Julgamento de pais à criação de filhos dos outros pais atrapalha o desenvolvimento das crianças como um todo! Inclusive ao da criança do pai que aponta o dedo. Para pensar!
Como já dizia o ditado: não cospe para o alto que cai na testa. Infelizmente no mundo materno – principalmente – os julgamentos ainda são enormes, mesmo com a testa sempre lambuzada!
Um case norte – americano pode ser um enorme aprendizado para nós brasileiros. A cultura é outra sim, mas muito de lá usamos aqui e esse é um fato do mundo globalizado. Inclusive na criação de filhos.
Por achar importante, resolvi mostrar o quanto esse case de julgamentos de pais em relação ao modo que outros pais criam seus filhos, estão deixando as crianças – no geral – muito mais inseguras para tomar suas próprias decisões. Como disse, é um case americano, mas julgamento existe – e muito – na nossa cultura brasileira também.
Nos EUA, as taxas de criminalidade têm caído de forma constante durante 20 anos na maioria das cidades do país. Mas, não se observa essas estatísticas na forma em que a maioria dos americanos criam seus filhos. A gente costuma a pensar: “a sensação de segurança aumentou, então vamos deixar nossas crianças mais livres novamente”. Contraditoriamente às quedas nas taxas de violência, os pais andam – cada dia mais – prendendo suas crianças com medo: não deixam que elas vão até o parque sozinhos a pé, monitoram tudo nos parquinhos e estão a cada dia mais pais do tipo helicópteros (aqueles que socorrem antes mesmo que seja pedido ajuda. Leia mais sobre esse conceito aqui).
Mesmo que quisessem, a cultura resolveu criar as crianças com os pais, criando um certo senso comum em relacao a isso. Vejo o mesmo acontecendo no Brasil nas mídias sociais. As pessoas cada vez mais necessitando expor suas vidas e, em contrapartida, o julgamento em massa se fulana deve criar seus filhos assim ou assado.

Em 2015, a polícia capturou duas crianças que estavam caminhando sozinhas e a pé para casa a noite, uma delas de 6 e outra de 10 anos. Quando o pai das crianças explicou que lhes era permitido fazer coisas assim, que costumavam a caminhar pelo calmo bairro aonde moravam, o oficial de polícia acionou os serviços de proteção à infância, e, em consequência, os pais viram-se obrigados a mostrar às autoridades um “plano de segurança” que detalha uma supervisão 24 horas das crianças.
Isso não acontece apenas nos EUA não: na Grã-Bretanha, um estudo recente (leia original em Inglês aqui) mostrou que uma em cada cinco crianças tinham sido notificadas aos serviços sociais antes de completar cinco anos, muitas delas desnecessariamente.
Tanto nós brasileiros, como os adultos dessas culturas (americanas e britânicas), também tiveram uma infância mais livre, vagueando pelas ruas. Hoje, deixar uma criança 12 anos brincar na rua até tarde (como fazíamos) é – nos EUA – considerado negligência, ou pior, um ato criminoso.
Mas, se as cidades estão se tornando mais seguras nesses locais, por que RAIOS os pais estão ficando mais preocupados e prendendo cada vez mais seus filhos?
Leiamos agora esse texto, que retrata outra cultura, mas com um olhar do que estamos fazendo de igual, seguindo o mesmo caminho.
Vários fatores contribuíram sem dúvida, para essa neurose generalizada, que inclui:
- Aumento dos processos, recalls, ou seja, quando uma criança cai em um playground e em seguida todos os brinquedos e equipamentos de playground no país passam por uma reanálise;
- As mídias on-line,
- Eventos marcados na memória de todos os pais, como, por exemplo, o desaparecimento, em 1979, de Etan Patz, uma criança em Manhattan que costumava a andar até o ponto de ônibus com sua mãe e, quando fez o percurso sozinho, foi seqüestrado.
Mas os pesquisadores acharam evidências de que algo mais poderia estar alimentando essa cultura da hiper-vigilância: a necessidade dos pais em julgar moralisticamente outros pais por suas habilidades parentais.
Ok, desde o inicios dos tempos há uma certa moralidade aplicada à criação de filhos: “””””a culpa sempre foi dos pais”””” pela falta de compostura em publico, por não dobrar a camisa adequadamente, por não ter estudado…
Porém, somente nos dias atuais, este julgamento parece ter um novo objetivo: apontar o dedo aos pais que colocam seus filhos em risco (não vamos aqui discutir se esse risco é ou não real).
