Uma reflexão e opinião de especialista sobre dia dos pais/ dia das mães nas escolas, num cenário onde o padrão família não é mais o mesmo de cem anos atrás…
Sexta feira foi apresentação de Dia dos Pais na escolinha da minha filha…Mas meu marido, pai da Clara, que tem uma escala em sua profissão, não pode estar aqui.
Minha filha é pequena e combinei com a professora de não a levar na escola na data. Afinal, ela iria se apresentar para quem? Não sei como seria isso para ela e, nessa tão pouca idade, preferi poupá-la.
O pai é super presente e participativo em sua educação, porém não tem finais de semana e calendário como a maioria das pessoas. É piloto de avião e seu trabalho exige que esteja bastante tempo fora. Então, mesmo sendo um PAIzão, por motivos de trabalho, não poderia estar numa data que seria muito importante à todas aquelas crianças.

Fiquei pensando em crianças que, por ventura, não tenham pais. Por falecimento. Por serem frutos de reprodução independente. Por terem “pães” (Pai+mãe numa única figura), as guerreiras mães solos. Por estarem enquadrados em uma suma diversidade de novos modelos de constituição familiares…
Quando falávamos em família até há pouco tempo atrás era quase imediato referir-se a pai, mãe e filhos. Porém cada vez mais o formato “clássico” vem sendo substituído por novos modelos de uniões onde o que vale é relação de afeto, independente da expectativa social, inclusive por conta de necessidades que aparecem ao longo do percurso de vida das pessoas, por exemplo, uma avó que assume netos órfãos de mãe ou um pai que cria os filhos com independência, ou seja; datas comemorativas como Dia dos Pais já são repensadas, tanto no formato da comemoração quanto na homenagem, que cada vez mais se torna uma festa para toda família.
Nem todos mais somos filhos de pai e mãe casados, como foi no século passado. E, nesse cenário, como fica essa questão das datas comemorativas?
Em entrevista, a educadora Gabriela Finatti – psicopedagoga especializada em gestão escolar e fundadora da escola Espaço Roda Viva – expõe que não tem porque expor ou constranger alguns dos alunos, justamente pela questão taxativa da data, que está muito mais ligada ao aquecimento das vendas dos comércio do que ao sentido do afeto, dos sentimentos das crianças…
Quando incentivamos uma criança com pai ausente ou até mesmo criada por duas mães, por exemplo, a fazer um presente para seu “pai”, esta criança sente-se deslocada e vulnerável, uma vez que não faz sentido fazer um “presente” para alguém que não existe em sua realidade de vida. E podemos SIM poupar nossas crianças disso. Acredito que decepções são importantes para o crescimento do ser humano, e que poupar crianças de tudo não é o caminho. Porém, esse é um tipo de frustração que não prepara para o mundo, mas desloca-o dele, podendo deixar marcas para toda uma vida.
A escola é um espaço que exerce forte influência na formação da essência do ser humano e ao impor um modelo de família (mesmo que sem falar abertamente desta imposição, mas com posturas que contradizem a realidade de cada aluno) passa-se a criar nesta criança uma expectativa e uma angústia por achar-se fora do modelo esperado.
Eu sei bem o que é isso. Quando criança, fui filha de pais separados, num contexto onde isso não era nada comum. Até hoje me lembro dos cochichos, entre mães de amiguinhos meus, do tipo: “coitada, os pais são separados”. Essas marcas, podem ficar por uma vida.
Desta maneira é importante termos claro que a comemoração de dia das mães e/ou dos pais é muito mais do que simplesmente fazer um “porta retrato” com cartão ou uma apresentação de uma canção incansavelmente ensaiada por crianças pequenas. É “impor” aos alunos um modelo de família, de vida, é quase ditar o certo e o errado, mesmo que “sem esta intensão”.
A escola deve ser o lugar do acolhimento das diferenças, onde cada criança sai do seu núcleo familiar para fazer parte de um coletivo e assim ter a oportunidade de encontrar-se com o diferente e o semelhante, que serão responsáveis por formar sua identidade! Ser aceito da maneira como eu sou, com minhas características físicas, minhas potencialidades, minha história de vida é ponto essencial
para a formação de um ser humano equilibrado emocionalmente, sendo assim capaz de se desenvolver e aprender.
Para isto a escola precisa estar muito consciente de seu papel na formação dos alunos e selecionar cuidadosamente quais serão os temas trabalhados, para impulsionar seus alunos de maneira saudável e positiva. Com orientação e conceitos que ajudam na formação da criança como cidadão livre, podendo fazer suas escolhas, independente de todas as questões impostas pela sociedade, a criança tem o direito de desenvolver sua própria opinião. E a escola, o dever de proporcionar, junto das famílias, às crianças um pensar livre, criativo e extinto de preconceitos.
Em suma não acho que as comemorações e apresentações devam deixar de existir, mas acredito qe elas devam pensar nas diversidades existentes nas casas de cada um dos alunos. Afinal, crianças não precisam passar, tão novas, por constrangimentos criados por adultos e que, quando elas crescerem, pode ser que não faça sentido algum.
