Minha maior luta como mãe é comigo mesma!

Minha maior luta como mãe é comigo mesma. Lutar contra a exaustão física e mental e ainda assim ser paciente como um monge. Uma boa mãe.

Ser o melhor de nós mesmos lutando contra situações fisiológicas extremas, num paradoxal amor x cansaço. Explosão x culpa. Exercer inúmeras funções-diante de cobranças, pedidos sem fim e falar 10milhões de vezes a mesma coisa sem ser escutada -e ainda, no fim do dia, ter a nítida sensação de não ter feito nada.

O trabalho sem fim, a louça na pia, a roupa na máquina, os brinquedos por todo o lado, falta de tempo para almoço, para banheiro sem supervisão, chuveiro sem ouvir o filho chorando (mesmo quando ele não está), cachorros pedindo atenção e as crianças espalhando brinquedos pela casa parecem comprimir o meu cérebro e não me sinto nada orgulhosa em perder a paciência.

A real é que eu não aguento o tranco. Não me orgulho, mas sai uns gritos sim. Não gostaria, mas fico impaciente. E é exatamente contra essas coisas que mais tento lutar diariamente.

Ser mais paciente, um pouquinho mais – a cada dia. Luto em relação a isso desde que tive minha primeira filha, e com dois, parece que surto ainda mais.

Busco por respirar fundo, olhar para aqueles sorrisos inocentes e tentar não surtar quando, pela milésima vez, ouvir choros ou “mamãe pega isso/faz aquilo/to com fome…”

Ser forte para, mesmo mais calma, saber dizer NÃO a quem mais ama nesse mundo. O não mostra limites e educa.

Luto também pelo discernimento, afinal a “sabedoria do NÃO” é o oposto de “só dizer NÃO”. Negociação também é fundamental. Nessas minhas lutas diárias comigo mesma, defini que higiene, saúde e educação são indiscutíveis, irredutíveis, inegociáveis. Não há argumentos ao fato de que é necessário escovar os dentes após as refeições. O resto, deixo que exercitem a argumentação.

O fato mais doido disso tudo é que, no fim do dia, mesmo tendo tentado com todas as forças ser uma boa mãe, a conta – e a culpa – chega.

Maldita culpa! No que ajuda nessa nossa luta interna?

E nesse meu mantra diário do TENHA-PACIÊNCIA-FORÇA-DISCERNIMENTO-RESPIRE-FUNDO, surge a constatação de que – afinal – não sou um buda, existo na mais plena e imperfeita essência do ser humano comum de carne e osso. Só para dificultar a situação – e a equação – do ser uma “boa mãe” da maneira que muitas nós cobramos.

 

Ahhhh, se fosse tão prático e lógico como a matemática! Certamente após tantas reflexões, já teria decifrado a mais cabulosa equação do amor X cansaço. Explosão X culpa. Do “boa mãe” “as is”.

E matando uma ou mais culpas por dia, o sol se põe, o dia passa, a folhinha do mês vira, o ano voa e as crianças crescem. Tão rápido e voraz que e, ao olhar para trás, aquela nostalgia: “foi num piscar de olhos”.

Um beijo, Marrie

Leia também:

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/05/o-grito-e-a-culpa/

Tecendo futuros, matando uma culpa por dia

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/02/texto-sobre-o-nada-materno/

161 Comments

  1. Danielli Muzy

    7 de julho de 2017 at 13:48

    Assim mesmo. Eu respiro fundo e conto 1,2-10. A minha filha pára e fica me olhando sorrindo… Aí a contagem funciona pq aquele sorriso inocente não tem preço. Mas vivo cansada e dolorida. Acho que aos 43 anos é mais pesado p o corpo, menos emocionalmente pq já tenho mais paciência e tb sou professora e psicóloga o q me ajuda a ser compreensiva, mas msm assim não é fácil msm. Tive a minha filha aos 41, qdo tive certeza de que era o que nós queríamos. É não adianta que só passando q sabemos o quão desgastante é. Mesmo assim, c uma filha elétrica RS , nunca bati nela e não bateria, acho isso uma grande covardia e inadimissivel.

    1. Danielli Muzy

      7 de julho de 2017 at 13:50

      Animal de estimação nem pensar!!!! Depois do trabalho todo que já tenho e sempre acho que ficou faltando… Vc é muito corajosa! Hahaha. Ou o bichinho já existia antes, aí não tem jeito, é parte da família.

