À espera do meu bebê arco íris: Relato de uma gestação em repouso com placenta baixa

“Um anjo precisou passar pela minha vida para que eu finalmente entendesse que um arco-íris só é visto após uma tempestade. E as turbulências que essa tempestade causa, na verdade é a provação que, de alguma forma, precisamos passar. Enfrentando medos, às vezes, paralisada, mas já vendo as cores de aproximar. À espera do meu arco íris” por Marrie Ometto, autora de Desapareci ao Virar Mae, Mas reencontrei-me”. Relato de uma gestação em repouso com placenta baixa.

O puerpério da gestação da Clara, que achei complicadíssimo, foi fichinha perto das tempestades que enfrentei depois: Já passei um enorme primeiro turbilhão na maternidade, ao perder meu bebe ainda em meu ventre, minha segunda gestação.

Vivi anos em luto por esta perda. Cheguei a questionar se queria mesmo subir nesse barco novamente. Não me senti forte, por muitos anos, para enfrentar outra potencial tempestade.

Agora, gravida pela terceira vez, passei da metade da gestação, e a cada semana, uma vitória. Primeiro trimestre foi maravilhoso, segui a vida, esportes, estava tudo bem. Mas, a partir da 16 semana, com placenta baixa e sangramentos quase que diários, acabei comprando um monitor de batimentos cardíacos. Assim me conecto com meu bebê, que segundo os exames está forte e saudável, e me tranquilizo diante dessa situação nada tranquila em uma gestação.

Repouso, repouso, repouso e remédios. Palavras difíceis para mim, mas que to tentando seguir à risca e, como resultado, o sangramento que durou semanas, finalmente cessou, mas agora na 21 semana, ainda não fui liberada do repouso.

A parte médica e científica está sendo feita. Agora preciso começar a curar aquilo que, para muitos, é o “inexplicável”: estou tentando acalmar minha alma.

O psicológico é complicado nessa situação, então estou tentando entender que mensagem esse bebê está tentando trazer pra minha vida. Que mudanças ele está propondo?

Na Antroposofia, fala-se que não há crescimento espiritual se não há momentos de dificuldades, afinal, quando tudo está a mil maravilhas, dificilmente somos tocados à fazer mudanças em nossas vidas, hábitos e prioridades.

As crises são aprendizados. Eu acredito que tudo já deu certo, mas ainda tenho metade da gestação para talvez ficar assim, e é preciso muita resiliência.

Ao invés de reclamar, quero crescer com isso. A mente tende a sabotar a gente qdo estamos sem sair, sem nos divertir, vendo coisas que materialmente não queríamos ver. Então, eu visualizo a realidade próxima, que é meu bebê nascendo em seu tempo certo, ocupando o quarto que venho preparando com todo o carinho e preenchendo essa família de mais luz.

Se no começo eu me perguntava os porquês das dificuldades e mergulhava em medo (afinal estar grávida e sangrar deixa a gente desnorteada), hoje entendo que tudo tem um porquê que infelizmente nem sempre é revelado assim tão facilmente, as razões do Universo a gente não sabe quais são, porém entrego, confio e entendo que se estou vivendo algo desagradável, é pq preciso aprender com aquilo para evoluir como ser humano.

Resiliência. Essa é a palavra que essa gestação me trouxe.

O primeiro presente que meu filho Lucca está me trazendo é um chamado à reflexão e vou aceitá-lo com muita gratidão ??.

Um dia de cada vez, uma comemoração por semana, e a certeza do meu bebê arco íris forte e saudável entre nós, tudo à seu tempo. A profecia é o baby Lucca no meu colo, como nesses rabiscos que fiz em meu repouso.

Um beijo, Marrie


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