O grito e a culpa

Ninguém gosta de gritar.
Ninguém quer ser uma mãe que grita.
Mas acontece é que as vezes a gente grita. E quando isso acontece, vem a culpa. Automaticamente. Não precisa ninguém apontar o dedo. Nosso maior acusador é a própria mente, com a sentença de culpa, que não é leve. E é por isso que escrevi esse texto hoje, após dar um grito e chorar muito depois. Não é fácil, gente! Dói demais!
Ninguém precisa julgar, já estou me julgando!
“Tenhamos piedade! Por trás de uma mãe que grita, pode ter uma mulher aprendendo e tentando o seu máximo para ser melhor”.
Grito quando a perfeição não cabe em mim.
Eu grito sim, mas não me orgulho disso: Grito e prometo não gritar mais.Grito que sai de mim, sem eu o querer.
Grito de súplica.
Grito de socorro.
Grito por carregar um mundo nas costas e ninguém ver, como se o levasse na calada da noite.
Grito por muito julgamento e pouca ajuda.
Grito por olhar para os lados e não ver como descarregar um pouco do peso.
Grito por ter mais pessoas para me arremessar num precipício do que dar simples palavras de apoio.
Grito por desespero. Por tentar e não conseguir.
Grito por faltar direitos essenciais de sobrevivência, como tempo para comer, para ir ao banheiro, para simplesmente existir.
Grito por não ter dormido madrugadas e madrugadas seguidas,
Grito por não ser só alma e meu corpo não aguentar o tranco.
Grito por não ser sublime, mas sim humana.
Grito por ser real e não romantizada.
Grito por, além disso tudo, dizerem que não faço nada e viver sem tempo de sobra.
Como uma panela de pressão, o grito é válvula de escape para manutenção da sanidade mental.
Que bom seria se terminasse por aí.
Eu seria a perversa do mundo e pronto. Sociedade romantizada e maniqueísta poderia dar-se por satisfeita. Mas não. Nada é simples assim.
A cada grito, uma culpa.
A cada grito, uma certeza de que este não é o caminho.
A cada grito, um repensar.
Acontece que o grito não some do nada. É um processo. É uma adequação. Uma aprendizagem.
Ninguém nos ensinou a viver em privação de sono, banho, ou vida social, ao receber em troca o amor incondicional.
É um exercício.
Tenhamos piedade! Por trás de uma mãe que grita, pode ter uma mulher aprendendo e tentando o seu máximo para ser melhor.
E que atire a primeira pedra quem nunca gritou. Quem nunca chorou depois de um grito. Quem nunca se sentiu pior por isso.
Foi após a culpa de um grito, que escrevi este texto, seguida da promessa real e sincera de melhorar, dia após dia”.Por @MarrieOmetto, autora de “Desapareci ao Virar Mãe, Mas Reencontrei-me”, disponível para vendas na Amazon (link http://bit.ly/livrodesapareciaovirarmae), Editora Bianch e Livraria Cultura.

 

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o grito e a culpa de mãe
Um beijo, Marrie
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