Plante a sementinha do diálogo em casa na primeira infância

Até os sete anos, os cuidadores de afeto da criança são suas referencias: Eles imitam o que a gente faz, não o que falamos. Com o tempo passando, amigos, professores e o meio passa a ser admiração. Então, se não plantar a sementinha do dialogo, do “estou aqui” o quanto antes, depois fica mais complicada (apesar de não impossível) a conexão pais e filhos.

Entre erros e acertos, o tempo continua implacável, passando rápido demais.

Como não dá para pará-lo, eu pauso aquilo que tem menos relevância, como numa tentativa de aproveitar ao máximo aquilo que não volta mais.

Mesmo estando o dia todo com minha filha, ando me fazendo mais presente, na vidinha de quem daqui a pouco, nem vai querer mais minha companhia. Tá ficando mocinha determinada, que pegou os livrinhos e disse que iria aprender a ler sozinha logo que completou 5 anos. Não dei muita bola, mas ela me vê lendo muito e ela tem inúmeros livrinhos infantis que ficam a mão. Apesar de não estimular diretamente, nunca deixei de responder nenhuma pergunta do interesse dela.

De repente, ela vinha: ” as vogais são A, E, I, O, U, né?”.

Eu: “Sim, o resto todo se chama consoante”.

Ela: “Mamãe, A de amor, B de borboleta, F de flower…”.

Eu: “Isso, minha filha”. – só observando ela fazer as conexões.

Ela: “Escreve aqui na lousa para mim seu nome. E o do papai. E o da Vovó”.

O tempo foi passando. E eu respondendo a perguntas pontuais, enquanto ela brincava  durante nossas tardes juntas em casa.

Mes passado, ela veio e pah: “B+A é BA, B+E é BE,…”e eu parei tudo.

Choquei, pois ela foi lá e fez, mesmo estudando numa escola que só começa o processo de alfabetização aos 7 anos. Ela faz Kumon ,mas somente o que não interferiria nessa alfabetização proposta pela Waldorf (começou com matemática, depois foi para o Inglês que é bastante sonoro).

Como estar no celular – produzindo conteúdo, gravando stories do que a gente come, do que a gente acha da vida, de cada segundo dos nossos dias – com um vulcãozinho em amplo desenvolvimento aqui, bem ao meu lado?

Tudo de fora pode esperar. Inclusive eu posso esperar. Quando decidi ter a Clara, quis ser a referência principal de cuidados para com ela, e essa opção no mundo moderno custa para a gente: tempo que se vai, cansaço, tropeços na carreira, falta de reconhecimento.

Porém, a cada pequeno passo que acompanho no desenvolver único da minha pequena, tudo vale a pena.

Errei bastante já nessa maternagem de primeira viagem, o que é super normal, afinal não nascemos prontas, mas sempre estou recalculando a rota, acertando hoje com base nos erros de ontem. Com menos tempo na internet produzindo conteúdo, sou mais calma, mais presente.

A família agradece. Sei que aqui fica mais capenga, mas entendi que o valor de quem está ao lado fisicamente é incomparável à números na internet.

Tenho uma pequena que chega da escola e senta-se à mesa para almoçar cheia de novidades para contar. Relata-me TUDO o que se passou por lá. Se meu marido pega no celular nessa hora, viro onça. Televisão sempre desligada. A conexão nessa hora tem que ser só nossa.

Um dia ela pode chegar e não querer contar mais nada. Mas a sementinha de que a família estará ali, sem outras interferências e prioridades, para escuta-la, estará plantada.

Se o diálogo não for plantado nos primeiros sete anos, depois fica cada vez mais difícil de participar ativamente da vida da criança, pois os cuidadores de afeto vão deixando de ser referência, e a admiração que tinham por nós passam para os colegas, professores.

Não deixem o tempo passar. Conectem-se em casa enquanto há tempo. A internet, esses “stories sem fim”, o YouTube, a televisão,… eles podem esperar.

Por @MarrieOmetto #reflexoesplugadas


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