Pequeno relato de uma mulher agindo como uma mãe cansada e exausta e uma criança de 2 anos apenas se desenvolvendo como um adolescente da primeira Infância.
Ao invés do soar do trriiiiiim do despertador, mãe acorda com babá eletrônica ou, quando maiorzinhos, com carinhas fofas bem diante de seu rosto, ao lado de sua cama. Certa vez já acordei com um bofetão de afeto “acóida Mamãe”, sem nenhuma malícia no ato. Isso são 7:30h. Cadê meus óculos? Míope é um horror! A criança começa a correr e você atras desesperada sem enxergar o que tem pela frente. Com quatro graus como tenho, uma simples pessoa em sua frente vira um vulto ou borrão. Mãe Zumbi.
Ok ok. Achei os óculos. Vou preparar seu tetê (famoso leitinho dela). Senta aqui um pouquinho com esse joguinho que você gosta ou vem comigo pra cozinha, te deixo derrubar o armário das panelas para conseguir preparar algo.
Hmmmmm tem coisa melhor que cheirinho de café?
Ovinhos mexidos preparados, café e tetê também. Enquanto ela toma o tetê, tomo meu café preto com adoçante, afinal estou de Dieta Dukan. Tomo rapidamente para aproveitar sua calma no sofá com o tetê quentinho e corro para o sequito, para quem não sabe, aquele Santo Rodinho com Espuma em baixo que tira o pó do chão com uma praticidade dos Deuses. Mãe Multi Uso.
Tetê acaba, Missão sequito ainda não terminada. Vou lá procurar algo para ela se distrair. Sento, brinco um pouco. Lembro de meus ovos mexidos. Já estão frios, mas deliciosos. Mãe aprende a apreciar o sabor do que se tem disponível na hora da fome. Clara come comigo também, que maravilha! Tem coisa melhor do que ver os filhos comerem?
Ok. Ok. Não posso me estressar. Não por que tenho pretensão de ser mãe do ano, mas por que quero que minha filha desenvolva-se da melhor forma possível. Devo dizer não ao berro, que é um tipo de violência, mas quando a vejo em meus copos de cristais não resisto de repente, naquelas mãozinhas ainda cheia de furinhos não resisto! Mistura de medo e desespero. O berro ecoaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa alto e tão rápido, que nem o vi sair….Mãe Neurótica.
Coração na mão. Calma, calma! Acode a criança. Está tudo bem. Agora dá outra coisa para ela brincar e corre catar os vidros. Cristal é lindo, feito para pessoas finas que não precisam juntar seus pedaços quando quebrados. Aquela desgraça cortou o meu dedo também. “Mamãe tá dodói” um som ecoa ao fundo, com o peso da solidariedade de uma criança de 2 anos, em compaixão. Mãe Manteiga Derretida.
Coloca esse dedo na boca para estancar o sangue e continua. Eca, que nojo. E mãe lá tem nojo, fez intensivão de troca de fraldas. Tá nervosa? Chocolate now! Dieta? Oxiiiiii…Optando pela sanidade mental. Engolindo a barra de chocolate em 3, 2, 1…
Já está na hora do banho, onde usamos uma banheira estilo babytub. Enquanto me distraio pegando um novo shampoo, ela rapidamente aprende a escalar o balde e se arremessar dentro dele, como se tivesse num campeonato de salto para as olimpíadas. Jesssuiiiiiisssssssss não enfartei agora por pouco! Melhor ficar com ela segurando-a na banheira. Vamos brincar de patinhos na lagoa?
Banho acabado, criança cheirinha e trocada. Ahhhhhh que cheirinho bom! Eu vou morder………
Mordo rapidinho, e ao ouvir as risadinhas, mais mordidinhas e beijinhos. Ohhhh coisa boa! Mas logo lembro do almoço. Vamos lá, não dá para parar!
Ligo a TV, seleciono os desenhos educativos no Youtube. Enquanto ela assiste, pula no sofá. Em minha cabeça: “Que mola boa essa, hein?”. Mãe Observadora.
Volto os pensamentos para a prática. Enquanto grelho a carne ela se arremessa para longe do sofá! Meu Deus, não tenho um lar preparado para uma estrela olímpica! Corro acudir. Ela ri de mim. Eu quase explodo por dentro.
Volto pacientemente para a frigideira. Lá está: um carvão. Que delíiiiiicia!
Preparo o pratinho saudável, ela joga um tanto nas portas com vidros limpos, que ficam ao lado de sua mesinha Montessoriana. Ok ok. Hora da escolinha. Escova os dentes, pega sua mochila e vamos.
