Birra não é tipico apenas dos terrible twos e não quer dizer que a mãe não educa. É também uma forma da criança passar alguma mensagem.
Não é por que meu filho não tem dois anos, que a birra esporádica é inaceitável (é bom enfatizar, já que tem sempre aqueles que lêem a “criança faz birra” por “a criança só faz birra”) . Aliás, quem foi que inventou que os terrible twos sao só aos dois anos? Que se vem antes, vai embora antes também? Cadê esse manual que não li? rsrsrs.
Verdade absoluta não há e até os grandes pensadores discordam entre si. Mas a perspectiva da birra que mais se encaixa na minha vivencia, não apenas como mãe, mas no campo prático, como um ouvido que capta a vivência de milhares de mães, é também uma mensagem da criança para o adulto. Por mais que ela já fale, já se expresse, se comunique, tem coisas que ela sente que nem ela entende para poder te explicar. Ué, você como adulto também não tem dias assim? Para que existem os terapeutas?
Por mais que fale, ela ainda pode não saber canalizar as emoções/ sensações através da fala. Por isso, apesar de muitos pensarem isso, a birra esporádica não é uma garantia ou um selo de má educação da criança. Principalmente quem não tem filhos confunde muito as coisas. Por trás de uma criança fazendo birra pode estar uma mãe exausta, porém firme e forte, na arte do educar! Na arte de educar mais pela paciência do que pela imposição. Mais pela compreensão das fases de desenvolvimento de um ser do que na verdade absoluta formada por ela, em sua experiência de vida.
Minha filha Clara acabou de completar 3 anos. Mas passados os dois anos, já mais que instaurada a capacidade da fala – que, aliás, está até saindo pelos cotovelos – ainda permanecem os terrible twos e as famigeradas cenas de birra… Claro que não é a toda hora, mas como uma criança normal e uma mãe não perfeita, isso acontece!
Ontem fomos ao Shopping, pois eu precisava que ela experimentasse uma sandália e ela se comportou super mal: Não queria provar, fez cara feia, mostrou a língua… Chegou a gritar na loja: “Num quelo nada disso de sapato!”.
Uns começaram a rir ao ver aquela pequenina com testa franzida dizendo frases como se soubesse o que quer para a vida dela com a maior certeza do mundo. Outros olhavam já meio torto. Ainda houveram olhares para mim, do tipo: “você não vai fazer nada?”.
Na verdade, eu queria ser uma daquelas Emas, sabe? Que enfia a cara por debaixo da terra?
Mas eu respirei…
Eu quase nunca a levo quando vou comprar coisas para ela – exatamente para poupar estresse, aproveito o horário em que ela esta na escolinha para isso, mas hoje não teve jeito. Ela foi junto e estava certa de que não estava afim de concordar com nada, não naquele momento.
Tentei explicar para ela que aquele tipo de comportamento era feio e tal. Mas ela tava tomada pela birra e logo percebi que, por mais que falasse, naquele momento, seria muito mais “para agradar a plateia” do que para efetivamente, corrigi-la. Ela, naquele momento, não estava me ouvindo.
No fim, ela não provou e eu comprei o número que achava que seria…
No fim das contas, eles têm os dias que estão com a pá virada também… mas nem por isso eu posso deixar passar uma chance de educar. Mas posso escolher a melhor hora para abordá-la. O momento em que ela estará capaz de me escutar e assimilar.
No momento em que nada cessava a birra, eu deixei ela fazendo caras e bocas na loja enquanto pagava, não dei atenção.
Mas depois, já fora da loja, já mais calma, sentei com ela, de uma forma que ficássemos olhos nos olhos e expliquei o quanto aquela atitude dela não apenas foi feia, mas que me decepcionou.
Ela me pediu desculpas e disse que não iria fazer mais.
- Sigo firme na árdua arte do educar!
- “Diculpa, Mamain?”
Como mãe, sei que ela vai sim, errar ainda muitas e muitas vezes, até da mesmíssima forma, por que não?
Ela é uma criança, uma folha em branco*, não veio com maldade e muito menos manual de instruções para fazer testes de fábrica com sua mãe, na tentativa psicopatica que muitos adultos insistem em afirmar que as crianças tem.
Eu, ao contrário e de forma instintiva, ouço meu coração, dou o voto de confiança a ela na forma de encorajá-la a melhorar a cada dia e tornarei a corrigir, feito um pica pau, incessantemente e repetitivamente, até que um dia, ela simplesmente assimile, aprenda. Ela ainda tem três anos, mas já aprendeu muita coisa dessa forma. E, no geral, quem convive e a conhece, a consideram uma criança muito educada!
