, para e pensa: “Meu Deus, parei de trabalhar fora para ter tempo com ele, mas não tenho”.
Pois é…
Além disso, você nunca mais terá uma grana certa no fim do mês.
Hora extra, finais de semana, feriados? Nem pensar… nesses dias, você tirará o atraso da “falta de produtividade” dado ao acumulo de funções.
Foco? Ou você tem ou se lasca.
O lado bom de tudo isso? É, sem sombra de duvidas, poder curtir de perto todo o desenvolvimento do seu filho, acompanha-lo engatinhar, andar, dizer as primeiras palavras…
Isso não tem preço. Mas ai dizer que somos empreendedoras natas…ahhhhhh mundão cor de rosa da maternidade!
Por @MarrieOmetto
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