Não julgue antes de ter filhos: cai na testa!

Linda carta aberta de uma mãe que, pós filhos, percebeu que toda aquela perfeição que ela idealizava havia ficado nos contos de fadas e, com humildade, pede desculpas às mães que julgou antes de ter filhos. Aprendeu que cuspir para o alto cai na testa com muita rapidez na maternidade.

“Às mães que julguei antes de ter filhos: Mil Desculpas!

Nunca me esqueço antes de ter filho, lá estava eu, uma mulher de 30 anos de idade, professora de educação infantil e professora particular nas horas vagas, andando pelos corredores do supermercado quando vi algo que me deixou horrorizada na época: Uma mulher ia caminhando com uma criança no carrinho, com não mais de 3 anos de idade, em pleno inverno SEM SAPATOS! Como se não bastasse, a criança saia do carrinho e ia correndo com aqueles pézinhos sendo congelados por aquele chão extremamente frio.

Estamos em pleno inverno, pensei. “O que essa mãe está pensando, meu Deus?”. E assim fiz o meu juízo presunçoso em silêncio, paguei minhas compras e saí daquele estabelecimento com a certeza de que jamais faria algo parecido na vida.

Tempos depois, numa bela noite de verão, lá estava eu jantando  em um local romântico com meu marido na época e, ao nosso lado, sentavam numa mesa um casal e uma linha menininha de uns 4 anos de idade. Ela era adorável, mas gritava alto demais. Mesmo para mim, com experiência com crianças em idade pré-escolar, não aguentava a bagunça e altura que aquela criança fazia no recinto. Os garçons achavam tudo aquilo uma graça, mas eu? Affff… Naquela noite, antes de ter filhos, só queria desfrutar de meu jantar romântico em paz, tomando minha taca de vinho e comendo aquele delicioso penne, mas  “aquela criança sem limites” gritando ao meu lado estava arruinando meu humor, naquela noite. Eu estava tentando definir com o marido, em uma conversa entre troca de  olhares, como aquela situação estava chata.

Eu comecei a imaginar em como eu poderia atrair essa garota para fora do restaurante. Talvez colocar o Mickey Mouse em uma vara de pesca para fora da porta? Ou ainda dizer-lhe que o Papai Noel estava no estacionamento? Ahahahaha. Brincadeiras à parte, naquela fase da minha vida só pensava: “Por que as pessoas têm de trazer seus filhos para restaurantes de adultos sem filhos?” E ainda eu disse ao meu marido, naquele dia:”Por que eles não podem ir para um lugar próprio para crianças  ou uma Pizza Hut? Não seria melhor para todo o mundo?”

“Eu nunca faria isso!”. Eu não. Olha, a presunção! A ignorância!

Não vamos esquecer a experiência que eu tinha na época com o maternar, baseada numa experiência em criar um animalzinho de estimação, rsrsrs.

O dia em que presenciei uma mãe enfiar um pirulito na boca de seu filho chorão enquanto aguardava no consultório médico, fiquei horrorizada! Não parava de pensar (julgar) comigo mesma: “Eu nunca faria isso com meu filho. Eu teria a minha autoridade com ele, fazendo-o se acalmar com outra coisa. Ela está apenas tentando calá-lo, estragando-lhe, comprando-o!”.

“Eu nunca faria isso. Eu não”.

Em seguida, um dos pais de meus alunos me disse: “Oh, o Júnior gosta de dormir com a gente de vez em quando. Na verdade, praticamente toda noite. Está sendo muito difícil convence-lo a sair da nossa cama e ir para o quartinho dele”.

Na hora o bichinho julgador já começou a martelar na minha cabeça. Pensei: Meu Deus, esse menino está no jardim de infância. É hora de cortar o cordão umbilical já. Como é que este casal namora assim?”

“Eu nunca vou fazer isso, pensei. De jeito nenhum”.

E lá estava eu, julgando de novo, com muita experiência em educação infantil mas nenhuma no maternar, no dia a dia exaustivo do trocar fraldas, dar conta de tudo e ainda, silenciosamente, saber que esta sendo julgada por tentar fazer o melhor que pode.Hoje, agora mãe, todo o julgamento que cuspi para o alto caiu na testa. Percebi que toda essa perfeição fica no campo imaginário e, humildemente, para as mulheres que um dia julguei, como a do supermercado, a do jantar romântico e a do pirulito, peço mil desculpas!!

Cerca de 4 anos depois de ter testemunhado a criança descalça no supermercado em pleno inverno, lá estava eu, com a minha própria criança em um vestidinho vaporoso em pleno  inverno atacado pela massa de ar polar do ano passado. Ela tinha um casaco, mas tirou. Ela estava de boina, mas arrancou. Quando parei para pagar minhas compras, uma senhora idosa acariciou a cabeça de minha filha e me disse: “Ela precisa de uma touquinha, está frio demais”.

