Bastidores de uma Entrevista com Marrie Ometto – autora do Mamãe Plugada – sobre como lidar com a exposição infantil excessiva, num mundo de blog materno e estratégias para equilibrar as coisas.
Afinal, vida de blogueira materna sem exposição excessiva das crianças: É possível, num mundo cada vez mais Fast Fashion, Fast Food, Fast Information e Big Brother Brasil?
Comecei o blog num momento de crise entre a vida corporativa que exigia horas demais de dedicação e o advento da maternidade. Queria ser uma mãe presente em quantidade E qualidade de tempo e amava meu trabalho também. Sem julgar o que é melhor ou pior, aquilo era o que EU queria para a MINHA VIDA.
Não consegui manter esses dois papeis e, num primeiro momento, comecei a escrever como desabafo e compartilhamento de dicas de maternidade. Era como se não estivesse sozinha, já que não tinha mais um time de trabalho ao lado.
Mas o Blog Mamãe Plugada aconteceu, e comecei, no meu caso, através das mídias, ou seja, em “terreno alugado” (todos sabemos que as mídias tem um dono, que pode vender e fechar as portas quando quiserem, vide os famosos no VINE, no ORKUT,…).
Mais de um ano se passou escrevendo sem pensar que eu trabalharia com minhas mídias, eu me percebi trabalhando com elas: venda de banners patrocinados, viagens, publiposts, presentes,… E aí eu percebi que, como qualquer negocio, já que o blog estava virando um trabalho, eu precisava de uma estratégia para ele.
Foi quando contratei a Girardi-Pauly para fazer minha estratégia de Branding. Nesse momento, minha filha estava crescendo, falando e desenvolvendo seu pensar e olhar para o mundo. Uma coisa é compartilhar se o bebê mamou ou não, outra é expor coisas sobre a forma em que enxerga o mundo e suas dificuldades nele.
Diante de um mercado que quanto mais se expõe, mais likes tem, eu optei pelo caminho totalmente inverso. Cada vez sendo mais criteriosa no que iria expor, já que eu não tenho o direito de expor nada da vida da minha filha hoje, que possa afetar p futuro dela amanhã.
Nesse sentido, busquei um nicho onde o conteúdo viesse antes da embalagem. E isso significa não atingir a massa, mas um menor numero de pessoas, mais criticas, conscientes, e que não apertam o like facilmente (o que desestimula alguns produtores de conteúdo a continuar, pois nem todas as agencias tem profissionais capacitados para entender a qualidade de números de cada influenciador, mas enfim, tema para outro post – se quiserem).

Outra situação que estava muito comum, eram pessoas fazendo publicidade velada, ou seja, dando dicas, sem explicar que aquilo era, na verdade, um post patrocinado, que também poderia ser dica – por que não? – mas o fato é que o leitor tem o direito dessa transparência (veja a Política de Transparência do Blog Mamãe Plugada aqui). Assim como na vida, as mídias representam a massa, e basta você ser transparente, que a pessoa não dá like.
Posts sem os critérios do CONAR, tem mais likes. Infelizmente.
Enfim, continuo contando como foi que comecei a focar muito mais em conteúdo, no blog, e deixei as mídias e exposição excessiva em segundo plano, fortalecendo assim meu negócio (blog fecha projetos maiores do que as mídias) e caminhando para um percurso que considero mais correto, coerente com meus valores de vida.
O blog como trabalho
Muita gente não se conforma de blog ser considerado trabalho, pois pensam que o criador de conteúdo só ganha presentes e viagens para postar fotos em troca.
Quando mais conteúdo a pessoa cria, mais ela teve que pesquisar para aquilo. Ler, estudar, dedicar horas do dia para produzir uma matéria descente. Mesmo quem faz fotos, entender o processo artístico e publicar, é um trabalho de pesquisa.
Quem questiona o trabalho de qualquer profissional legalizado, que paga impostos, não deve nem ser digno de atenção. Todo mundo que dedica tempo para alguma coisa, estuda, se reinventa, abre uma empresa, tem o direito de, pelo menos, remunerar seus custos com o negocio.
Um site precisa ser pago, ele é hospedado em algum lugar. O site é a “casa própria” do blogueiro. Então ele deve pagar para manter o site hospedado, caso não use de ferramentas gratuitas, como o Blogger, que, como as mídias, tem um dono (terreno alugado). Bom, isso é tema para outro post :).
Se gostarem do assunto, posso escrever mais!
Espero que gostem da reportagem, eu dei a um grupo educacional de ensino superior.
Um beijo, Marrie
Meu primeiro livro impresso “Desapareci ao virar mãe, mas reencontrei-me”
Não tenho direito de expor as dificuldades pessoais de meu filho nas redes

Cris Philene
31 de outubro de 2017 at 12:14Oi Marrie,
Acompanho no instagram um pouquinho de vcs e confesso que fiquei curiosa com a sua decisão de mudança com relação ao que vai focar o blog… porque assim como você eu tb comecei como um diário, e acredito que devemos sim tosar o que estamos expondo dos nossos filhos… mais ainda assim, acho que relatar nossas dificuldades, dicas que aprendemos na prática com a maternidade seja encantador! Ainda mais quando temos feedback do famoso chavão… aconteceu comigo tb! Somos tão diferentes, mas, ao mesmo tempo a gente se entende desse maravilhoso universo materno.
Amei o post, acho super ético e me faz refletir sim… do que posso ou não expor.
Parabéns pelo seu trabalho,
bjs, Cris
http://prosademae.blog.br/
vanessa
26 de outubro de 2017 at 22:55legal, tenho um blog também, mais por hobby e para compartilhar minhas experiências(www.filhosparaoceu.com.br)… não entendo muito bem como funciona para ter ganhos com ele… Gostaria de mais dicas! Obrigada
Marrie Ometto
27 de outubro de 2017 at 01:01Que legal, vou lá conhecer!
Aqui tem algumas dicas de monetização de sites: https://www.mamaeplugada.com.br/politica-de-transparencia
Quero escrever mais sobre isso, continue acompanhando. Um beijo
Bianca Coelho
23 de outubro de 2017 at 22:42Por isso eu gosto tanto. A rotina é pessoal e cada um tem a sua … Falar sobre o assunto de forma aberta, com base em estudos e explicações é muito bacana. Eu posso ler e não gostar, não concordar… Ok, faz parte… Mas a informação tá ali, foi passada. As vezes não é legal p mim mas excelente p uma amiga. Vc ultrapassa aquela coisa do “querido diário” e da “autoajuda” rsrsrs . Bjs e parabéns pelo trabalho.
Mamãe Plugada
23 de outubro de 2017 at 22:45Ohh Bianca, muito obrigada! ❤️
Priscila Pereira
23 de outubro de 2017 at 22:03Muito interessante, parabéns pela decisão
Mamãe Plugada
23 de outubro de 2017 at 22:24Obrigada, Priscila ❤️