Para testar essa hipótese, os pesquisadores da Universidade da Califórnia, envolveram mais de 1.300 pessoas em uma variedade de experimentos. Cada participante leu uma breve história em que uma criança passa um curto período de tempo sem supervisão. Cada história tinha cinco versões, em que a grande maioria dos detalhes permaneceu a mesma (por exemplo, Jenny, de seis anos, é deixada sozinha por 25 minutos em um parque a um quarteirão de sua casa) e apenas a razão pela qual a criança ficou sozinha foi alterado nessas versões.
Desses motivos que foram alterados nas histórias, houve apenas uma razão não intencional, onde pai/mãe foi atropelado , por isso a criança ficara sozinha um tempo – e quatro razões intencionais: o pai/mãe foi trabalhar, foi se voluntariar para uma instituição de caridade, foi relaxar ou encontrar um(a) amante.
Em seguida, o participante teve de avaliar o nível de risco que a criança enfrentou, numa escala de 1 (sem risco) a 10 (risco muito alto).
A hipótese dos pesquisadores era que, embora a criança objetivamente enfrentasse o mesmo risco em cada um dos cinco cenários, os participantes veriam as crianças cujos pais os deixaram sozinhos de propósito como estando em maior perigo, porém, os resultados corroboraram isso. Em cada uma das experiências, a média foi 7 e a resposta mais comum foi 10. Mais do que isso (ALARMANTE): mesmo quando as pessoas eram convidadas a classificar a moralidade de uma mãe ou pai que foi atropelada(o) por um carro – deixando assim a criança sozinha por apenas um momento – os participantes classificaram o incidente compostas de notas de 3 a 10, onde um 1 significava que ela não fez nada de errado e um 10 significava que ela era totalmente responsável.
Ou seja, o resultado da pesquisa afirma que as pessoas não só pensam que deixar as crianças sozinhas é perigoso, mas também imoral, segundo os autores da pesquisa.
Segundo estudos, é muito mais arriscado – nos EUA – uma criança estar dentro de um carro com seus pais do que andar sozinha pelas ruas. O risco de uma criança ser raptada ou não voltar a casa é de cerca de 0,00007%, ou de 1 em 1,4 milhões anualmente, de acordo com Daniel Gardner, autor de The Science of Fear.
Os acidentes de carro estão entre as principais causas de mortes infantis nos EUA. No entanto, ninguém está argumentando que os pais devam ser presos por levar seus filhos de carro em todos os lugares com eles.
Então, se os pais consideram como ARRISCADO as coisas estatisticamente comprovadas como seguras, qual o motivo senão apenas justificar a moralização?
AS CRIANÇAS ESTÃO MAIS PRESAS EM SUAS CASAS
Na década de 1970, o psicólogo Roger Hart passou dois anos fazendo mapas de onde as crianças de uma cidade rural da Inglaterra podiam ir sozinhas. Ele chamava seu estudo de a “geografia das crianças” e repetiu esse mesmo estudo 40 anos mais tarde.
Na década de 70, ele registrou crianças entre 4 e 5 anos de idade andando sozinhas pelas ruas de seus bairros e as de 10 anos, indo até outros bairros dentro da cidade. Quarenta anos mais tarde, a taxa de criminalidade não tinha mudado, mas a maioria das crianças não tinham mais autorização para andar nas ruas sozinhas, e ficaram presas em seus próprios quintais.
A super proteção não apenas rouba a infância das crianças, como também as impede de desenvolver habilidades críticas de resolução de problemas.
Peter Gray, psicólogo e professor da Universidade de Boston, acredita que menos liberdade significa menos tempo livre para as crianças brincarem, prejudicando-as, afirmando: “Onde as crianças aprendem a controlar suas próprias vidas? Quando os adultos não estão por perto? Se elas não tiverem a oportunidade de experimentar a vida por conta própria, lidar com os pequenos problemas da infância, resolver quem vai primeiro num escorregador no parquinho, como ficará a inteligência emocional?
O fato mais alarmante sobre essa pesquisa é que a questão passa longe sobre a proteção real das crianças. É sobre o JULGAR. Sobre a MORALIDADE. Não necessariamente sobre o que é ou não bom para nossas crianças.
E nesse ponto, mesmo esse sendo um estudo norte americano, temos muito o que refletir sobre, pois no Brasil, há muito julgamento descabido.
Um beijo, Marrie
Leia também:
Super proteção X deixar as crianças se socializarem no livre brincar
Ensinar as crianças a esperar é mais importante do que imagina!

Indi Y Léo Leston
25 de maio de 2017 at 13:11IndiyLeo Leston
Priscila Amaral Alves
23 de maio de 2017 at 13:03Muito interessante!
Anna Gabriela Fonseca
23 de maio de 2017 at 11:54