Superproteção não é saudável: um pouquinho de estresse* pode até fazer bem para a criança

A maioria parece concordar que não é bom para as crianças pais extremamente super protetores e que não deixam seus filhos fazerem sozinhos o que já podem fazer com independência ou com apenas alguma supervisão e orientação. Mas, no entanto, a tendência para os chamados “pais helicóptero” fica mais forte a cada ano. Será por que confundem criação com apego com fazer tudo o que a criança quer ou tudo pela criança? Ou pela falta de tempo de esperar a criança tentar calçar seu sapato sozinha?

Vou começar o post explicando o que são pais helicópteros. Aqueles em que fazem exatamente TUDO o que a criança precisa e o que ela não precisa, o que ela pode fazer sozinha, o que ela não solicitou e, as vezes, até aquilo que as crianças rezam para que os pais as deixem fazer por si mesmas. São aqueles que se preocupam demais e, sem maldade nenhuma ou ainda com a melhor das intenções, sem querer acabam atrapalhando o desenvolvimento das suas crianças. Preparam elas para receber as coisas prontas num mundo onde elas terão que lutar bravamente pelo seu espaço. Num lugar onde, infelizmente, as mães não sao eternas e um dia se sentirão desamparados.

O limite do estar informado e o exagero está fina demais. O texto divulgado pelo site Vox, em língua inglesa, falando do culto à super proteção infantil, me deixou de boca aberta: instituições norte americanas estão sendo pressionadas pois balanços – sim, aquele objeto que adorávamos na infância e certamente seus filhos adoram – de parquinhos estão sendo considerados muito perigosos para alguns parques.

Se você tivesse que dizer a um pai na década de 1970 ou mesmo 1980 que balanços foram muito perigoso para as crianças, eles provavelmente olhariam para você como se fosse um bicho de 7 cabeças. Não estou dizendo que por que você fez, não há mal nenhum a criança fazer (odeio esse argumento), pois hoje em dia há informação a rodo por ai e não precisamos nos fechar às nossas verdades absolutas para sempre, mas será que não está demais? Remoção de balanços em parques infantis?
Muitos, como eu, achará um ato exagerado, mas reconhecemos que é o próximo passo lógico nesta marcha sem sentido… Afinal, estamos caminhando para onde nessa loucura super protetora da criação dos filhos? Rumo a crianças enjauladas em ambientes milimetricamente esterilizados, sem contato com animais (causam alergia) ou natureza (tem germes)? Rumo a uma alimentação tão saudável que dará uma vida longa presa a um apartamento?

Por outro lado, o que é há de errado em ser cauteloso? Se as crianças podem se machucar feio, não faz sentido os balanços, certo? Claro, os balanços são divertidos, mas a principal tarefa dos pais e escola é para manter seus filhos seguros, certo?

Talvez não.

Como assim? Vamos lá…

Segundo  Nathan H. Lents, PHD em comportamento, todos concordam que o estresse crônico para crianças e vem de coisas horríveis como abuso, negligência, privação sensorial, preocupação excessiva, exposição regular a violência e brigas, e assim por diante. Pesquisas confirmam que uma infância exposta ao estresse crônico tem maior probabilidade de tornarem-se adultos com ansiedade, depressão, outros transtornos do humor e por ai vai… O estresse agudo*, por outro lado, é a resposta a um estímulo competitivo ou assustador que é completamente resolvido dentro de alguns segundos ou minutos. Eu mesma chamava isso de ADRENALINA, mas é uma curta explosão de estresse. Muitas atividades físicas envolvem algum nível de estresse agudo, assim como esportes, jogos, video games, e outras competições são fortes indutores de stress agudo. Há evidências de que o estresse agudo não é apenas diversão, mas benéfica ou ainda NECESSÁRIA para o desenvolvimento da infância.

Ou seja, um pouquinho DESSE *estresse faz bem!

Cientistas descobriram recentemente que episódios de estresse agudo tiveram efeitos positivos no desenvolvimento do cérebro, ao ser realizada pesquisa em ratos. Ratos regularmente submetidos ao estresse agudo apresentaram mais neurônios, células-tronco e conexões em seu hipocampo, a área do cérebro conhecida por seu papel de memória de curto prazo e longo prazo, bem como é geralmente a primeira vítima da doença de Alzheimer. Em outro estudo, ratos privados de estresse agudo, tornaram-se mais agressivos e até mesmo anti-sociais em seus grupos.

Além disso, os ratos que são privadas desse estresse brincalhão crescem adultos que “congelam completamente” quando confrontados com situações estressantes. Ratos condicionados para o stress durante a infância, por outro lado, ganharam a habilidade de lidar com situações estressantes sem travar, com mais naturalidade.

