Uma criança não te tira do sério, ela é a gota que faz extravasar o copo já cheio

“Só a gota d’água que cai num copo que, por n razões, já estava prestes a transbordar”, ou seja, uma criança não é responsável por fazer um adulto explodir. A panela de pressão já estava cheia por razões variadas, próprias desse adulto. Mas sempre ela explode pro lado do mais fraco.

 

 

A foto sugere trilha sonora de Vivaldi, mas o rock and Roll que a gente vive aqui, só entre as nossas paredes para saber.

Crianças tem níveis de energia muito acima dos nossos e temos, no geral, um acúmulo muito grande de funções, que nos sobrecarregam. Sair do sério e dar uns gritos, nesse cenário, é algo relativamente fácil de acontecer.

Não me orgulho de às vezes dar uns gritos, mas admito que eles são como uma válvula de escape nessa minha “panela de pressão diária”. Pressão essa que vem de todos os lados, mas em hipótese alguma é culpa da minha pequena.

Uma criança não pressiona um adulto a ponto de ele ter que explodir. A real é que, por questões pessoais, psicológicas, sociais, financeiras e tudo mais, uma mãe já está pressionada demais. Aí vem a criança, faz uma birra e vira a gota d’água que faltava para aquele copo transbordar. Ou para explodir aquela panela de pressão em palavras que, se proferidas, são como estardalhaços que fazem o coração doer por toda uma vida.

Nesse mundo cada vez mais egoísta em que vivemos – onde perfeição virou meta e um tenta mostrar coisas melhores que o outro, em busca de uma paradoxal satisfação que nunca se satisfaz – fica difícil não estar constantemente pressionado. E assim, mesmo que em fotos perfeitas, vidas em perfis sociais incríveis e maternidade de margarina, a real é que cada vez mais adultos estão fora de si, como uma panela de pressão que, feito bomba, está prestes a explodir.

A vida que escolhemos nos pressiona. A gente corre atrás do rabo o dia todo.

Não é a criança que nos tira do sério. Ela é apenas uma gota que faz vazar o copo que já estava cheio.

Então, antes de explodir em cima do mais frágil e indefeso, lembre-se: a criança é só a gota. Não é justo que a panela exploda nas mãos dela.

Coloque o mantra em sua mente: “Ser mãe é padecer no paciencismo”.

Por Marrie Ometto, autora do Livro “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”.


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Ser mãe é padecer no PACIENCISMO

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