Triste fim do patinho amarelinho

Tenho dois filhos caninos e uma linda menina de 2 aninhos, a Clara. O desafio aqui em casa é mostrar que os brinquedos caninos e humanos não são os mesmos, não devem ser confundidos.

Desafio é um bom nome. Algo que sim, é possível, mas que temos que nos reinventar para conseguir.

Enfim, Clara deixa as coisas largadas pela casa e a minha cachorrinha, Mylla, não perde a oportunidade. Clara geralmente pega a tempo, conseguindo salvar seus objetos, porém nem sempre o super herói está a postos, né?

E chegou o dia que ouvi um chororô sem fim, enquanto Mylla rosnava para Clara e ela berrava ainda mais alto.

Corri acudir. Achei que Mylla estivesse atacando Clara, coisa não comum em casa, já que tenho que proteger os cães da criança, e não o contrário, rsrsrs…

Chegando na sala, Clara queria tomar seu patinho de volta, que estava na boca da Mylla e recusava-se a devolver. Entre choros e rosnos, enfiei minha mão lá e acabei com a patifaria.

Entreguei o pato detonado para Clara, que chorava lágrimas espessas. Dessas tristes. Como se seu amigo pato tivesse mesmo falecido.

Fiquei com dó. Só observando o “luto”. Clara continuou chorando olhando sentida para o pato, até que a abracei. Ela retribuiu o abraço, me soltou, baixou a cabeça e levou o pato até o lixo, como se desse a ele sua última despedida. Isso sem eu dizer uma única palavra.

Essa cena me chocou. Achei que ela foi madura demais. É essa breve historinha, que pode parecer tola e corriqueira, ficará em minha memória, lembrando-me que nunca posso subestimar os sentimentos de nossas crianças.

O “patino” como ela o chamava, era da família.

E assim termino o relato da primeira experiência de “morte” que Clara já vivenciou conscientemente em sua vida: ela chorou, vivenciou o luto e soube se despedir…

 

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