 

 

OK, ok! Criamos crianças, não ratos!

Mas parece óbvio que deixar que crianças resolvam algumas situações que já podem fazer sozinhas, mesmo que sob supervisão, as preparam para a vida. E o que pais helicópteros e superprotegeres vem fazendo e exatamente tentar privar a criança de todo o qualquer estresse, ou seja, DE EMOÇÕES e APRENDIZADOS com os erros!

Estes estudos não estão sozinhos. O estresse tem sido estudada em uma variedade de animais e a conclusão geral é que o estresse leve aguda é benéfico para o desenvolvimento do cérebro, habilidades sociais, comportamentais, e até mesmo inteligência. Tem ainda sido mostrado que o estresse agudo, ao contrário de estresse crônico, é bom para o sistema imunológico!

Agora o desafio da ciência é dizer qual seria a quantidade segura de estresse agudo que uma criança poderia, de forma saudável e segura, ser submetida na infância.

Eu, em minha humilde criação muito bem informada mas bastante equilibrada, diria que deixando-os livres para fazerem o que podem fazer e brincarem livremente. Deixe que se sujem, que rasguem suas roupas novas, que tenham sentimentos e resolvam-se com os amiguinhos, sem que um helicóptero de socorro esteja ali em cima, de prontidão! Supervisão deve ser diferente de pronto ou auto atendimento, na minha opinião.

Por estresse agudo na infância de forma saudável, eu diria os jogos em grupos, o convívio social na escolinha ou diariamente com outras crianças, as brincadeiras ao ar livre que podem resultar em algum germezinho sim numa poça de lama ou ainda num ralado no joelho ao cair do escorregador.

Pais helicóptero que buscam proteger seus filhos de todas as formas de adversidade não estão fazendo nenhum favor a eles.

Cair de um balanço, este item que foi proibido de alguns parquinhos norte americanos, por exemplo, ensina à criança na prática uma variedade de coisas que na teoria não poderiam ser explicadas.

Se as crianças são protegidas de todos os riscos possíveis quando os riscos são tão baixos, como a lama, o suco de laranja ou o balanço, como essa criança, no futuro um adulto, se sairá de situações reais onde se deve “matar um leão por dia”?

Enquanto todos nós devemos nos esforçar para proteger as crianças do estresse crônico, privando-os de formas saudáveis de “estresse seguros”, pode torná-los incapazes de lidar com o stress quando adultos.

Sei que a superproteção vem do “eles crescem rápido” ou “meu filho precisa disso” ou ainda “não vou deixar nada lhe faltar”. A maior parte das vezes vem da melhor das intenções: Vou ajudar meu filho a comer ou a vestir o calcado por que o amo e não por que tenho preguiça ou estou com pressa sempre.

Porém, educar é difícil não apenas por não ser uma lógica matemática, mas porque exige que deixemos de fazer o que temos vontade (tudo pelos filhos), justamente em prol do bom desenvolvimento deles como adultos saudáveis!

Um beijo, Marrie

 

OBS: Sou super a favor da informação e meus leitores assíduos sabem que não apenas respeito demais as pesquisas e trabalho de pessoas que estudam muito para melhorar a vida das pessoas, como costumo a pesquisar muito também e compartilhar várias informações com vocês em primeira mão no Brasil, aqui no blog. Estudos esquecidos em língua inglesa que traduzo e coloco aqui no Mamãe Plugada para debatermos. Mas, sempre disse aqui que, informação é importantíssima, mas bom senso é essencial! Tudo em equilíbrio é melhor, assim como cada um tem sua rotina e sabe qual informação cabe ou não cabe à sua vida. Graças a Deus não somos padronizados e cada um brilha e cria a sua maneira.

Toda essa introdução enorme para falar que hoje em dia as pessoas estão SURTANDO no quesito superproteção: não pode engatinhar por que o chão está sujo, não pode mais tomar suco pois a fruta é melhor, não pode tomar sopa depois de um ano pois a criança precisa mastigar, não pode brincar na terra por conta de germes… Todas essas regras lançadas na internet e criando grupos policiais que sondam a vida alheia e apontam os dedos para a criação sua. Isso faz com que as pessoas cada vez mais não apenas se culpem por talvez não ser esse padrão de super mãe ou super pai como também faz com que elas exagerem. E essa policia virtual pode, muitas vezes, estar fiscalizando erroneamente.

Leia também:

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/08/como-ensinar-responsabilidades-a-uma-crianca-de-2-anos-educacao-da-vontade/

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/07/higiene-demais-prejudica-imunidade-conceito-da-vitamina-s-de-sujeira/

Não faça pela criança o que ela pode executar sozinha

 

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