Aquele momento em que sente falhar como mãe…

Brinquedos espalhados pela casa toda, marcas nos vidros e espelhos que acabaram de ser limpos, canetinhas fora do lugar, dando cor às paredes brancas, ao rosto da criança, ao pelo dos seus bichinhos de estimação…Às vezes nem o sofá é poupado! Tudo isso enquanto você tenta não queimar a panela do jantar… Tá fácil, né? rsrsrs…Certamente essa não é a realidade apenas na minha casa, no que chamo “horários de pico”, ou seja, aqueles em que fico só eu e minha filha e tenho que preparar coisas rotineiras não só da casa, como do dia a dia de qualquer pessoa.

Quando você sente falhar como mãe

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Quando acontece isso, nesses horários de pico, como você se sente?

Eu tenho um mix de sensações. Quero gritar, surtar, mas se dá tempo de me recompor e cair em mim, acho engraçadinho, num riso meio choroso…Quando o paciencismo impera, o risinho choroso manifesta-se: “Filha, j’não disse que não é para desenhar fora do papel? Mamãe tá aqui cozinhando…Vem cá derrubar o armário de potes na cozinha, vem…”.

Mas num dia em que não estou bem, que já aconteceram milhares de outra problemas – afinal, mãe não vive numa bolha, também tem questões fora da maternidade que precisam ser resolvidas – um grito soa e como um eco retorna ao meu coração, quebrando-o um pouco mais.

Minha criança no auge da sabedoria dos seus 2 aninhos diz: “não pode gritar, Mamãe” e, como se quisesse dilacerar ainda mais meu coração, diz “desculpa”.

Com dois anos, eles aprendem com nossos gestos, nossos exemplos, esses tipos de conduta (bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, desculpas, isso é feio, isso é bonito e etc). Sei também que com a idade dela, a curiosidade é latente. Nesse momento, a culpa me corrói e preciso de  alguns segundos para me concentrar e pensar. Viro um pouco de costas para que ela não me observe e, olhando para o nada, as lágrimas começaram a cair, em silencio, sufocando soluços. Como dói nem sempre poder segurar um grito com uma criança tão pura, tão amada, minha filha. Como dói nem sempre conseguir me colocar no lugar dela, em sua visão de mundo. Como é triste não conseguir dar conta de tudo e as vezes sentir falhar como mãe.

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Clara começa: “Mamãe, Mamãe” e eu tento ignorá-la, na esperança de realmente ganhar alguma placidez e compostura. Enfim, enxugo as lagrimas já caídas e engulo as que estavam por vir.

“Está tudo bem minha filha. Só não faça isso novamente, tá?”.

Clara dá as costas e volta para seus brinquedos, perdendo-se no caos que tinha transformado a decoração da minha casa. Eu volto para o preparo do jantar. Á noite, quando o silencio se instaura, certamente terei um papo sério com Dona Culpa.

Ser mãe nada mais é do que mergulhar numa confusão de sentimentos que inunda nossas almas!

Por Marrie Ometto #reflexoesplugadas

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Veja o que uma criança no terrible two apronta naquele 1 minutinho de silencio…rsrsrs

 

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