Precisamos falar do puerperio, baby blues e pós parto…

As peculiaridades do puerpério precisam ser faladas… porque nao só de amor incondicional faz-se um pós parto. A trilha sonora dessa fase está mais pra rock and Roll que para uma melodia romântica como pintam… E justamente por isso o tema PRECISA ser abordado! Nenhuma mulher deve ser julgada (ou se cobrar) por não sentir-se plena nessa fase, onde é mais comum estar descabelada diante de tantas adaptações…

Eu tinha deletado da minha memória o quanto um casa muda ao receber um recém nascido dentro dela: além do amor que transborda, vem nesse pacote cheiroso muitas noites mal dormidas (mesmo que o nenê durma, eu não durmo, com medo que ele regurgite e engasgue), questões com irmãos, auto estima, divisões de tarefas no lar… além do “reencontro com a própria sombra”, como bem explana Laura Gutman.

Um pacote de amor para suportar as dores físicas e emocionais de um puerpério. A natureza é sábia e dá mais e mais AMOR – crescente em progressões geométricas – como antídoto.

Porém nem só de amor faz-se um dia a dia no pós parto. E nem sempre o antídoto é suficiente. A imagem abaixo retrata bem a situação.

Em meio ao furacão que é o puerpério, minha filha mais velha fez um clique bastante peculiar à situação: eu de pijama, descabelada, cachorro embaixo querendo atenção, com olheiras DE-TANTAS-NOITES-SEM-DORMIR-QUANTO-A-IDADE-QUE-O-BEBÊ-TEM e mesmo assim, varrendo as emoções pra debaixo do tapete ao disfarçar um sorriso, pois a sensação de TER-QUE-SER-GRATA, mesmo estando emocionalmente dilacerada, é o que permeia e a gente se cobra (ou nos cobram?).

O puerpério é uma loucura e, mesmo não sendo a primeira viagem para ele, é e sempre será arrebatador, por juntar muitas provas de resistência – físicas e emocionais – em tão pouco espaço de tempo: horas sem dormir, sem comer, sem saber quando conseguirá tomar um banho, com dores remanescentes do parto, inchaços e ainda tentando reencaixar uma rotina nova na casa, onde muitas vezes existem companheiros que ignoram esse fato biológico pelo qual a mulher passa no pós parto ou ainda, tendo que administrar os sentimentos também à flor da pele de filhos mais velhos que sentem demais com a situação e nos cobram nessa fase mais do que em qualquer outra. Fase essa em que mal temos tempo de fazer nossas necessidades básicas.

Eu também me cobro: que horas poderei dar mais atenção à mais velha, em que momento poderei fazer minhas coisas, meu trabalho, que não poderia parar, mas simplesmente parou?

Fica mais pesado ainda com o fardo de uma licença paternidade de 5 dias. Sobra tudo para quem fica, não adianta. E faz 5 dias que estou em casa sozinha, em meio ao puerpério, tentando me reequilibrar e lembrando que sim, isso passa. Que é linda a chegada de um bebê e digno de muita comemoração. Muito amor envolvido. Mas não deixa de doer.

Seria preciso que todos ao redor de uma mulher pós parto entendessem isso, para que o momento fosse o mais proveitoso possível para todos os envolvidos. Mas a real é que, na maioria dos casos, jogam tudo pra cima dela, a chamam de guerreira se suportar. Se o copo vazar e ela explodir, será julgada. Surtada.

Empodere uma mãe. Abrace. Nasce um bebê, ressurge uma nova mulher, mesmo que não seja seu primeiro filho. E o puerpério é um periodo em um casulo escuro, as que nao sao de primeira viagem sabem que a transformação é iminente.

Eu pessoalmente, fim do dia, considero importante não apenas “ticar” como executadas as milhões de tarefas sem fim de um dia em uma casa com crianças (em férias ?), mas principalmente a sensação de que o máximo de mim foi dado naquele dia, de que o que está em minhas possibilidades, da melhor forma que posso fazer, foi feito.

Pensar assim ajuda a espantar a culpa do “NÃO-DAR-CONTA-DE-TUDO” no fim do dia. Em especial no pós-parto e puerpério, é bom sermos gentis com nós mesmas. Já são tantas mudanças, hormônios, desafios, falta de empatia, julgamentos e pessoinhas precisando da gente… Pelo menos nós mesmas temos que nos poupar de tantas cobranças.

Por @MarrieOmetto

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