Acredito muito em expressões de carinho mostradas de formas muito mais simples, em relação aos familiares e amigos, com festas e comemorações na escola sim, MAS para TODA a família, assim cada aluno pode se sentir a vontade para trazer a pessoa que gosta e identifica como indivíduo principal na sua vida. Apresentações, com danças, músicas e teatro pensadas para A FAMÍLIA, e não apenas para figura paterna ou materna.
Um beijo, Marrie
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Jessica Louzada
12 de agosto de 2017 at 23:56Josie Louzada
Juliana Oliveira
12 de agosto de 2017 at 22:58Concordo plenamente
Talita Del Grande
12 de agosto de 2017 at 22:51Rodrigo Medeiros
Rodrigo Medeiros
13 de agosto de 2017 at 10:22Foi o que eu te falei. É o que defendo .. dia da Família …
Maria Teresa Araujo
12 de agosto de 2017 at 22:30Parabéns pelo texto ….
Clenir Costa
12 de agosto de 2017 at 22:08Meu pai mereceu todas as homenagens em todos os eventos da escola… não podemos generalizar. .. ele não pode pagar por ser presente e o melhor pai… Realmente vemos a construção de novas famílias… mas não podemos nos culpas pelas decisões das outras pessoas.. Não deve ser fácil para uma mãe ver seu filho sofrer por ter um pai ausente… mas desculpa o pai do meu filho é presente faz de tudo pra ser o melhor é sim tem o direito de saber disso.
Mara Zart Cardoso
12 de agosto de 2017 at 21:13Acho muito boa a idéia , porque é horrível ver a criança sem pai homenageando o pai das outras crianças e triste porque seus pais não estão presentes
Livia Novaes
12 de agosto de 2017 at 20:38Acho que o que esquecemos é que as crianças precisam lidar com as diferenças. Estamos sempre tentando “igualar” tudo, procuramos “encaixar” todos na mesma forma que alguns decidiram ser o “ideal” algumas crianças não tem pais. Outras não tem mãe! Será que extinguir resolveria? Acho que nao é por aí! Vejo muito os pais tentando fazer um mundp perfeito para as criancas e onde entra o aprendizado, que existem diferenças e que elas não nos torna inferiores e sim únicos. Vale ressaltar que temos o dia dos avós, da madrinha, da tia e que não é comemorado.
Mamãe Plugada
12 de agosto de 2017 at 21:59Boa colocação. Não resolveria tudo mesmo. Mas aliviaria esse tipo de dor, que não trata-se de uma frustração do dia a dia, pois trata-se do alicerce do ser humano: a família.
Priscila Souza
12 de agosto de 2017 at 20:32Eu vejo muito um egoísmo das pessoas. ” Frases do tipo a família convencional, o pai presente não pode ser privado” ou seja que se dane a criança que já passa por esse problema que continue passando porque essa chuva de problema não molha minha horta?
Esse é o valor que se deve ter …. Honra teu pai é tua mãe e aumente seus dias de vida…. Ensinar a criança respeitar e valorizar o pai é a mãe todos dias ……
Uma homenagem coletiva festa da família envolve todos e mostra que as crianças lidam com a diversidade, ela vai ver todos tipos de família , mas não vai se sentir inferior porque ela aprendeu um valor importante. Agradecer a Deus pelo que ela tem e não aprendeu a ignorar o problema do próximo ou invejar o que o outro tem…
Sejamos mais humanos por favor…. O bem coletivo é o bem feito a Deus….
Ignorar o próximo é ignorar a Deus
Liliane Breyner
12 de agosto de 2017 at 19:46Acho q desde sempre existiu dia das mães e dia dos pais… sempre existiu criança que não tinha um ou outro… o problema é que hoje a geração cheia de preconceitos (aquela q cria cota para tudo q e diferença) fica cheio de mimi
Mamãe Plugada
12 de agosto de 2017 at 19:59Refletir sobre as mudanças da sociedade e os impactos na humanidade não é mimimi … existe uma causa importante nessas considerações.
Liliane Breyner
12 de agosto de 2017 at 20:01Então cria um dia da família… mais um feriado e mais um dia mais comercial …
Liliane Breyner
12 de agosto de 2017 at 20:20No mundo inteiro tem dia dos pais e dia das mães e tem família de todos os jeitos… só aqui q essa discussão é colocada em pauta… brasileiro gosta de polemica
Mamãe Plugada
13 de agosto de 2017 at 06:21Liliane Breyner quem falou em abolir o dia dos pais ou dia das mães no geral? Apenas não precisa ter nas escolas. Quem falou que precisa de feriado para o dia da família? Cada escola pode adotar uma data.
Liliane Breyner
13 de agosto de 2017 at 11:25Mamãe Plugada acho q as pessoas não precisavam se importar com essas coisas! E passar a dar valor a coisas q realmente se importa!
Vanessa De Carlo
12 de agosto de 2017 at 19:38Super apoio. Ninguém na minha família é divorciado mas eu tento me colocar no lugar de outras pessoas. Respeito é o que importa. Não preciso ver meu filho fazer nada de dia dos pais/mães às custas da felicidade de outras crianças