Educar não é algo instantâneo, é um exercício que exige exemplos, repetição, paciência e amor – a longo prazo!
Um beijo, Marrie
* Quando me refiro à folha em branco, quero dizer um livro onde a historia ainda não foi escrita. Ou seja, não há referencias de capítulos anteriores, como adultos tem. Assim como uma folha de papel, que tem gramaturas, brilhos e estilos diferentes, cada criança tem uma personalidade.
Leia também:
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/10/10-coisas-para-voce-se-emocionar-com-os-terriveis-mas-tambem-incriveis-2-anos-da-crianca/
Birra nem sempre é má-criação: É não saber expressar algum desconforto
https://www.mamaeplugada.com.br/2016/01/entendendo-a-birra-como-solucao/



Tatiane Rolim Moraes
2 de janeiro de 2017 at 00:05Siomara Rosa
Siomara Rosa
2 de janeiro de 2017 at 06:18Tudo q eu queria falar… Amei
Bianca Ziti Souto Santos
1 de janeiro de 2017 at 23:16Alan Santos
Renata Nascimento
1 de janeiro de 2017 at 23:15Alessandra Ingriti Suzi Raissa Meg Luizi Jackeline Francyara Bruna
Jackeline Novais
1 de janeiro de 2017 at 23:56Passei cada uma hoje!!! Só Deus…
Francyara Martins
2 de janeiro de 2017 at 00:19Pura verdade
Melissa Oliveira Timbó
1 de janeiro de 2017 at 22:58Olha aí Rosane Ribeiro Ribeiro
Rosane Ribeiro Ribeiro
1 de janeiro de 2017 at 23:11?????
Suelen Wollert
1 de janeiro de 2017 at 22:58Ketlin Lindemann de Oliveira
Ketlin Lindemann de Oliveira
3 de janeiro de 2017 at 16:41Adorei!!
Michelle Souza
1 de janeiro de 2017 at 22:55Hellen Ramos Souza, não aguento!!!kkkkkkkk Se depender desse povo não pode mais educar filhos, se não quer comer não come, se não quer falar não fala, agora se quiser fazer ( birra) tbm pode fazer a vontade!!! kkkkkkk
Mamãe Plugada
1 de janeiro de 2017 at 23:32Educar é algo que cada um faz do seu jeito. Não rio de quem educa diferente de mim. Se dentro da lei e dos direitos da deixavas, simplesmente respeito.
Hellen Ramos Souza
1 de janeiro de 2017 at 23:35Michelle Souza
Hellen Ramos Souza
1 de janeiro de 2017 at 23:43Quando eu vejo essas coisas, lembro logo de vc.
Kkkkkkkk
Michelle Souza
1 de janeiro de 2017 at 23:56Tbm respeito Mamãe Plugada, nunca iria falar que alguém educa seu filho errado, cada um educa do seu jeito!!
Michelle Souza
1 de janeiro de 2017 at 23:57Sabe que eu adoro né Hellen Ramos Souza!!kkkkkkk
Hellen Ramos Souza
1 de janeiro de 2017 at 23:58Vc é a melhor, Michelle Souza????
Aline Souza Leandro Morgante
1 de janeiro de 2017 at 22:14tenho um casal.graças a Deus eles .nunca deram vexame ou fizeram birra
nunca gostei disso
Mamãe Plugada
1 de janeiro de 2017 at 22:46Parabéns!
Rosane Ribeiro Ribeiro
1 de janeiro de 2017 at 23:13Ninguém gosta né????mas acontece…
Aline Souza Leandro Morgante
1 de janeiro de 2017 at 23:14oxi e como
kkkkkkkkkkkkkkk
Mariana Oliveira
1 de janeiro de 2017 at 18:42Ótimo
Deise Paes Miguel
1 de janeiro de 2017 at 14:53Regiane Defavari Miguel
Luciana Soares da Costa
1 de janeiro de 2017 at 05:45Adoro os seus textos mas preciso fazer um adendo: criança não eh folha em Branco. Criança tem personalidade, gostos, preferências. Cabe a nós educar, moldar, mostrar. Mas elas não estão em Branco.
Mamãe Plugada
1 de janeiro de 2017 at 20:10Nascem sim com personalidade, como a folha em branco tem sua textura. O que quis dizer é que elas não vem com uma história escrita, como nós adultos…
Luciana Soares da Costa
1 de janeiro de 2017 at 21:20É que essa fala é usada por muitas pessoas de maneira errada. Nós educadores sempre frisamos que as crianças não são pequenos adultos mas tb não sai em Branco. Assim como cada pessoa é diferente, cada bebe é diferente.