Eu graciosamente sorri um sorriso amarelo, mas uma resposta ficou entalada “vá você usar seu próprio chapéu e cuidar da sua vida”. Ao invez disso, engoli seco e concordei: “Uh-huh”, enquanto pagava minhas compras no caixa.

Pois é, caiu na testa! Como muitas crianças, a minha odeia ser empacotada, que é algo que eu não sabia quando eu era apenas a  “Laura SABE TUDO SEM FILHOS”, e tivemos uma grande briga antes de sair de casa, sobre colocar a touquinha e a blusa, para que eu aceitasse que ela usasse aquele vestidinho que tanto queria em pleno inverno. Eu tentei fazê-la usar jeans forrada de flanela e um chapéu, orando aos deuses de Cinderella. Estava tão cansada daquilo e desesperado que, depois de um tempo numa  batalha incessante de vontades, eu desisti. E lá foi ela, ao supermercado, com vestidinho vaporoso, chapéu e blusa, mas arrancou blusa e chapéu no meio do percurso ao supermercado.

Caiu na testa!

“Eu não?” Ah, eu sim….Fiz o que afirmei jamais fazer! Deixei minha filha sair congelando em pleno inverno!

E quatro anos depois de presenciar o casal comer em um restaurante romântico com sua criança, lá estava eu em um restaurante italiano, desesperadamente fominta e morrendo de vontade de fazer alguma coisa com outras pessoas adultas. Claro, eu não tinha ninguém para olhar minha filha, como tantos outros pais, então eu trouxe a pequena de 2 anos comigo. E o que foi que ela fez?

Ela corria, dançava e cantava em níveis de altíssimos decibéis. Ninguém parecia se importar (espero que não sejam um bando de idiotas como eu fui no passado), mas é claro, minha filha começou a ir de mesa em mesa fazer graça  no final da “sua canção”, só para adicionar mais graça ao seu show.

Murphy: você existe! Lá estava eu pagando a língua do que disse que jamais faria!

Não pára por aí não! AS DESCULPAS SERÃO COMPLETAS! Devo isso à maternidade!

Muitas vezes durante o primeiro ano da minha filha eu decidi não deixá-la em sua cama, colocar ela em meu peito e trazê-la para dormir comigo. Por quê? Porque eu estava cansada e preguiçosa. Era fase de ansiedade de separação, mamadas, dentição e eu era escrava de tudo isso. Admito!

E lá estava eu no telefone, confidencializando à  minha irmã solteira o porquê eu não achava que tinha sido uma má idéia a cama compartilhada e ela: “Tisk-tisk, ela vai querer ficar na sua cama para sempre”. Ahahahaha maternidade e seus julgamentos. Já imaginei minha filha com 18 anos deixando de ir à balada para dormir comigo!

Agora, com  em quase 4 anos de idade, eu ainda a convido  para dormir comigo como um tratamento especial nos fins de semana e de vez em quando, ou quando ela acorda no meio da noite ou cedo demais.

Quando isso acontece, essa mãe divorciada e cansada deixe que o Mickey Mouse levo trabalhe: ligo a TV, coloca-a em minha cama assistindo e volto a dormir enquanto ela assiste.

Quem é mesmo aquela com uma criança cama agora? Hmmmmm… Caiu na testa de novo!

Não posso deixar de citar as vezes que fui `loja de lingeries Victoria’s Secret experimentar algumas peças com minha pequena e ela corria pela loja, fazendo graças com um sutiã na cabeça. Nem das situações em que eu pedia a ela para cumprimentar as pessoas e ela, no ato fechava a cara, gritando “NÃO!”. Ou ainda, as vezes em que teve ataques de birra e se arremessou no chão em pleno espaço publico cheio de olhares julgadores.

E nesses olhares eu me via, a apenas alguns anos atras, antes de ter filhos, julgando com o olhar da mesma forma. Eu queria pegar minhas amigas pelo braço, quando me olhavam assim e sussurrar: “Sua hora está chegando Mel. Apenas espere”.

É claro que, desta vez, não vou julgar.

Já caiu na testa!”

Texto escrito por Laura Lifshitz para Popsugar. Traduzido e adaptado por Mamãe Plugada.

Para as mães que julguei antes de ter filhos- Mil Desculpas!

Um beijo, Marrie.

 

Leia também:

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https://www.mamaeplugada.com.br/2016/01/verdades-maternas-bem-humoradas/

 

https://www.mamaeplugada.com.br/2016/08/12-habilidades-que-adquiri-com-a-maternidade/

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124 Comments

  1. Fabiana Silva Silveira

    25 de setembro de 2017 at 18:09

    Já julguei muito outras mães, nossa hoje vejo como na prática é muito diferente, cada bebe tem suas necessidade e tempo para cada coisa. Hoje não as julgo mais.

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