O fato hoje é que, o que não entra no calculo do PIB (Produto Interno Bruto), tem valor para muito poucos: Nos cobram equilibrio entre ser mae, profissional e mulher. Porém, com a maternidade, muita coisa muda em nossas vidas e, as vezes, somos levadas a tomar decisões que não tomaríamos, se houvéssemos escolha. Colocam para a mulher a obrigação de que tudo transcorra como antes, mas agora com filhos. Isso só gera mais angustia. Mais um papel.
Um dia, por essa bebezinha, eu fiz uma difícil escolha: não teria como trabalhar no ritmo que eu tinha, com meu marido num ritmo pior ainda (escala q nem volta pra casa). Ajuda integral seria pouco, como tentei no começo matrícula-lá por 12h na escola. Eu ainda teria que sozinha driblar saídas p o pediatra, precisaria de uma babá para buscar na escola (pq 12h com trânsito de SP seria pouco), ou seja, não teria tempo em quantidade e muito menos em qualidade com minha filha. Não poderia dar comida, dar banho, participar da escola. Simplesmente, eu não teria tempo. E, meu marido, quando estivesse em casa, o faria com amor, mas ele quase nunca estava em casa, ou seja, não poderia contar com isso.
Parecia impossível fazer isso, sem um companheiro que voltasse pra casa ou uma rede de apoio para dividir um pouco as responsabilidades.
Sem pensar muito, pois foram muitos anos de estudo, nas melhores instituições do país, experiência em empresas fantásticas e um salário muito bom, deixei tudo para trás.
Não me arrependo, pois não teria como ser uma mãe presente na situação que vivíamos. Mas sim, sempre me doeu não ter conseguido me realocar em algo mais leve, com horários mais tranquilos. Desde que me formei fui para uma área muito agressiva, dominada por homens e até eu viver a maternidade, tudo caminhou maravilhosamente bem.
O tempo passou, eu continuei estudando: psicanálise, + economia, mídias, línguas… mas nunca consegui me ver novamente em algo. Como uma adolescente, voltei a pensar no que faria daqui para frente.
Eu engravidei de novo e, pela primeira vez, me dei ao luxo de não pensar nisso. Pelo menos por enquanto. E como está sendo bom curtir bem “carpe diem” o passar do dia com minha filha e meu bebê dentro de mim.
Esses dias, porém, voltei a refletir sobre essa questão que assombra não só a mim, mas outras muitas mulheres. Conversando com uma senhora, ela me relatou que era “do lar” e disse, em tom bastante triste: “aquela que faz tudo para todo mundo, não tem direitos, ninguém reconhece e ainda acham que somos privilegiadas, que ficamos de perna pro ar em casa sem ter que pensar em nada”.
Ouvi tudo aquilo, que não deixava de ser verdade. O mundo valoriza quem produz algo que some ao PIB (bens e serviços finais). A criação de um ser humano não é algo economicamente contabilizado, portanto, sem valor.
E respondi: “as pessoas não dão valor para quem não olha pro próprio umbigo. Hoje em dia, está em falta quem se doe ao próximo só por amor. Dizem estar fora de moda. Mas tem coisas que vem da essência e não do que é dado pela manada”.
Ela sorriu. Era o que ela precisava. Apoio. Empatia.
Por Marrie Ometto
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