    2. Giane Silva

      8 de julho de 2017 at 13:31

      Olá Danielli Muzy!!! Eu também tive minha filha com 41 anos! Vejo você falando parece que sou eu exatamente assim! Sou professora também, de educação física, e me sinto exatamente como vc! Como é bom saber que não estou só!

  2. Bárbara Almeida

    7 de julho de 2017 at 13:47

    E quando em 3 anos vc perde a paciência pela segunda ou terceira vez por causa de uma dor de cabeça que parece agravar a cada choro do seu filho, vem alguém e te repreende como se vc não tivesse o direito, afinal de contas “vc só fica com sua filha 3 horas por dia e ainda perde a paciência quando está com ela”. Como se tudo o que vc passou, toda a paciência que teve nesses anos não significasse nada. Mas mesmo sabendo de tudo isso, vc se sente culpada e até chora de remorso por causa de um minuto de fraqueza.

    1. Mamãe Plugada

      7 de julho de 2017 at 14:03

      Exatamente. Dedos para apontar são vários, né? Para acolher, no entanto, são tão poucos! Às vezes a própria família não nos acolhe, triste! Bjs

  3. Renata Oliveira

    7 de julho de 2017 at 12:59

    Dérika Mendes Brito Cinthia O. Vilela

    1. Dérika Mendes Brito

      7 de julho de 2017 at 14:36

      Mais pura verdade…. Sou eu do começo ao fim.

    2. Cinthia O. Vilela

      7 de julho de 2017 at 15:03

      E ser mãe e pai tu triplica todas essa sensações e soma mais algumas ! ☺??

  4. Rai Nascimento

    7 de julho de 2017 at 12:44

    Passei uma vez,e agora estou eu aqui de novo com uma bb de 2 meses.Porém agora eu tenho vc pra eu me inspirar. A primeira vez , sem nossa O alguma do que tinha por vim , parecia que eu ia morrer.Bjos adoro vc.

  5. Elivania Oliveira

    7 de julho de 2017 at 12:41

    Meu Deus! Acabei de desabar de choro em cima do meu bebê! Ele não tem culpa mas eu perco a paciência! Tem dias q acho q não vou aguentar… como hoje, ser mãe e dona de casa parece ser nada… mas é tudo pra nós…
    Da um vazio e um desespero ao mesmo tempo. é louco! Obrigada Marrie! Palavras de conforto para uma mãe em chamas e lágrimas!

    1. Mamãe Plugada

      7 de julho de 2017 at 14:05

      ???❤️❤️❤️❤️ obrigada

    2. Danielli Muzy

      7 de julho de 2017 at 14:11

      Sim, tem momentos que achamos que não vamos aguentar. Acho que vai melhorando após 1ano. Antes é pior.

    3. Marcon Angelina

      7 de julho de 2017 at 18:26

      Então somos a maioria tem horas q também tenho vontade d sumir e que não vou aguentar.

  6. Lidiane Rodrigo

    7 de julho de 2017 at 12:40

    Nossa que Lindoooo. Como faço para comprar o livro, estou louca para ler, amooo seus textos, vc expõe o que sentimos. Tenho um filho de quase 4 anos e sinto muita culpa por trabalhar fora e passar pouco tempo com ele, mesmo que quando estamos juntos faço de tudo para dar atenção, brincar, às vezes acho que não vou conseguir de tão cansada, mas tento dar o meu melhor, aí vem a culpa e me sinto mal e tento cada vez mais aprender a lidar com essa situação, mais eu sofro muito, voltei a trabalhar com 21 dias e tiro 1 ou 2 semanas de férias no ano. Ler seus textos acalma minha alma, que Deus conserve esse Dom, e vc nem imagina como me ajuda. Obrigada

    1. Mamãe Plugada

      7 de julho de 2017 at 14:03

      Lidiane, muito obrigada ❤️❤️. Dá para comprar na Amazon (link http://bit.ly/livrodesapareciaovirarmae tem o melhor custo x benefício). Também tem no site da Editora Bianch e Livraria Cultura. Links e sinopse em http://www.marrieometto.com.br ???

  7. Nayara Rodrigues

    7 de julho de 2017 at 12:35

    Externou tudo o que sinto! seus textos são ótimos!

  8. Ju Nunes

    7 de julho de 2017 at 12:27

    Nossa, tão eu… “mãe”. Rsrs

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