Relato de como esta sendo a introdução Alimentar (IA) do meu segundo filho, o Lucca. Bem diferente de como foi a IA da minha primeira filha, a Clara, que me ensinou a ser uma mãe mais leve e tranquila.
6 meses de aleitamento materno exclusivo e, enfim, é chegado o da primeira frutinha e da primeira aguinha (sim, pois até 6 meses de vida, tomando leite do peito, não há necessidade de mais nada, nem agua, chazinhos, etc…).
Ele estava pronto: bem firme, sentando bonitinho, o que ajuda muito introdução, na descida do alimento. É muito importante que a criança sustente a cabeça e esteja firme, para que aceite adequadamente o alimento e o recuse quando estiver bem alimentado. Nessa fase tb, a capacidade absortiva intestinal atinge nível satisfatório. Como estávamos bem preparados, apertamos os cintos e começamos! Rsrs!
Lucca mostrou-se ansioso por conhecer aquilo, mas depois da primeira colheirada na boca, Fez uma carinha estranha, o que não é de se espantar: ele nunca tinha sentido o gosto de comida que não fosse o leite materno e nem tomado mamadeira. Escolhi um copinho de treinamento para a água, com alças que facilita ele a se servir.
Nessa introdução alimentar, com tudo tão novo assim, é um dia de cada vez. Hoje foi só uma pontinha de banana e não quis mais. Quis peito depois.
Existem milhões de formas de se começar uma IA, estou seguindo as orientações do pediatra, que por sua vez segue as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Assim que eu tiver segurança, tentarei o BLW (entenda mais sobre aqui) como complementação, assim como fiz com a Clara. Se der certo ok, se não der, ok tb. Sem estresse. Não tem fórmulas, tem diretrizes, e fazemos o que funciona melhor por aqui.
O importante nessa fase é apresentar os elementos da natureza permitidos (veja quais são aqui) para cada etapa de forma gostosa (e não um momento de stress), deixar que o bebê descubra aromas, gostos, texturas e associe-os. É bacana fazer uma associação com alimentos que soltam/ prendem o intestino, tem detalhado aqui no blog.
Aqui optamos por seguir 1 semana com a apresentação das frutas durante os lanchinhos da manhã e da tarde.
Se ele comer o equivalente a 1/4 de uma banana, ótimo.
Se não comer, dou o peito e ótimo também. Estamos conhecendo os sabores e nunca obrigando a comer.
Na segunda semana da IA, apresentarei os legumes como almoço e jantar, um por vez. Só na terceira semana introduziremos almoço e jantar com legumes\verduras\tubérculos.
Porém, quando íamos almoçar, colocavamos Lucca na mesa conosco e ele pedia. Então deixavamos que conhecesse o brócolis, a rúcula… quase tudo que comemos ultimamente tem sido orgânico, então tudo bem. E ele ama essa interação. Apenas na quarta semana da IA, introduzimos a proteína animal.
Os horários da nossa rotina são:
- acorda perto das 7AM e vai para o peito;
- As 8:30 – 9h dou uma fruta (lanchinho da manha);
- Entre 11 e 12 AM o almoço
- Lá pelas 13h ele toma leite materno (peito);
- Umas 15h come uma fruta como lanchinho da tarde;
- Entre 17:30 e 18h tem o jantar;
- Antes de dormir, lá pelas 19-19:30h, mama no peito.
Dorme a noite toda desde os 4 meses, acordando só em fases de pico de crescimento, veja nesse video como fizemos essa rotina.
Não tenho feito BLW totalmente, mas em partes. Como fiz com a Clara. Entendo a questão do reflexo de Gag(quando o bebê engole algo grande e faz um movimento que parece ânsia – veja foto – que nada mais q é um comando do cérebro pra comida voltar da garganta pra boca) e autonomia da criança, mas como disse, tem que ser tranquilo para a gente para que a alimentação seja prazeirosa para o Lucca e, quando estou sozinha, os sustos que o BLW nessa fase me proporcionam não me deixam tranquila. Então vamos mesclando as formas.
Está sendo gostoso pra gente assim. Ontem ele chegou a comer meia banana e um morango (orgânico, seguimos a linha de apresentar os alimentos da natureza para evitar alergias), então não mamou. Hoje, comeu menos, quis Mamar. E esta tudo fluindo, com muita bagunça, sujeira e alegria.
Então, de amora direto do pé (ele estranhou o azedume, rsrs) para a papa cozida no vapor e processada na máquina de papinha. Aqui a introdução alimentar é assim: comida sempre saudável, feita por nós, sem veneno, mas também priorizando praticidade e planejamento. As vezes recebo uns comentários muito doidos me atacando por dar papinha pra ele. Ainda bem que são poucas as pessoas assim, a maioria adora acompanhar nosso jeitinho de seguir a vida, mostrando a real por aqui, pois de perfeição o insta tá cheio.
Ah, e quem quiser saber como foi nossa IA, semana a semana, basta acessar o video abaixo:
Sim, eu sei que não está no manual atual de boa maternagem bater os alimentos cozidos no valor no mixer, nem misturá-los feito sopa.
Sei que deve-se amassar no garfo para a introdução alimentar ou seguir o BLW.
Mas nem sempre o perfeito cabe na rotina e qdo td fica cheio de dificuldades e rigidez, fica pesado, o que é muito opressivo para as mães. Eu me culpei tanto com a Clara… e dei o melhor de mim, tenho certeza. Não quero me auto punir com o Lucca, apesar da polícia virtual estar aí, hoje sou mais forte e segura.
Faço as comidinhas do Lucca TODAS em casa, cozidas no vapor, com produtos orgânicos, seguindo as proporções nutricionais que recebi de orientação (tem tabela no blog se quiserem baixar e ter inúmeras opções possíveis de papinhas), coloco tudo em potinhos BPA FREE, congelo, é assim sempre tenho o que acredito ser uma refeição de qualidade para ele. As vezes eu misturo tudo, outras vezes não, as vezes bato no mixer (o que não é recomendado), outras vezes solto um brócolis inteiro na mão dele em tentativa de BLW. Faço esse mix, como fiz com a Clara, e tenho a sensação de que funciona muito bem para nós.
Sobre o paladar da criança, dizem que se o bebê tomar sopa ele não terá experiência com os alimentos. Verdade, melhor dar tudo separadinho, mas hábito alimentar nenhum será corrompido só por uma papinha não recomendada que ofereci na Introdução Alimentar. Até pq ele não vive só de sopa.
O hábito alimentar da criança virá de um conjunto de hábitos alimentares da família e do meio em que essa criança se insere… e tenho certeza que, diante do pacote todo nutricional que apresento aos meus filhos, não será uma sopinha a vilã.
Um beijo, Marrie
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