Dia das Mães, então nada mais justo de falar delas.
Falar destas mulheres especiais não consiste apenas em elogiar o fato de ela ter nos dado nosso bem mais precioso – A VIDA.
Hoje, minha homenagem será diferente! Será abordando um tema que, se fosse solucionado, seria um maravilhoso presente para todas as mamães e uma evolução para a nossa sociedade e futuros cidadãos: A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
Respeito todas as decisões das mães: as que trabalham fora e cuidam dos filhos, às que resolveram abrir um negócio próprio para ter mais flexibilidade e tempo para a família, às que trabalhavam e abriram mão da carreira para cuidar dos filhos, às que sempre se dedicaram exclusivamente ao lar, … Mas hoje, falarei um pouco do drama vivido pelas mulheres que optaram, por amor à sua profissão, por trabalhar fora e ser mãe.
Ok, nós mulheres lutamos por igualdade nos direitos: dentre tantas conquistas, ressalto a luta pelo direito a votar, a estudar, a trabalhar… Lutamos para podermos ter liberdade de escolha! Contudo, essa liberdade conquistada ao rasgar o sutiã é extremamente ilusória!
A liberdade nos dada é a mesma de um homem, contudo menos valorizada/remunerada que a de um homem, com uma carga e jornada de trabalho imensamente superior. Ou seja, a liberdade conquistada esta longe de igualitária. Hoje, estatísticas provam que a mulher estuda mais, trabalha mais, e ainda assim é menos remunerada do que um homem. Quando são mães então, essa desigualdade aumenta ainda mais: a mulher tem dupla jornada, a casa, os filhos e o marido para dar um suporte (herança de uma sociedade pré rasgação de sutiã).
Vamos falar destas mulheres com dupla jornada de trabalho…
A mulher que tem uma carreira vê seu direito à maternidade questionado. Este questionamento vem de uma forma quase que psicótoca no ambiente profissional: Ninguém aborda o tema no ambiente de trabalho, uma vez que pode ser considerado “assédio moral”, contudo está no ar, pressionando o sexo feminino nas empresas para que estas adiem tanto o direito de ser mãe, que na hora que desejem ser, tenham muita dificuldades e, muitas vezes, não consigam!
Por mais que a atual conjuntura tente pregar um modelo em que a mulher é igual ao homem, ou que a mulher pode prover o sustento da casa enquanto o homem cuida dela (inversão dos papéis vigentes pré rasgação do sutiã), a BIOLOGIA permite que apenas as mulheres dêem origem a VIDAS. E, na maioria das mulheres, o INSTINTO MATERNO pode tardar, mas aparece! (vejam bem, não estou falando que sempre aparece, há exceções).
E para estas mulheres, que investiram tanto na carreira, deram a vida pela empresa que trabalham, horas de dedicação, abdicando de feriados, finais de semana quando necessário, sempre em busca das metas de desafios da Companhia, por AMOR ao que faziam, que “trocaram de papel”com seus maridos e, de repente, o relógio biológico toca e sentem vontade de ser mãe…
Aí acontece a grande frustração, para 80% das mulheres do mercado de trabalho (sim, pois se existe 20% de empresas no Brasil que apoiem e valorizem a mulher e mãe, acho muito). Percebem que, tudo o que abriram mão, por amor ao que faziam profissionalmente, não será levado em conta quando sua gravidez chegar: Empresas fazem piadinhas, temem que as mulheres não dêem conta do negócio, só por estarem gravidas ou com um recém nascido no colo. Sabem que, se gravidas, terão direito à licença maternidade e ficarão um bom tempo fora da empresa.
E neste tempo? Contratam um homem para a posição desta mulher? A esperam? Ótimo se a esperam!
Mas quando retorna, vem as piadinhas, tentando fazer com que a mulher não “abandone” o trabalho por algumas horas para levar seu bebê no médico quando doente…
Gente, por que isso ainda acontece? Se todos AMAM suas MÃES, por que agem assim com o direito à MATERNIDADE?
Sei que, do lado da empresa, é dificil quando a mulher sai de licença maternidade, pois fica um longo período fora: há a necessidade de se colocar alguém no lugar para que os negócios continuem e ainda há o custo desta situação. Mas imaginem, como é difícil para uma mulher, deixar seu bebê com apenas 4 meses ou menos, numa escolinha para poderem retornar ao trabalho (6 meses de licença maternidade no Brasil é direito só de funcionários públicos e de algumas poucas funcionarias do mundo provado – leia aqui ). Não estou aqui questionando a qualidade das escolinhas nem das babás, mas sim mostrando um cenário em que a mulher se obriga a desamamentar um bebê muito antes do que o indicado como fundamental para o bom desenvolvimento de um bebê para poder retornar às suas atividades.
Tá, supondo que a mulher tenha ficado o máximo de tempo possível com seu filho (CLT = 120 dias de licença maternidade + 15 dias de licença amamentação + 30 dias de férias) e, após este período, preparado tudo, psicologicamente ela mesma e preparado seu bebê com fórmulas de leite artificial para que acostume com o sabor (que é anos luz diferente em sabor do leite materno), introduzido papinhas antes do recomendado e, ao chegar no trabalho, ainda ela corre o risco de ser dispensada (CLT prevê que a estabilidade nesse caso é até a criança completar 5 meses de vida).
Como será que fica a cabeça desta mulher? Uma mulher que estudou muito desde muito nova, fez uma ótima graduação, fez MBA, tem anos de experiência no que faz, abdicou de muitas noites com família e amigos para trabalhar (muitas vezes sem receber horas extras), bate grande parte das metas e até recebe bônus por isso, ao retornar de uma licença maternidade, ser dispensada por ter escolhido apenas um ato instintivo, biológico e de amor sublime, que é ser MÃE.
Acho que viver em sociedade é arcar com ônus e bônus de ações coletivas: se para a empresa há um custo hoje, amanhã a nação terá novos membros (do lado da empresa, a longo prazo, maior mão de obra disponível).
Gente, desejar feliz dia das mães é respeitar o direito da mulher moderna de ser mãe, para que esta possa ter um ambiente de “igualdade” e realização profissional sem que, para isso, tenha que abrir mão de dar uma excelente criação aos seus filhos, baseada no amor, respeito e dedicação (demanda tempo).


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