A transparência dos nossos órgãos reguladores

Os industrializados e as nojeiras, fragmentos de ratos e insetos permitidos pela ANVISA que só soubemos recentemente por que veio a tona. O ISOFIX, a mais de 10 anos internacionalmente sendo usado e ainda não fora regulamentado pelo INMETRO. Por que?

Olá Mamães,

Fiquei assustada quando vi aquela reportagem que viralizou, dos molhos de tomate reprovados pela ANVISA, não só pelo motivo, mas mais ainda pela chamada: “foram reprovador por terem sido encontrados pelos de roedores acima do limite”.

Na hora pensei: “Oi??? Pelo de rato é permitido então, desde quando?”. Já imaginei o Ratatoille lá cozinhando os tomates! Que absurdo!

ratattoille

Aí eu vi uma matéria muito bacana da Revista Exame, mostrando o que é permitido e fiquei horrorizada! Realmente pelos de ratos e asas de insetos podem fazer parte do tempero do que comemos. É permitido pela ANVISA, conforme essa resolução (link – ver página 6 em diante).

Podem fazer parte dos industrializados que consumimos:

  • Nos molhos de tomate, um fragmento de pelo de ratinho, a cada 100g;
  • Nas geleias de frutas, 25 fragmentos de insetos, a cada 100g;
  • No singelo café torrado e moído, 60 fragmentos de insetos, a cada 25g (olha a proporção aumentando!!);
  • Nos chás de camomila, pode até 5 insetos inteiros mortos (MEU DEUSSSS, será que eles tomariam o que permitem?);
  • Chocolate e achocolatados também pode 1 fragmento de roedor a cada 100g;
  • Na canela em pó, um fragmento de roedor a cada 50g;
  • E no orégano, 3% de areia ou cinzas insolúveis em acido (depois eu que sou a chata por comprar temperos frescos e cultivar mini horta na minha varanda).

Tudo isso sem contar asas de baratas, formigas ou moscas, tá? Elas não entram na categoria insetos, para não prejudicar a saúde humana! Gente, tem coisas que prefiro não ler. É piada, né?

As nojeiras permitidas pela ANVISA nos produtos insdutrializados de consumo HUMANO

Como nossos órgãos são super cuidadosos com a higiene daquilo que consumimos por pura praticidade, afinal o brasileiro trabalha muito, vive em transito, não tem segurança e qualidade de vida, prefiro ter menos horas de sono do que já tenho e gastar um tempinho a mais fazendo meu proprio molho (tem receitas diversas aqui, molho de tomate, molho pesto, molho com abobrinha e tomate). Minha casa é detetizada, lavo muito bem os alimentos e mal permito que meu cabelo caia, imagina um pelinho de rato?

Eu entendo que numa cozinha industrial fique um monte de tomates esperando para processamento e isso atrai os roedores. Já fui visitar muitas fábricas e acompanhei um processo de sucos industrializados de perto (fiz economia voltada para o agronegócio, então vi inúmeros processos produtivos). Mas acho que, 1 fragmento a cada 100g quer dizer muiiiitos ratos andando pelos tomates e, quem sabe, não sendo até processados junto? (eu que estou aqui imaginando, tá?).

Mas por que ninguém fala sobre isso? Desde 2012 o órgão americano FDA (leia aqui) justifica as partes de insetos nos chocolates, dizendo que para reduzir, seriam necessários mais pesticidas, o que é pior para a saúde humana. Eu soube disso apenas em 2016! Não que precise constar “asa de insetos” no rótulo, mas que se trabalhe com clareza a comunicação daquilo que estamos comendo!

Não só por nojinho não. Na matéria de 2012 que cita o FDA com link acima, foi falado que muitas pessoas que se diziam alérgicas ao chocolate, na verdade eram alérgicas aos insetos que estavam nele. Como assim? Imagine um galpão cheio da matéria prima esperando para processamento. Meio impossível controlar que nenhum inseto apareça por ali. Então, alguns são processados junto. Por isso, tem a quantidade “liberada”. Mas, se lutam tanto pela transparência dos rótulos, justamente por conta de doenças ou alergias, por que somos informados só agora dessas quantidades liberadas?

Pessoas dizendo ter alergia a chocolate, mas na verdade era a insetos! Meu Deus!

Bom, sem radicalismos, como e sempre comi industrializados, o molho de tomate eu não gosto, acho ruim, só gosto dos feitos em casa. Mas, sinceramente, vou repensar meus hábitos, pois se puder comer com no máximo meu cabelo ai, prefiro!

Espero que um dia as coisas fiquem mais sérias, mais transparentes nesse país! Estou falando como cidadã.

Por hora, estou enojada e prefiro confiar nas zilhões de pesquisas que leio lá de fora, pois sei que nem todos os povos toleram o que nosso povo aguenta por aqui. Como no caso da cadeirinha de bebê, que o Inmetro não avaliou o ISOFIX ainda (que está a um tempão no mercado, Clara vai fazer 3 anos e comprei a primeira cadeirinha dela, com ISOFIX nos EUA) e muitas marcas usam isso para não colocar mais este item de segurança não apenas nos carros, mas também nas cadeirinhas de bebês (leia sobre isofix aqui).

