Os pais prestam mais atenção às filhas do que aos filhos, apontam estudos publicados no Behavioral Neuroscience, sugerindo que tendências de gênero INCONSCIENTES podem ditar a maneira como os pais tratam seus filhos/filhas.
Nesse estudo, um dos ensaios monitorou 48 horas de interações entre pais e crianças, mostrando diferenças impressionantes entre a forma como os pais falaram e brincaram com os meninos em comparação com as meninas.
Os pais das filhas gastaram cerca de 60% a mais de tempo respondendo atentamente às suas filhas, em comparação com aqueles que o fizeram com filhos meninos. Eles também usaram cerca de 5x mais tempo cantando, assobiando e falando mais abertamente sobre emoções – incluindo tristeza – com as filhas do sexo feminino.
Paralelamente, os pais de meninos passaram cerca de 3x mais tempo envolvidos em brincadeiras difíceis e usaram muito mais linguagem “relacionada à realização/competição”, como “orgulhoso”, “ganhar” ou “melhor”.
Isso, infelizmente só reforça outro fato já comprovado anteriormente pelos estudiosos, de que as meninas acreditam desde muito cedo que o “brilho” é um traço mais fortemente masculino.
A pesquisa não conseguiu determinar até que ponto as preferências inatas por meninas e meninos podem estar ocasionando esse diferente tratamento pelos pais dessas crianças. No entanto, os autores concluíram que era provável que os viés sociais estivessem em pauta, ou seja, devemos estar conscientes de quão inconscientes noções de gênero podem desempenhar na forma como tratamos até as crianças muito novinhas!
Há muitas evidências de que existem diferenças no comportamento, aptidões e preferências de brinquedos de meninos e meninas desde muito cedo. Não ache que isso vem deles. Isso vem sim do fato de nossas crianças serem também parte de uma sociedade que ainda tem grandes vieses sobre a forma como interagimos com homens e mulheres.
Estudar essa questão de forma mais profunda, cientificamente, também provou ser algo problemático, uma vez que os pais relutam em admitir que tratam as suas crianças de forma diferente, fazendo, inclusive, com que se comportassem de forma diferente ao serem monitorados em um ambiente laboratorial.
Para resolver esse tipo de ruído na pesquisa, ela foi refinada com o objetivo de abordar a questão em um ambiente natural. Os pais das crianças (30 meninas e 22 meninos) foram recrutados e concordaram em apertar um pequeno gravador digital em seus cintos e usá-lo por um dia da semana e um dia de fim de semana. O dispositivo foi ativado aleatoriamente por 50 segundos a cada nove minutos para gravar qualquer som ambiente durante o período de 48 horas. Toda interação com a criança foi então transcrita manualmente e analisada por vários tipos de conteúdo.
As pessoas atuam de forma estranhamente normal quando estão usando o dispositivo, ou se esquecem de que eles estão usando isso ou dizem para si mesmos: “quais são as chances de isso ser gravado agora?”.
As diferenças foram impressionantes, levantando questões sobre como diferentes tratamentos entre meninos e meninas pelos seus pais podem moldar os aspectos mais básicos da personalidade da criança.
Os pais das filhas eram mais propensos a usar palavras associadas a emoções tristes, como “chorar”, “lágrimas” e “solitárias”, fato que ajuda as meninas a desenvolverem mais empatia do que os meninos.
Os pais pareceram menos atentos às necessidades emocionais dos meninos, observando que as emoções restritas em homens adultos estão ligadas à depressão e à falta de intimidade social.
“Validar emoções é bom para todos – não apenas filhas meninas”, afirmam os cientistas.
Pais de meninas também usaram mais palavras associadas ao corpo, como “barriga”, “bochecha”, “rosto”, “gordura” e “pés”, e os cientistas levantaram a possibilidade de uma ligação entre essas interações inocentes e a imagem do próprio corpo.
Muitas pessoas começam a partir do pressuposto de que filhos e filhas têm necessidades diferentes. Porém, as crianças são muito mais semelhantes, do que diferentes. Ambos – meninos e meninas – necessitam de atenção. De sentimentos. Do brincar.
Os estereótipos e os preconceitos de gênero colocam limites tanto para meninos quanto para meninas, por isso é importante que os pais estejam conscientes de como eles podem estar passando seus próprios preconceitos de gênero aos seus filhos. Pesquisadores ainda alertam: Mesmo numa conversa que até parece contrariar um estereótipo, como “meninas podem ser bombeiros, não apenas meninos”, essa frase ressalta à criança o estereótipo de que as meninas não são bombeiros.
Leia estudo original, em língua inglesa, aqui.
Leia também:
A meninas perdem a confiança em si mesmas por volta dos 6 anos de idade
Filhas espelham-se nas características dos pais nas suas escolhas amorosas futuras
Mais de 30 frases para PAIS dizerem na criação de filhas fortes e empoderadas



Gabriela Nogueira Lemos
6 de junho de 2017 at 09:44Fábio Lemos
Geisi Miranda Cordeiro
6 de junho de 2017 at 09:43Fabricio Cordeiro
Elizabeth Santos Muniz
6 de junho de 2017 at 07:12Luis Claudio Muniz
Ligi Carvalho
6 de junho de 2017 at 04:14Ruan Santos
Karen Dalla Valle
6 de junho de 2017 at 04:08Luciano Portinho
Lucas Borges
6 de junho de 2017 at 02:04Thais Avila Chaves
Maria Claudia Gouveia
6 de junho de 2017 at 02:04Rogerio Chaves
Daiana Coutinho Botelho
6 de junho de 2017 at 01:36Samuel Sousa Botelho
Priscila Almeida Velez
6 de junho de 2017 at 00:52Pesquisa feita com 30 meninas e 22 meninos por 48h? É sério isso… nem devia ser considerado estudo! Descrédito.
Morgana Alves
6 de junho de 2017 at 00:14Miguel F. Lima Jr.