Psicologia dos contos de fadas: A Bela Adormecida na versão dos Irmãos Grimm

A história da Bela Adormecida, na versão dos Irmãos Grimm – é uma história muito rica em símbolos e baseia-se no despertar do feminino, com representações da metamorfose da infância para a puberdade e depois da busca pelo autoconhecimento na vida adulta.

Rei e rainha queriam muito uma filha. E, finalmente, receberam a graça do nascimento de uma menina. O rei, orgulhoso, fez uma grande festa e chamou não apenas todo o reino, como também as fadas. Havia treze delas em seu reino, mas uma delas andava mais ausente e, como ele só possuía doze pratos de ouro, nos quais elas poderiam comer, acabou não chamando uma das fadas, a que já não aparecia pelo reino a um bom tempo.

A festa aconteceu e, quando chegou ao fim, as fadas presentearam a criança com dotes mágicos: Fadas concedem virtudes (talentos) à criança.

Quando onze já tinham falado, faltando apenas a mais nova, entrou de repente a décima terceira (Malévola?), furiosa por não ter sido convidada.

Então roga uma praga para a criança: “Aos quinze anos ela irá furar o dedo no fuso de uma roca de fiar e morrerá!!!”

A fada mais nova, que ainda não havia concedido seu presente à criança, ameniza a situação (já que não tinha o poder de cancelar a magia  má)– “Ela não morrerá, mas cairá em sono profundo por 100 anos”.

Os pais de Bela Adormecida, desesperados, mandam queimar todas as rocas do Reino mas, mesmo assim, aos 15 anos, durante a ausência dos pais, a menina sobe a torre e encontra uma velha fiandeira tecendo em sua roca.

Espeta o dedo e a sina se faz: ela mergulha em sono profundo…

Se a gente se coloca diante dessa situação apresentada pelo conto, nos perguntamos: “Por que raios os pais não estavam em casa, nesse momento, sendo que sabiam da maldição e que ela estava com seus 15 anos?”.
O conto traz a mensagem de que, aos 15 anos, a criança já entrou na puberdade, onde realmente se vê separada de seus pais e posicionando-se como uma entidade individual, que possui sua própria individualidade, seu próprio pensar…

Por isso os pais não estão presentes.

Podemos encontrar isso ao nosso redor: até a puberdade, a criança vive sua família. Na adolescência, porém, quer buscar sua autonomia e explorar a Torre. A torre seria seu corpo e suas capacidades como indivíduo.

Então, aos 15 anos, como toda adolescente, ela sai explorar a Torre (sua individualidade), à revelia dos pais que pediram tanto que ela não fosse – mas como não estavam presentes, ela os desafiou – quando então encontra a velha fiandeira.

O fiar também é repleto de significados e está relacionado ao pensar, ou seja,  quando toca em seu pensar próprio, mergulha no sono profundo de 100 anos, representando todas as questões inerentes do ser humano: “Qual é a minha Busca? Quem sou Eu? Qual o sentido da Vida? Qual é o meu Destino?”.

Ou seja, o presente dado pela Décima Terceira Fada – que é a mais velha – é a mais profunda busca…a busca pelo auto conhecimento.

Esse sono (do autoconhecimento?) propagou-se por todo o castelo: o rei e a rainha, regressando nesse momento, adormeceram na sala assim como toda a corte, animais e povo que estavam por ali.

Em volta do castelo cresceram espinhos, que cada ano se tornava mais alta, de maneira que, em alguns anos, não se visse mais nada dele.

Na região, espalhou-se a lenda da bela Rosicler ou, da Bela Adormecida e, de vez em quando, aparecia algum príncipe tentando atravessar o espinheiro para penetrar no castelo, mas não o conseguia, pois o espinheiro impedia-os como se tivessem mão, e os segurassem.

Decorridos muitos e muitos anos, chegou à região um príncipe; ouvira um velho falar no espinheiro, dizendo que atrás dele havia um castelo onde belíssima princesa, chamada Rosicler, dormia há cem anos, e com ela dormiam o rei, a rainha e toda a corte. O príncipe já ouvira seu avô contar que muitos príncipes haviam tentado atravessar o espinheiro, mas que ficaram emaranhados e acabaram morrendo horrivelmente.

Mas ainda assim, insistiu.

E, ao atravessar os terríveis espinhos, Lá estava ela deitada e era tão linda que o príncipe não conseguia despregar os olhos; inclinou-se e deu-lhe um beijo.

Com aquele beijo, a Bela Adormecida abriu os olhos, despertou e fitou-o sorrindo amavelmente.

 

 

 

 

Legal, né?

Achei muito interessante essa questão dos significados do desenvolver humano na história.

 

Um beijo, Marrie


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