To aqui…
Amamentando,
Pensando na comida, na papinha de amanhã, nos lanchinhos saudáveis, no que adiantar para não ficar louca no dia acelerado.
Rezando para que as crianças não relutem a dormir hoje,
Que não acordem no meio da noite.
To aqui
Cansada,
Esgotada,
Emocionalmente acabada.
É a aula on line,
As compras do supermercado,
As tarefas para ajudar.
Faço como posso.
Um chora,
A outra desobedece, responde.
Filhos: só querem atenção…
Mas cadê minha concentração?
Faço o que posso. E ainda me culpo.
Afinal, sempre será minha culpa aos olhos de quem julga.
Estou aqui: em briga com o espelho,
Esteticamente detonada.
Peitos que não são mais meus,
Diástase aberta,
Hormônios à mil.
Falta de tempo pra surfar contra essa maré.
Sinto-me mal: a culpa é minha. A procrastinação x minha aceitação.
Estou aqui: lutando para o papel virar novo projeto,
Para viver profissionalmente de novo,
Mas tenho que passar todo o resto na frente. Sempre.
Sinto que por mais que tenhamos companheiros,
Que entendam o papel da divisão dos papéis,
No fundo, os filhos são sempre das mães.
A vida da gente muda demais.
Prioridade? Queria me dar.
Máscaras de oxigênio em mim, depois nos demais.
Mas falta tempo. O planejamento? A quarentena me roubou.
Só sinto ruir aqui dentro.
Mas preciso ser fortaleza por fora: eles dependem de mim.
E sei que tenho que estar bem, para eles ficarem bem. Como isso pesa ?.
É. A maternidade engrandece. É amor além de si. Mas dói também. E como.
Eu sei que tudo isso passa…
Mas agora, só queria um sincero abraço empático.
Por Marrie Ometto


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