Qual o significado intrínseco das historias que contamos às nossas crianças? Sabia que elas vão muito além da moral da história?
Contei esses dias para vocês do caso dos Três Porquinhos e o quando a criança vai se identificando com o crescimento e enxerga no lobo uma necessidade de controlar seus instintos para não ser punida pelas forças do bem e do mau.

No caso da “A cigarra e a formiga”, a Formiga aparece trabalhando o verão todo, incessantemente, enquanto a Cigarra fica apenas cantarolando bem ao ritmo do Carpe Diem! Aí chega o inverno, a Cigarra fica morrendo de frio e sem ter o que comer, afinal todas as folhas das árvores caíram ou estão cobertas no inverno. Ela olha para a Formiga, que tem abrigo e alimento e pede-lhe ajuda. A formiga pergunta o que a cigarra esteve fazendo durante o verão e, ao saber que a cigarra cantava e não trabalhava, a formiga rejeita seu pedido dizendo: “Como você pôde cantar todo o verão, pode dançar todo o inverno”.
Isso mesmo, assim, direto e reto, nada é deixado à nossa imaginação (e à das crianças) como no Conto dos Três Pouquinhos. Nas fabulas em geral, a MORAL da historia é um sentido MORAL mesmo.
“Uma fábula parece ser, no seu estar genuíno, uma narrativa na qual seres irracionais, e algumas vezes inanimados, com a finalidade de dar instrução moral, simulam agir e falar com interesses e paixões humanas” (Samuel Johnson).
E, no chamado senso primitivo de justiça (e como a criança percebe o justo) só aqueles que fizeram algo realmente mau são punidos. Até citei para vocês um estudo sobre ensinar a honestidade às crianças, em que elas acreditam que quando contam para os pais que fizeram algo de errado, arrependendo-se, é como se não tivessem errado.
No caso desta fábula, o que soa é que parece que é errado apreciar a vida, os momentos bons, como a Cigarra faz no verão. Claro que a Cigarra o faz em demasia, sem pensar no trabalho, mas do outro lado,m a formiga também só trabalha, não se distrai. Não há equilíbrio. Ou, de um lado, trabalha-se demais ou, de outro lado, canta-se e curte-se apenas.
Eu pessoalmente não gosto dessa moral da história e acredito que a formiga nesta fábula seja bastante sórdida, sem nenhuma compaixão pelo sofrimento da Cigarra. O que me assusta um pouco é que é a essa figura, a trabalhadora, porém sórdida Formiga, que se pede à criança que tome como exemplo.
Não gosto. Prefiro o conto dos Três Porquinhos, que é mais equilibrado ao justificar implicitamente que o “fracasso” dos porquinhos mais novos com as casas de palha e madeira são devido à inexperiência (e falta de controle da vontade pela realidade, que vem com o crescimento).
Um beijo, Marrie
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Meu primeiro livro impresso “Desapareci ao virar mãe, mas reencontrei-me”

Marina Borges
1 de junho de 2017 at 02:05Patricia Mariano Rossetti
Patricia Mariano Rossetti
1 de junho de 2017 at 02:47Muito bom gostei. ?