Quando nasce uma criança, ela ainda não está totalmente pronta, por isso tratar crianças como mini adultos é um enorme erro. Nos primeiros sete anos de vida, a primeira infância, está sendo estruturado todo o sistema neurosensorial de um ser humano.
Nessa fase, o ritmo dela, que naturalmente é tão diferente do nosso – visto que tudo para essa criança é novo, então obviamente demorará mais para calçar um sapato do que um adulto – precisa ser respeitado. Só no ritmo delas para o despertar para o mundo haverá condições pra o bom desenvolvimento da criança nessa fase e as raízes do aprendizado neste período poderão ser fortemente fincadas: andar, falar e pensar.
Podemos dizer que a criança pequena é o sentido do TATO pelo corpo, onde ela descobre o mundo, pelo prazer e desprazer: “aqui está quente, tira a mãozinha. Aqui está frio, aqui tem ventinho. Hum, esse gostinho é bom!”. Por isso a importância do carinho, como segurar um bebê na amamentação, das roupinhas confortáveis. A criança bem cuidada tem noção de um mundo aconchegante. Ao contrário, quando é agredida, apanha ou leva beliscões, começa a desconfiar desse mundo em que vive, interferindo no seu bom desenvolvimento, por estar mais tímida e retraída para experimentar o mundo totalmente novo (que ao invés de lindo, pode tornar-se, desde muito cedo, sombrio) à sua volta. A criança precisa de alimento, calor, confiança, cuidados, limites e amor para se desenvolver bem e em paz com esse mundo.
“Erguendo-se e andando, a criança conquista o espaço físico à sua volta. O andar não deve ser forçado, ele acontecerá espontaneamente quando a criança estiver madura para ele. (…). Em seguida, a criança já balbucia sílabas, consegue formar palavras e designar coisas (‘mama’, ‘au-au’, ‘dada’, etc.). E repentinamente, começa a formar pequenas frases (…), demonstrando agora ser capaz de fazer associação de idéias. É o PENSAR que está surgindo. Essas três etapas do desenvolvimento a criança aprende antes de ter memória. (…). Por volta dos três anos, devido à maturação do sistema nervoso e à mielinização, o EU pode usar o sistema como instrumento. E junto com a consciência do EU, desperta a primeira memória.”.
Gudrun Burkhard, “Tomar a vida pelas próprias mãos”

A primeira infância é o alicerce de todo o ser humano. Construa uma casa com alicerces feitos com pressa para ver a qualidade e solidez com que a casa será estruturada sobre ele. A criança precisa de tempo. Todo esse processo de desenvolvimento acontece de maneira rítmica e a criança exterioriza isso. Quando anda, brinca e fala, ela expressa esse movimento interior tão intenso pelo qual está passando nesta fase. Em condições normais de temperatura e pressão, se uma criança está muito agitada, pode estar passando por ansiedade devido à alguma situação que causa insegurança a ela, como pais que brigam muito e não se resolvem, por exemplo.
Segundo Rudolf Lanz, a regularidade da vida cotidiana (horas certas para se levantar, comer, deitar-se) e a repetição de certos atos (passeios, oração para agradecer o alimento que recebe, ouvir sempre uma história antes de dormir) torna uma criança uma confiante segurança, respeitando seu ritmo e favorecendo em seu desenvolvimento saudável e feliz. A criança deve ter a possibilidade de dar vazão à sua fantasia criadora.
Na primeira infância, mais do que em qualquer outra fase da vida, esse ser em formação que é a criança, toda pura e sonhadora, está muito entregue às influências do ambiente, por isso chamamos de “esponjas”, pois tudo a permeia e transforma. Ela é espelho dos bons e maus atos feitos pelos seus pais e cuidadores.
Imaginem como o seu organismo tão delicado sofre com discussões em voz alta entre seus pais, com o ruído da TV e rádio ligados o dia todo, com as irradiações da TV, com o barulho e o nervosismo da nossa vida cotidiana, e com as mudanças bruscas de ambiente, sejam elas naturais ou inventadas pelos homens, como os horários de verão! Sim, essas coisas fazem parte da vida moderna, isso não é novidade. Mas já que não podemos nos poupar, como adultos e conscientes, temos que tentar proteger nossas crianças, pelo menos nessa fase.
Então por que, pelo menos, não contribuímos apenas deixando de apressá-las? Respeitando seus ritmos na medida do possível?
Um beijo, Marrie
- FOTO: Mamãe Plugada- Proibida a reprodução. Todos os direitos reservados.
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Silêncio no lar propicia melhor desenvolvimento da fala em crianças pequenas



Rafael
22 de março de 2017 at 16:42Pedagogia Waldorf
Daniela Horta
17 de março de 2017 at 15:28Marcela Horta
Morgana Rezini Jennrich
16 de março de 2017 at 11:37Rafael Jennrich
Debora Mota
16 de março de 2017 at 02:45Antes dos 3 anos a criança nao tem memória?
Mamãe Plugada
16 de março de 2017 at 09:38Antes de toda essa estruturação dita no texto, o que ocorre será marcado, mas não amplamente lembrado na vida adulta. Tente se recordar da sua primeira lembrança na vida…. bjs
Debora Mota
16 de março de 2017 at 10:21Ah entendi! Obrigada amo seus textos
Marta Rietmann
15 de março de 2017 at 18:26Parece Alice!
Juliana Rodrigues
15 de março de 2017 at 12:48Aline Rodrigues
Aline Rodrigues
15 de março de 2017 at 12:57Muutoooo bom…
Cida Rodrigues Gabriele Rodrigues leiam até o final ?