Ou seja: Há quase 3 anos, quando fiz o enxoval da pequena Clara nos EUA, já comprei uma cadeirinha para carro com ISOFIX. Este item importantíssimo de segurança AINDA não foi regulamentado e testado pelos nossos órgãos no Brasil. Quando reposto meu texto sobre as cadeirinhas, recebo inúmeras mensagens, de pessoas dizendo que tem dificuldades de encontrar os produtos com Isofix no Brasil ou que o carro não possui o sistema. Não to falando de dias, de meses, mas de 3 anos, gente!!! Certamente é até mais tempo, essa é a data que eu fiz meu enxoval. Mas a quanto tempo o Isofix é usado lá fora?

EDITADO: Uma leitora já se manifestou lá no Facebook, disse que em Portugal o Isofix já é usado a mais de 10 anos!!!

Amo meu país e só por isso, ainda permaneço nela, já que tenho dupla cidadania e poderia muito bem ir embora. Mas esse descaso em todas as esferas, nem digo na economia e política, que sempre foram uma sujeirada sem fim, mas na educação, saúde, segurança e agora até no que comemos está me deixando numa profunda inquietação: será que isso tem solução?

Um beijo, Marrie

 

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53 Comments

  1. Lilian Ribeiro

    22 de agosto de 2017 at 12:10

    Olá, gostaria de saber ser a cadeirinha virada para trás pode ser colocada no banco do meio tbm?Obrigada!

    1. Marrie Ometto

      22 de agosto de 2017 at 13:20

      Lilian eu acredito que não, pois a muitos manuais pedem que encoste num dos bancos para sustentação quando virada para trás…

  2. Fabiula Prado

    1 de agosto de 2016 at 13:48

    Meu filho tem 5 anos e usei o sistema isofix quando morava no exterior. Aqui não se vê falar. Somente os carros mais completos e caros são compatíveis. Atraso e vergonha

  3. Ciba Ribeiro

    1 de agosto de 2016 at 13:01

    Estou revoltada desde sábado quando li esta notícia.. mas entrei aqui na verdade pra saber mais sobre o Isofix… Como pode algo que está no mercado há de anos não chegar a ser testado no Brasil?? Me deixa chocada o fato da segurança (e digo em TODOS OS ASPECTOS: escolas.. trânsito.. a cadeirinha.. ), é algo “descartável” e “inútil” para os governadores do nosso país..

  4. Marcele Andrioli

    1 de agosto de 2016 at 12:16

    Marrie, eu ainda não li esse texto ok?!!! Sou sua seguidora fiel assim como muitas mães. Eu tb sou uma mãe super exigente e preocupada. Sobre as cadeirinhas, eu adoraria que vc escrevesse uma matéria para incentivar as mães irem além da beleza na hora de comprar uma. Como pesquiso muito, sei que praticamente todas elas foram reprovadas qdo analisadas pela proteste. ( o Inmetro infelizmente não é confiável aqui). Sempre que leio alguém perguntando sobre cadeirinhas eu falo da proteste e aí vem alguma mãe e fala:” olha, comprei X e é maravilhosa, super indico”. Um exemplo é a Matrix de 0 a 25 kgs que é super cara…. Se as mães soubessem o que aconteceu com um bebê qdo essa foi testada, nunca a indicariam… Como vc tem muitas seguidoras, e se vc pudesse ir à fundo nesse assunto, adoraria ver uma matérias destas no seu blog. O último teste da proteste saiu em dezembro de 2015, desqualificando muitos modelos, não houve mudança pelo que eu acompanho ( estou procurando cadeirinha para a minha bb q está pesando hj 9 kgs e estou considerando a pagar 2500.00 que eu não tenho, pq não consigo pensar nos riscos das daqui). Só uma idéia tá. Acho que as mães deveriam ser mais exigentes e preocupadas e ir a fundo nesse quisito, pq talvez, consigamos mudar algo nesse nosso país…

    1. Mamãe Plugada

      1 de agosto de 2016 at 12:31

      Marcele Andrioli ótima recomendação. Vou pesquisar sobre isso sim, agradeço muito a contribuição. Esse é um assunto delicado! ???

  5. Isabela T. Teixeira

    1 de agosto de 2016 at 12:06

    Marrie, cheguei ao seu blog justamente numa pesquisa de Pria 85 e Isofix. Ela é um excelente custo benefício, pois não precisamos trocar os modelos conforme a criança cresce, além dos testes de segurança. Infelizmente, ela não conecta nos carros que temos e precisei investi num outro modelo.

    1. Mamãe Plugada

      1 de agosto de 2016 at 12:09

      Isabela T. Teixeira, mas dá para usar sem o isofix, só com o cinto de 3 pontos. Por que comprou outra cadeirinha?

    2. Isabela T. Teixeira

      1 de agosto de 2016 at 12:14

      Mamãe Plugada não fiz o enxoval fora, e na época não pesquisava tanto…comprei antes de saber q era possível usar somente nos 3 pontos. Optei por um modelo da Chicco, adequado de 0-18 kg. Mas não desisti da Pria, ela está entre minhas próximas aquisições

    3. Mamãe Plugada

      1 de agosto de 2016 at 12:39

      Ahhh tá! Vc não chegou a comprar a Pria então… ? entendi mal, rsrsrs … A Chicco é uma ótima cadeirinha, né? Ouço muito bem dela. Vc está gostando?

    4. Isabela T. Teixeira

      2 de agosto de 2016 at 14:37

      Marrie gosto do modelo, no geral. Acho o cinto um pouco difícil de colocar e me incomoda ele na prender o peito dela. Mas a Eletta tem várias posições de reclinagem e o estofado é confortável. Para andar na cidade, atende perfeitamente.

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