Estudo sugere que meninos precisam de maior suporte emocional dos pais que as meninas

Coisas como: “Homem não chora”, “Boneca é coisa de menina”, “Engole esse choro”, “Isso é coisa de menininha”, entre outras frases comuns, dão a falsa sensação de que eles estão mais preparados emocionalmente (ou tem que estar) do que as meninas para suportarem algumas situações e é justamente aí que mora o perigo. Muito além de questões de rosa ou azul, boneca ou carrinhos… Por que criar meninos pode exigir um suporte emocional muito maior?

A muito tempo, pesquisas vem abordando as diferenças de gênero no cérebro. Em um estudo chamado “O homem frágil”, de Sebastian Kraemer (leia original em língua inglesa aqui), ele afirma que os cérebros dos bebês meninos são realmente mais frágeis do que os das bebês meninas, pois, ainda no útero, os cérebros dos meninos captam mais coisas como depressão e estresses maternos.

Outro artigo do PsychologyToday afirma que meninos têm níveis mais altos de cortisol (o hormônio do estresse) que as meninas apresentam, após um parto complicado, uma separação pós parto brusca ou ainda quando não percebe esse amor de sua mãe.

Além disso, essas pesquisas mostram que cérebros das meninas têm uma vantagem precoce que permanece com elas durante a infância, enquanto que nos meninos, isso vai se desenvolvendo, por isso parece que as meninas “se desenvolvem” mais rápido, no geral.

À medida que os meninos vão crescendo, isso deveria ir se equilibrando, porém, em caso de falta de apoio emocional,esse desenvolvimento se compromete. Há certas diretrizes que dizem que os meninos são mais propensos a dislexia e à dificuldades de leitura, tornando a escola e a aprendizagem difíceis. Os meninos também são mais propensos a ter transtorno de conduta de início da infância e são duas a três vezes mais propensos a ter TDAH do que as meninas. O Huffington Post do Canadá recentemente afirmou que, na idade adulta, os homens canadenses são três vezes mais propensos a cometer suicídio do que as mulheres.

Embora esteja claro que pode haver diferenças de gênero nas estruturas cerebrais e de desenvolvimento, o cérebro também é fortemente moldado pela experiência – a neuroplasticidade. Ou seja, meninos precisam de MUITO AMOR TAMBÉM, compreensão e direito a chorar, pois homem também chora SIM!

A pesquisa de Kraemer  aponta que os pais costumam a nutrir seus bebês meninos com menos atenção e carinho do que fazem com suas meninas (tem um estudo similar aqui no site) e, em partes, é porque os pais de meninos são mais exigentes, o que pode causar mais distância entre o pais e o filho, potencialmente causando problemas na jornada de desenvolvimento desse ser.

Coisas como: “Homem não chora”, “Boneca é coisa de menina”, “Engole esse choro”, “Isso é coisa de menininha”, entre outras frases comuns, dão a falsa sensação de que eles estão mais preparados (ou tem que estar) emocionalmente do que as meninas para suportarem algumas situações e é justamente aí que mora o perigo.

Há um estereótipo cultural muito prejudicial, que enxerga meninos como sendo naturalmente o sexo mais forte e, com isso, os pais simplesmente fornecem menos base emocional para eles do que para meninas, por assumirem que seus filhos simplesmente não precisam disso, afirma o estudo.

E são exatamente estes estereótipos masculinos tóxicos que são reforçados em meninos e podem prejudicá-los como adultos, pois são ensinados  desde cedo que expressar suas emoções é feio, olha só que repressão, causando danos a longo prazo às suas relações entre si e com pessoas de outros gêneros.

Então, nossos meninos estão recebendo um duplo golpe: eles têm o cérebro mais vulneráveis e recebem menos apoio emocional de seus pais. Com colo, amor e sem essa besteira de sexo forte ou frágil, tudo tende a ser melhor!

Um beijo, Marrie

Imagem de KIKOVIC VIA GETTY IMAGES


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