Não acredito APENAS em “cultura do estupro”, mas sim em omissão…

Essa semana, uma menina de 16 anos foi estuprada por 30 homens, no Rio de Janeiro.

http://m.oglobo.globo.com/rio/quando-acordei-tinha-33-caras-em-cima-de-mim-diz-menina-que-sofreu-estupro-coletivo-19380492?utm

No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada, segundo o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, cujos dados mais recentes são de 2014.

Não acredito APENAS em “cultura do estupro”, mas sim em OMISSÃO de pequenos valores que, como uma bola de neve arremessada do topo de uma altíssima montanha, pode causar uma avalanche.

Essa pequena e inocente bola de neve são como os ensinamentos às crianças, e a avalanche é quando eles já viveram uma vida de pequenas e singelas bolas de neve, aliadas a questões éticas e morais, óbvio!

Quando falamos de cultura do estupro, por CULTURA não estamos de forma alguma negando que estupradores são criminosos. Pelo menos na minha mente isso não acontece e ficaria aterrorizada se eu estiver sendo minoria.

Não temos como negar que, na infância, é natural um certo norte aparentemente banal/comum/corriqueiro, como: “Menina gosta de roupa e maquiagem, menino de matemática. Menina de rosa, menino de azul. Menina brincando de bonecas, meninos fazendo robôs. Crianças sendo obrigadas a dar beijos e abraços quando demonstram claramente não querer o contato físico”. A inocência vai se dissolvendo quando, na adolescência, denomina-se a menina-mulher desapegada de alguns “fatores pré estabelecidos a recatados” como potencial “””piranha””” e o homem na mesma situação de galã Don Ruan. Ou seja, ambos no mesmo ato ou comportamento, são caracterizados pela perversão e popularidade, respectivamente.

Numa situação dessas ditas extremas, em que mulher é abusada, por exemplo, ela sente culpa, às vezes se cala, não denuncia e pior, apropria-se de uma vergonha que não deveria ser dela, mas do estuprador que, ao contrário, sente-se empoderado. E essa sensação é apenas um desvio de conduta? Ou também algo que aprendeu em casa, quando ele chegava numa festa infantil atrás de todas as menininhas a mando do pai, que mandava dar beijo e virava orgulhoso para os amigos e dizia: “olha como meu filho é pegador”?

E assim a inocência e pequenices dos ditos da infância vão se tornando o solo da desigualdade do futuro. Vão-se adicionando função e mais função como exclusiva responsabilidade da mulher, formando um time, inclusive de mulheres, que apontam o dedo, ditam como deve ser seu comportamento, enquanto o mesmo não acontece com os homens.

Poderíamos, por favor, não ter dedos virados para nós, assim como acontece com os homens? Não trata-se de diminuir o direito deles, mas de igualar os nossos. Por que isso é tão difícil disso entrar na mente das pessoas?

Ser mãe entra nessa questão. Ainda é majoritariamente vista como uma função feminina a criação dos filhos. Se tudo der errado, ela que foi péssima educadora. Que não soube dar limites. Mas ninguém vê que ela também teve que trabalhar, que cozinhar, de limpar, de garantir “que o homem não vá procurar outra” e de estar agradando esteticamente a sociedade com o padrão de beleza vigente.

Por que mulher não pode ter estria, mas barriguinha de chopp é até sexy, né? Ahhhh me poupe!

E, indo mais além, a questão de que “homem de pegada” é algo a ser admirado. Coisas do tipo “esse cara sou eu”. E “mulher de pegada” é o que?

E por pegada, por “pegar de jeito”, por convencer, há uma tenra linha que separa do forçar a barra…

Não, não quero afirmar que todos somos culpados, ao admitirmos essa cultura se permear. Ninguém em sã consciência cria um filho como potencial estuprador e, à medida que crescer, as pessoas têm o livre arbítrio para saber até onde a situação de PODER pode chegar e não podemos transformar estupradores nojentos em coitadinhos e frutos da cultura vigente.

Mas nem por isso devemos simplesmente ignorar que a cultura SIM tem sua responsabilidade, dando certa “naturalidade” e permitindo até “piadas” ao seríssimo assunto, como podemos ver essas semanas nos noticiários.

Até quando vamos rir e achar graça em influenciadores fazendo piadinhas abusivas sobre o assunto? Ou ainda confessando crime em rede nacional sem que nada seja feito?

A “culpa social” não deveria ser assim chamada, pois trata-se mais de uma omissão, iniciando-se no momento em que deixamos que inocentes questões virem monstros.

Por hora, estupro é, já faz tempo, um CRIME dos maus nojentos que possa existir. Já é crime desde que, quando criança, aprendi que menina deveria usar rosa e ser delicada.

Nesse sentido, tem um limite entre o que a sociedade arraigou e o livre arbítrio da pessoa. ESTUPRADOR não é APENAS fruto da sociedade, ele é por livre e espontânea escolha, por covardia e necessidade de provar um certo PODER fake, um CRIMINOSO e deve ser tratado como tal.

Então bora colocá-los na cadeia e, em casa, vamos fazer a nossa parte. É na educação das nossas crianças que SIM criamos os cidadãos do futuro. Conscientização é sim importante, mas a ação, indispensável!

Por Marrie Ometto #reflexoesplugadas

Marca Dolce & Gabanna passa o que para vocês? A marca, não a imagem acima… Passa poder, status… E olha a campanha!!! Discutível, né?

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4 Comments

  1. Christiane

    1 de junho de 2016 at 17:32

    Esse história que estão propagando da “cultura do estupro” para mim é minimizar a gravidade do ato!!! O grau de perversão desses “homens” é assustador, e vai muito além de cultura. Tem muito homem por ai indignado com o fato e foram educados dentro desta mesma cultura, nem por isso saem por ai estuprando ninguém. Essa cultura é ridícula, claro!! mas Cultura é numa coisa e Estuprador é outra, eles não estupram simplesmente por cultura…

  2. Silvia Martins de Souza

    28 de maio de 2016 at 19:24

    É bem isso que vc falou mesmo. A Cultura do estupro está enraizada. Pelo visto, essa propaganda incomoda menos que a propaganda da c&a.

  3. Jenifer Garcia

    28 de maio de 2016 at 17:32

    Já passou da hora de não reproduzir essa realidade absolutamente machista né?! Não pode ser natural.

  4. Mel Nogueira

    28 de maio de 2016 at 13:50

    Parabéns, muitas felicidades! Que Deus te abençoe muito hoje e sempre….

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