Mamãe Plugada
1 de janeiro de 2017 at 22:45Depende da interpretação. Se acharem que todas as folhas são iguais, sim, concordo com você. Mas nem mesmo todas as folhas do mundo são iguais… nossas crianças são sim diferentes, mas ainda não tem suas histórias escritas, estão em branco….
Drielle Pereira
2 de janeiro de 2017 at 12:20Sou educadora e concordo com você. É um equívoco comparar crianças com folhas em branco, pois não são. Podem até não ter uma história própria constituída ainda, porém carregam sim uma história, uma ancestralidade, características pessoais que só cabem a ela. Ninguém nasce um papel em branco.
Mamãe Plugada
2 de janeiro de 2017 at 12:29Drielle Pereira nada é passível de uma única interpretação. Não é por que várias pessoas consideram folhas em branco iguais, que elas são. Folhas com texturas diferentes ainda são diferentes, como citei acima e você ainda reforçou. Não se apeguem ao que as pessoas falam do folha em branco como certo ou errado. A gente precisa focar mais na interpretação do que na verdade absoluta. Não me levem a mal, mas percebo maior preocupação com as palavras do que com o sentido da coisa, pois já expliquei o que pretendi dizer, coloquei isso no texto e a argumentação ainda gira em cima do que eu própria expliquei. No fim estamos falando a mesma coisa, apenas a palavra não esta sendo aceita. Mesmo com sua visão explicada, rsrsrs…Bjs
Drielle Pereira
2 de janeiro de 2017 at 12:45Mamãe Plugada não foi uma crítica a você, meu comentário foi uma resposta em entendimento ao comentário da Luciana Soares da Costa. Seu texto é muito bom, mas devemos ter cuidado sim com as nomenclaturas. Como sou educadora como ela, entendi perfeitamente a questão colocada. Aprendemos com nosso estudo a não comparar crianças a folhas em branco que devem ser preenchidas por nós, vasos que devem ser moldados ou coisas do tipo, pois isso da margem para dizer que a criança não tem nenhum conteúdo a ser aproveitado e o adulto é o único responsável por seu desenvolvimento. E a preocupação em questionar a palavra utilizada, foi justamente porquê ela não caiu bem para um texto como esse e pode geral uma interpretação equivocada para mães que não tem conhecimento da psicologia infantil e das fases do desenvolvimento. Leve nosso comentário como uma contribuição e não como crítica.
Mamãe Plugada
2 de janeiro de 2017 at 12:56Drielle Pereira é que eu já tinha explicado aqui e no texto, talvez não tenha visto, pode ter ocorrido um mal entendidos de timing mesmo. Não me importo com críticas quando educadas como vocês e gosto das contribuições, mas como eu já tinha feito o ajuste, e os argumentos eram os mesmos que os meus (ou seja, no fim estávamos falando a mesma coisa), não estava entendendo o comentário, rsrsrs… bjs
Luciana Soares da Costa
2 de janeiro de 2017 at 13:03Eu entendo o que a colega disse se eu bem entendi é que mesmo com essa explicação de que folhas em branco não são iguais, a percepção de diferença entre folhas é algo bem sutil, nem de perto o que acontece com crianças. E por mais que vc tenha explicado a sua intenção, não foi suficiente para o uso. Não podemos contar coma intenção em textos, vc tem um blog que atinge várias mães, portanto toda expressão que leve à uma má interpretação, deve ser evitada. Crianças são como desenhos de família, as diferenças são clara, específicas, bem fáceis de notar. A comparação das folhas é bem rasa e irreal.
O fato de estarmos apontando isso reforça que o uso foi inadequado.
O que peço é que vc troque essa expressão por outra.
Mamãe Plugada
2 de janeiro de 2017 at 16:05Luciana Soares da Costa desculpe, mas não concordo. Assim como você não concorda, mesmo assumindo entender o que expliquei no texto. Graças a Deus vivemos num país de liberdade de expressão e não há falta de responsabilidade onde as coisas estão explicadas. E lá está! ? infelizmente se tiver que trocar cada palavra que as pessoas não gostam, vou viver editando textos. Super válida sua contribuição, mas como disse, o que preocupa (que é o fato de crianças não serem iguais) está explicado e nunca quis dizer isso! Quem lê meus textos sabe, mas não custa enfatizar. Agora mudar as palavras, eu não concordo!