Carta aberta a uma mãe cansada – Carta 1

Querida mãe cansada,

Assim como você, também me sinto exausta. Hoje menos do que no inicio, apesar de achar a maternagem dos 2 aninhos mais exaustiva que antes. Mas sei lidar melhor com ela. E é exatamente por isso que escrevo. Sei o quanto a maternagem trás lindas sensações, mas o quanto pode também ser exaustiva. E esconder esse sentimento só nos pesa mais e mais.

Falar abertamente de questões que nos aflige alivia. São tantas questões que nos aflige, que nesta carta abordarei nossa casa e nosso corpo. Casa das nossas famílias e casa do nosso corpo. Nas próximas, abordarei temas como casamento, trabalho, rotina de mãe, ressurgimento da nossa vida pós metamorfose, pressão social e o que mais me sugerirem. Espero que ajude a vocês.

Assim como você, também um dia quis meu lar perfeito, brilhando, para que minha filha pudesse engatinhar e não sujar as calças. Para que pudesse andar sem sujar seus pezinhos tão lisos e gordinhos. Só que isso praticamente quase custou minha existência. Não importava quantas vezes eu limpasse, tudo se sujava novamente em questão de segundos.

Antes de ser mãe, não reparava na velocidade com que o caos se instaurava num lar. Uma faxineira 1x por semana parecia tão adequado! Agora, como mãe, observo que nem eu mesma 24h a limpar dou conta! Cheguei a ficar tão surtada com isso que chegava a parar qualquer brincadeira com minha pequena para correr limpar alguma sujeira que havia visualizado de um outro ângulo. Em minha cabeça estava fazendo isso pela higiene e saúde de minha pequena. Mas estava mergulhando numa paranóia exaustiva, incessante e que nunca me traria a alegria de um lar que eu houvera idealizado como perfeito.

Até o dia que, como se abrisse meus olhos na escuridão, entendi que os pratos nunca deixarão de ir para a pia, pois minha família não pararia de comer. Percebi que minha pequena não pararia de espalhar brinquedos pelo chão, afinal, a infância ocorre apenas uma única vez. Realizei que para dançar, é necessário tirar o brilho do chão. Para viver, é preciso de ação. E toda ação significa desordem, um caos remediável!

A lista de coisas que você tem para fazer só cresce minha cara, assim como as roupas em sua lavanderia. Mas o que fazer? Deixar de viver intensamente para evitar desordem ou mostrar quem é mesmo o dono de quem? Quem domina? A necessidade de uma mãe perfeita ou a mãe viva e real ali, que precisa também de libertar dessas “nóias” para ser feliz.

Até agora falamos da casa, lar da nossa família. Queremos tudo em ordem, para que nossos entes mais queridos vivam em harmonia. E ninguém será feliz se você estiver estressada e sobrecarregada. Permita algumas louças na pia por mais tempo e viva mais intensamente. Melhor umas marquinhas na meia da criança e você ali, presente brincando com ela do que o chão brilhando e a criança sentindo falta da mãe que está tão perto, só que longe.

Agora quero falar do nosso corpo, casa da nossa alma. Todas somos mulheres e sejamos sinceras: somos vaidosas, pelo menos um pouco. Ao abrir as revistas, você se depara com aquelas mulheres lindas e com filhos. Unhas perfeitas. Cabelos impecáveis. E ainda modelos de exemplo de mãe: nunca gritam, não se estressam, tem uma paciência de Jó e as crianças passeiam ao redor delas, nos cliques, felizes e saltitantes.

Nesse momento você pensa: “Meu Deus, aonde foi que eu errei?”, rsrsrsrsrs. Eu só te digo uma coisa: CALMA! E em seguida: “Você não errou. Você não precisa se perder na sua jornada buscando a perfeição. Mantenha sua convicções e apenas siga”.

Essas lindas mulheres também são reais e tem sim seus momentos difíceis. Que não foram divulgados, mas tem. Como todas nós temos. Todas nós queremos o melhor aos nossos filhos e diariamente tentamos nosso melhor e acertaremos e falhamos. Assim é a vida e o aprendizado. Reconhecer o que é possível ser feito e o que é idealizado te ajudará a sentir menos culpa e a organizar melhor o tempo.

Você não precisa fazer aquela lista imensa de atividades sensoriais todo o santo dia, você pode – e deve – ter um equilíbrio na sua doação para a busca da maternagem perfeita e pela busca de SUAS NECESSIDADES INDIVIDUAIS. Não é futilidade cuidar de si. Não é pecado sentir-se bem consigo mesma depois de virar mãe. É só preciso paciência para entender que tudo tem seu tempo.

Lembre-se sempre: você está ali. E ninguém consegue dar o melhor de si se não estiver inteira, feliz!

Faça o que pode e reserve tempo para algo que lhe dá prazer sim. Permita-se e liberte-se!

 

Eu sei o quão difícil é esse processo. Eu ando me libertando dia após dia. Mas também estou sobrecarregada. Assim como você. Como todas as mamães, tentando fazer o melhor que pudermos para as nossas famílias.

No final das contas, nossa grande meta é sermos mulheres, mães, esposas, profissionais e donas de casa, mas numa sintonia que não nos afogue, mas nos permita viver visivelmente. Ninguém te disse que você precisaria ser perfeita em tudo! E se for, saiba que alguma coisa pode estar afundando. Que não seja a sua alma!

Eu quero que você saiba de uma coisa: você não está sozinha.

Sinta-se abraçada,

Um beijo, Marrie
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Carta para mães cansadas

 

 

 

5 Comments

  1. Marcelo Oliveira

    26 de maio de 2016 at 20:06

    Quer estimular o raciocínio do seu bebê??? Não perca este vídeo……..Top dicas app infantis …Imperdível!!!! https://youtu.be/jCWsaJOwF6o

  2. Silvana Diciano

    26 de maio de 2016 at 01:22

    Muito bom ler esse texto! Trouxe afago pra alma!

  3. Vanessa

    4 de abril de 2016 at 02:38

    De uma certa forma esse texto me levou a uma reflexão. Sou mãe de três, 2 meninas e um menino. A mais velha 3 anos, a do meio de 2 anos e o caçula de 3 meses. As vezes sinto uma imensa vontade de sair voando pela janela, mas só de ver o sorriso dos três quando olham para mim.. Tudo isso vale a pena, só espero conseguir sobreviver a essa fase de nossas vidas e conseguir fazê los felizes. Como vc disse, desabafar faz um bem danado. Grata pelas palavras.. Vanessa

  4. Elismara

    21 de março de 2016 at 00:27

    Nossa como estava precisando dessas palavras. Estou num dia onde minhas forças estão no fim. Após algumas noites mal dormidas, muitas tarefas domésticas e a atenção que o bebê precisa cheguei no meu limite. E mesmo assim com uma culpa enorme pelas tarefas que não deu tempo de fazer. Agora vou me permitir descansar. Eu e meu bebê precisamos.

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