Amo minha família, mas queria um diazinho sem ouvir meu nome ou MAMÃE!

Ouvir MÃAAEEE o dia todo e ter que saber onde ficam cada item do meu lar (inclusive os que não utilizo, como cuecas) é um baita desgaste mental.

 

 

Dizem que a gente deve agradecer por tudo o que fomos abençoados. Eu concordo. Mas com a parte de SOMENTE agradecer, de não reclamar, de fechar os olhos para o que me aflige, eu tenho que confessar que não evolui ainda a esse ponto e acabo falando mesmo, o que muitas vezes, torna-se motivo para mais uma culpa, o que não é justo com quem tá dando o melhor de si para algo que não teve nenhum treinamento para tal.

Como, por exemplo, nos dias em que tenho marido e filha em casa, ambos me perguntando sobre tudo – sobre onde estão as coisas, o que vamos comer, o que iremos beber, para onde iremos passear, onde está a camiseta e as mais variadas e infinitas dúvidas do lar – eu tenho que confessar que gostaria de apertar a tecla “MUTE”. Amo estar com eles, a minha vida é infinitamente melhor com minha família. Mas gostaria de, por alguns segundos, sentir menos o peso de ter que ter todas as respostas do mundo que nos cerca. Queria alguns minutos sem ouvir “MÃEEEEE”, mas ainda assim, podendo e QUERENDO ter ali, sob meu olhar aqueles que amo. Não é por mal, acredito ser cultural mesmo.

Quem sabe um dia, quando for a vez da minha filha ser mãe, esse peso de todas as perguntas da casa recair sobre suas costas não exista mais. Tomara. Num mundo cada vez mais igualitário, talvez isso seja tendência.

Acho que quem é mãe de muitos expedientes me entende.

Por @MarrieOmetto, autora de “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”, disponível para vendas na Amazon (link http://bit.ly/livrodesapareciaovirarmae), Editora Bianch e Livraria Cultura.

 

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