O dia que percebi que terei de falar sobre estranhos à minha filha de 3 anos

Nunca pensei que ia ter que falar sobre estranhos tão cedo com a Clara. Mas ontem, uma situação me fez rever isso…

Estava ensinando umas manobras de patinete com a Clara, ela equilibrando em cima e eu lá, uma mão em casa guidão, mostrando as jogadas de corpo para a direita e esquerda.

Naquela vibe gostosa entre um “vai Clara” é um “eeeeee” dela e muitas gargalhadas, apareceu um jovem que aparentava ser diferente. Eu olhei para o lado e achei que ele estava com um grupo de senhoras sentadas no banco próximo, então não me preocupei. Eu corria com a Clara e ele ia atrás, dizendo mensagens a ela: “isso, Clara”, “parabéns”, vibrando junto.

Até aí, tudo bem. Uma hora eu cansei e ela seguiu brincando no patinete sozinha. Quando olho para o lado, ele assim para ela: “dá um beijinho no tio”. Ela disse que não e fechou a cara, franziu a testa para ele. Ele insistia e eu já meio que rosnei: “ela não quer! Ela não te conhece. Sem beijo”.

Aí ele entendendo que ela não o conhecia, ofereceu chocolate. Aí eu quis morrer. Não pelo fato de não dar chocolate toda a hora, até por que depois que Clara completou 3 anos eu estou bem light em relação à isso. Mas eu não gostei do fato de ele dar chocolate para conquistar a menina. E – quiçá – depois solicitar-lhe um beijo.

Clara já estava com os olhos no chocolate, quase dizendo que sim. Eu já cortei no ato. “Não, muito obrigada, ela não come chocolate”, peguei Clara pelo braço, o patinete pelo outro e fomos andando.

Logo em seguida já estava no momento de entrar na escola e nem conversei com ela sobre o assunto. Mas vou falar, parabenizando-a por não dar beijos em quem não se sente confortável para tal, como sempre lhe ensinei, desde muito pequena. Mas vou reforçar: PRINCIPALMENTE em estranhos.

Meu coração de mãe hoje doeu. Nada aconteceu, mas senti a fragilidade da pureza de nossos filhos perante um mundo que, não sabemos ao certo as intenções.

Como disse, não sei as intenções desse estranho. Talvez fosse um jovem especial, mas eu não posso ter certeza. Percebi que ele circulava ali, sem ninguém, não estava acompanhado das senhoras, como houvera pensado. A única certeza que eu tinha é que, a pessoa pela qual eu sou responsável, estava passando por uma situação não confortável e precisei tirá-la dela. Sou a leoa, Clara a minha filhote, e – meu próximo passo será mostrar a ela que infelizmente o mundo não é tão puro do jeito que ela enxerga, o que me entristece profundamente! Claro que que pesquisar e trabalhar da forma que mais respeite a fase mais importante da vida de um ser humano – a infância – mas abordar, mesmo que de leve, será preciso.

Enfim, eu sabia que esse dia ia chegar, mas não tão cedo! Sinto que a cada dia que passa, mais cedo precisaremos abordar esses assuntos em meio à pureza infantil, o que é uma lástima!

Um beijo, Marrie

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67 Comments

  1. Gi Sasse

    26 de março de 2017 at 01:46

    Difícil , muito difícil.
    Eu presenciei numa loja de conveniência um homem olhando uma garotinha de aproximadamente uns 6 anos de forma , pra mim, desejando. Achei estranho e o observei. nem a mãe, nem a garotinha perceberam.
    Pois ao saírem da loja ele saiu junto, beirando a menina, ela foi sentar da bicicleta e ele ajudou colocando a mão no bumbum dela de forma tão “evidente vagabunda” que a mãe viu e caiu no pau em cima dele. Isso foi em Londres e todos a apoiaram e fração de segundos chegou uma viatura e fiquei tão aliviada de ver o desfecho. Eles parecem urubus na carniça. Deus projeta nossas crianças

  2. Roberta Domeneghini de Farias

    26 de março de 2017 at 01:28

    Graziela Martins Alves sobre o que conversamos hj em alguém oferecer doces

    1. Graziela Martins Alves

      26 de março de 2017 at 01:43

      Nossa nem me fale, estou na luta com a Rafa, ela aceita tudo que oferecem, estou ensinando​ a ela que nem todos tem boa intenção.

  3. Júlia Lopes

    26 de março de 2017 at 00:43

    Difícil, sou mãe de menina e já penso como vou orienta lá sobre isso. Tive algum problemas com isso quando eu era criança e não posso deixar de abrir os olhinhos da minha filha … q esse mundo é cruel, alguns seres humanos são lixo .

  4. Luana Caetano Novaes

    25 de março de 2017 at 22:53

    Gabriela Caetano Sanches Varella Amanda Teixeira Ridzi

  5. Queila Lessa

    25 de março de 2017 at 21:40

    Meu coração estremeceu aqui. Que raiva só de imaginar…

  6. Andreza Almeida

    25 de março de 2017 at 21:30

    Também me senti e me sinto arrasada por ter que colocar essa maldade do mundo pra minha filha, e tenho tanto medo, por vivermos na insegurança que tive que orientar se caso acontecer algo ruim, pra ela não se desesperar, Quando teve o primeiro passeio da escola tive que falar sobre se perder, sobre ficar perto das professoras, fizemos juntas um crachá com as informações, mas ela ficou ansiosa e com medo… eu fiquei arrasada por colocar isso na cabecinha dela… mas infelizmente é necessário, é muita maldade, monstruosidade que ouvimos, vimos e que acontece todos os dias…

  7. Patricia Gonzalez

    25 de março de 2017 at 21:19

    Claudia Rita Alessandra Dias Alessandra Lira Simone Madeira Barbara Estrada Debora Estrada Luciana Pereira Roberta Ferreira leiam meninas

    1. Alessandra Lira

      26 de março de 2017 at 01:31

      É Patricia Gonzalez, realmente triste não poder preservar por mais tempo a inocência de nossos filhotes.?

  8. Carolina

    25 de março de 2017 at 16:33

    Tristeza essa realidade.
    Mas, por aqui o assunto veio por volta de 2 anos de idade, logo no início de sua primeira fase escolar. Achei necessário falar sobre este e outros assuntos de forma que ela pudesse entender, já que está era uma nova etapa de sua vida onde não teria toda atenção e cuidados 24 horas de uma mãe.

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