Super proteção X deixar as crianças se socializarem no livre brincar

Crianças precisam brincar livremente no parquinho. Sem os pais a toda hora monitorando a diversão.

AVISO PARA QUEM NÃO LER ATÉ O FINAL: Esse post não diz respeito – de forma alguma – a deixar crianças se estapearem. Só de deixar a criança negociar a vez do escorregador, de quem brinca primeiro num brinquedo e etc… Fala sobre os excessos de proteção e consequentes prejuízos na socialização.

Continuando…

Baixar a guarda e deixar a socialização entrar faz bem para as crianças e acredite, para nós adultos também, afinal uma das realidades mais frustrantes na maternidade é que a gente não consegue colocar nossos filhos em potinhos e levá-los conosco protegidos de todos os males do mundo. Então, baixar a guarda significa guiar os filhos de uma forma mais saudável nessa jornada do desenvolvimento.

A super proteção, a tendência a virar um pai/ mae helicóptero, é uma coisa que vem de dentro de muitas mães e com as melhores intenções possíveis. Ninguém em sã consciência age para o mal do próprio filho e, mesmo a maternidade não tendo fórmulas, existem questões humanitárias primordiais e milhões de estudos unânimes. Uma delas é a socialização. E, com ela, a decepção.
Pessoas são criadas de formas diferentes, com modos totalmente distintos de ver a mesma coisa. Uma coisa que esperamos do outro muitas vezes não é tão óbvia assim a esse outro ser. Clichê? Para adultos sim. Vai falar isso para mães que tentam parar o mundo para que a criança não sofra?
Então imagine você numa situação: a criança tá ali, brincando num parque, se socializando. Tudo ao estilo propaganda de margarina, uma tarde de sol, cabelos ao vento. Até que – som de suspense – uma criança encasqueta que vai começar a disputar brinquedo com seu filho.
Saiba que aprender a se sair de situações corriqueiras como estas são importantíssimas para a socialização. E, não apenas por questões de “boas maneiras maternas”, em que não se intromete na educação do filho do outro. Se começou uma discussão que não tem fim ali, vai partir para a agressão, acredito que a gente possa entrar ali no que tange AO NOSSO FILHO para mediar a situação.
Eu, como mãe, ficaria possessa se uma outra mãe, que mal conheço, viesse dar lição de moral para minha filha por causa de uma situação com uma criança dela, nem tanto pela intromissão, como me referi acima, mas pela falta de entendimento de que é importante a gente mostrar aos nossos filhos que temos que APRENDER A CONVIVER COM O OUTRO, A NEGOCIAR, E NÃO À CHAMAR A MÃE PARA CORRIGIR UM PROBLEMA QUE É POSSÍVEL DE SER RESOLVIDO.
Entra naquela “não faça pela criança o que ela pode ela mesma fazer”. Ninguém está falando aqui para deixar as crianças rolando numa briga. Estamos falando para deixar que negociem quem vai no escorregador, quem pegará um brinquedo do parque primeiro ou ainda, aproveitar para ensinar NOSSOS filhos os momentos certos de cada coisa.
Já imaginaram o exemplo que se dá a uma criança quando, em socialização brincando num parquinho, ela vê sua mãe corrigindo um coleguinha para conseguir algo que ela mesma (a criança) deveria estar aprendendo a solucionar?
A gente pode nesse momento se sentir super mães. Mas acredite, a auto estima da criança vai por agua abaixo. E, se não for, ela começará a precisar desse recurso sempre.
Decepção é triste, mas importante para o fortalecimento da inteligência emocional, da auto estima. Aquele “eu consigo me virar sozinho” (por mais que esse sozinho seja supervisionado) é tão motivador para uma criança. E acredite: Problemas de socialização diários com outras crianças no parquinho preparam mais nossos filhos para o mundo do que uma escola de primeira linha na primeira infância.

E a socialização prevê crianças resolvendo conflitos sem intervenção dos pais. Esse talvez seja o fator mais rico da escola para as crianças antes do letramento. É nesse momento em que, se a criança não está conseguindo resolver algo com os seus (da sua idade), vem um adulto entro (professor), mediar a situação.

Veja bem, acompanhar/supervisionar é diferente de controlar.

Eu estou sempre de olho nos parquinhos, até citei uma situação de um adulto que abordou a Clara de forma estranha. Mas no que se refere a crianças da idade dela, eu vou ajustando e corrigindo-a em seus atos, mas nunca interferindo junto DA OUTRA CRIANÇA para que Clara saia satisfeita. Tem coisas que, para o bem dela, ela mesma precisa resolver.

Um beijo, Marrie

 

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116 Comments

  1. Heloisa Ferraz

    17 de junho de 2017 at 13:30

    Ainda fico tão “triste” quando as crianças maiores (meu filho de 1 ano e meio adora brincar com as crianças mais velhas) o excluem das brincadeiras por ele ser muito pequeno ainda. Ele fica atrás, quer participar.. meu coração fica na mão!!!!!! Hihihi

  2. Mirian Araki

    17 de junho de 2017 at 00:22

    Vixi…
    A carapuça me serviu !
    Eu morro de medo da minha filha ser maltratada por outras crianças… É incontrolável!

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