Aquecimento global, desaparecimento de espécimes, derretimento das geleiras,…Que a natureza está em apuros e pedindo arrego, já sabemos a tempos. Mas e aí? O que fazemos com esses dados? A gente só respeita – e protege – o que conhece…
Então, onde estão as marchas, os manifestos, as paralisações trazendo a tona as demandas urgentes de mudança?
Enquanto as pesquisas mostram que a grande maioria gostaria de ver o planeta são e salvo ANDDDD protegido, poucos estão efetivamente fazendo alguma coisa. Preparados para agir.
Segundo George Monbiot, em seu artigo para o The Guardian, isso é o reflexo de uma segunda crise ambiental: a dissociação das crianças de seu mundo natural, do brincar diário em contato com a natureza.
Esses dias, estava no clube com minha filha, e pegamos aquelas casquinhas de cigarras, que ficam nas arvores. Todas as crianças, vieram espantadas conferir. Muitas nem sabiam o que era aquilo, se estava vivo u morto e muito menos o que aquilo representava. Algumas até medo tinham. Claro…elas não estão ambientadas àquilo.
A minha pequena Clara só tem familiaridade com a natureza, mesmo sendo tipicamente uma criança de apartamento, por que eu busco, desde que ela nasceu – praticamente, uma enorme interação dela com a natureza, pois acredito piamente, assim como o autor do artigo citado, que a gente só respeita o que conhece. O que tem afinidade. O que aprende a amar. Só se vê parte dela se nela for parte.
Portanto, esperar jovens liderem as jornadas de defesa do meio ambiente, será em vão, uma vez que eles estão cada vez menos conectados a tudo isso, muitos nunca viram uma galinha na frente ou, muitas vezes, nem sabem que o leite não sai já engarrafado do animal.
É de se lamentar a desconexão das crianças do mundo natural hoje em dia, enfatizado, inclusive, por muitos pais, que tem medo de doenças ou mordidas.
Parece que se esquecem que não há substituto para o que acontece ao ar livre…
Em um estudo promovido pela National Trust, desde a década de 1970 para cá, a área em que as crianças podem conviver sem supervisão de seus pais diminuiu quase 90%. Nos EUA, em apenas seis anos (1997-2003), o número de crianças que tem passatempos ao ar livre diários caiu pela metade. Os jovens de onze a 15 anos na Grã-Bretanha agora passam, em média, metade do seu dia em frente a uma tela.
Claro que é de se entender o medo do transito, da violencia, da criminalidade…Mas, mesmo em países onde a violência vem diminuindo significativamente, a taxa de crianças presas em seus lares cada vez menores, só aumenta. A geração de pais helicópteros tá ai, pra comprovar isso.
Desse modo, a proteção contra o mundo externo é tão grande, que o perigo começa a morar em casa: o aumento da obesidade, alergias, raquitismo e desperdício da infância com o livre brincar. Inclusive, segundo um estudo da University of Illinois, brincar livremente na natureza reduz significativamente as indicações de hiperatividade e TDAH.
Edith Cobb, em seu livro “The Ecology of Imagination in Childhood” (Ecologia da Imaginação na Infância), propôs que o contato com a natureza não apenas estimula a criatividade como, revisando as biografias de 300 “gênios”, ela identificou um tema comum: experiências intensas com mundo natural nas idades entre 5 e 12 anos.
Estudos de diversos lugares do mundo mostram que as brincadeiras são muito mais criativas em locais verdes do que em playgrounds concretados. Os espaços naturais encorajam a fantasia, raciocínio e observação. A posição social das crianças dependem menos do domínio físico, e muito mais da criatividade e habilidades linguísticas. Talvez, o forçar as crianças a estudar tanto e ocupa-las cada vez mais e mais cedo, ao invés de ficar apenas brincando livremente, seja contraproducente.
O autor do estudo acima citado ainda faz uma afirmação com a qual concordo veementemente: A maioria daqueles que conheço que lutam pela natureza são pessoas que passaram a infância nela imersas.
Sem a sensação e a vivência das texturas como elas sao (areias cor de areia e não pinks e azuis), sem experimentar com os próprios olhos que o ovo vem da galinha e sem o contato próximo com nossos companheiros de outras espécies, é praticamente impossível que pessoas dediquem suas vidas à sua proteção.
Por isso eu faço minha parte. Mesmo sendo parte da vida moderna, proporciono à minha filha, sempre que posso, o contato intenso com a natureza.
Um beijo, Marrie
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