Criança entregue. Dona Culpa chega pontualmente, ao soar dos sinos escolares. Saudade que bate. Amor imenso que transborda o coração e preenche a alma. Amanhã serei uma mãe melhor, prometo. Hoje fiz o que pude Dona Culpa, pode ir tranquila, já entendi o recado”.
Por Marrie Ometto #reflexoesplugadas
Gente, a criança com idade próximo dos 2 anos está em uma fase de desenvolvimento crucial para sua formação. Ela não é um mini adulto e nem um bebê grande. Ela está numa fase particular onde essas caracterizações não são de muito efeito.
Clara era uma bebê calma, tranquila, exemplo de comportamento e delicadeza. Uma lady. Cadê? Ficou no tempo. Ela de desenvolveu, como uma lagarta que virou casulo, para um dia virar borboleta.
Nessa fase que eu tive a audácia de chamar de casulo, por pura experiência de vida e leitura de textos e estudos especializados, elas desafiam a paciência dos pais, pela freqüência e insistência.
Por isso, ser mãe é padecer no paciencismo. Não quero com essa frase pregar que temos paciência sempre. Não mesmo. Mas precisamos buscá-la sempre. Essa fase do casulo mostra seus mais profundos sentimentos, de amor e desespero, e é necessário filtrar o que aflora. E filtramos grande parte das vezes, pelo amor imensurável que funciona como peneira nesses sentimentos.
Nestas fases, a teimosia impera e, na maior parte das vezes, as sugestões não são aceitas pelos pimpolhos. Se você diz que precisa se agasalhar, ele diz que não está frio. Se você mostra uma roupa, ela quer outra. Se você pede para ajudar, ignora.
A criança se considera o centro do universo: não há nada mais importante do que as suas vontades. Contrariá-la significa conflito.
Egocentrismo. A criança não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro ainda. Não adianta gritar, se descabelar e muito menos bater. Crescer não é fácil e ela abstrairá seus ensinamentos sim, fazendo o que você faz, na hora que esse turbilhão passar e não o que você diz. Se agir com paciência, ela muito provavelmente sairá dessa fase com paciência. Se você “a domar” com gritos e tapas, ela sairá desta fase violenta.
Segundo o pediatra Harvey Karp, “nestes momentos os pais estão sendo colocados à prova para estabelecer de forma justa e equilibrada a permissão para a conquista de uma necessária independência, sem descuidar-se de impor alguns limites imprescindíveis. Mas conciliar esta relação e fazer com que ela seja aceita pelo filho é uma tarefa que em certos momentos é difícil e que exige muita paciência e negociação. Estas fases se manifestam de forma mais intensa em certos momentos porque estes são períodos de desequilíbrio no processo de desenvolvimento, durante os quais muitas características estão alterando-se rapidamente e a assimilação destas mudanças são difíceis. Elas são típicas da criança em por volta dos dois anos de idade e também no início da adolescência. Tanto a criança de dois anos como o jovem adolescente estão na busca de mais independência, procurando caminhos para estabelecer suas próprias identidades. Quando os pais se conscientizam da necessidade do filho conquistar sua vida própria, e que para isto alguns períodos difíceis de transição são necessários, terão mais tranqüilidade para enfrentarem os desafios. E todos, pais e filhos, estarão prontos para vivenciar novas e mais tranqüilas etapas”.
Ou seja, isso passa. Por tanto, por mais difícil que seja, nossa missão é padecer no paciêncismo, ou seja, na pratica de praticar a paciência no nível mais alto que podemos, diariamente.
Não há fase que não passe! Então curta muito, pois sentirá sim saudades!
Um beijo, Marrie


Mônica Lima De Oliveira
21 de dezembro de 2017 at 17:36Regis Lhp lê esse texto
Daniele Milena
4 de outubro de 2016 at 02:13Karina Gulmini Ligia Marcondes Juliana Souza
Priscila Ferreira
4 de outubro de 2016 at 01:14Bianca Sibinel F. Dos Santos Daniele Milena Paula Fernanda Denise Harumi Tatiyama
Daniele Milena
4 de outubro de 2016 at 02:13Incrível rs !
Ana Lucia Ometto Arruda
3 de outubro de 2016 at 22:43Perfeito Marilia Ometto! Mães…
GabiRog Vidal
3 de outubro de 2016 at 17:47Que demais. Ri e me senti reconfortada com seu texto.