Não, não é fácil ser criança! Apenas já superamos essa fase.

Como reflexão para o Dia das crianças, proponho que paremos de falar que ser criança é fácil por um instante, pelo menos até conseguirmos sentir empaticamente que tem sim suas superações: e são muitas!

 

Tem gente que estufa o peito e enche a boca pra dizer que fácil é ser criança.

Por que temos mania de achar que é fácil tudo aquilo que não somos mais?

Empatia é a capacidade de colocar-se na posição do outro e tentar sentir o que ele sente.

Por um instante, façamos o exercício.

Não é fácil sair do quentinho aconchego do ventre de uma mãe e, em segundos,

Já ter que aprender a respirar, a buscar alimento, a suportar mudanças de temperaturas.

Não acredito que seja fácil ver um monte de gente falando e não entender nada. Sentir fome e não saber como pedir.

Não acho que seja tranquilo por um momento achar fazer parte da alma da mãe e assim passar pelas ansiedades da separação ao ir percebendo-se como indivíduo. Por meses vivendo assim.

Não considero que seja suave perceber-se enfim como individualidade, mas não conseguir expressar seus desejos e ainda ser chamado de chato, manhoso, birrento, de ditador dos 2 anos.

Para crianças que apanham numa crise de tentar expressar-se e não conseguir – imagine ser interpretado como manhoso, sentir a dor física e a dor emocional, a frustração – de ter seu porto seguro o agredindo.

Também não acredito ser nada leve começar a ser visto como mini gente – com petite sentimentos adultos – onde tudo na verdade é uma grande descoberta. Um desbravar. É tentativa e erro na pureza que hoje, adultos não conseguem imaginar mais. Perdeu-se no tempo.

Mais tarde, até a angústia do amor incompreendido do adolescente, parece tão banal para nós adultos.

Mas pare e volte para sentir a dor do primeiro coração partido. Isso é empatia.

Doeu, né?

Não, não é fácil ser criança.

E não é fácil viver pela primeira vez qualquer situação desafiadora na vida que nunca tenhamos vivido antes.

Apenas já passamos por isso e temos hoje vivências que nos fazem olhar com saudades para uma fase em que já temos habilidades e ferramentas para superar. Evoluímos. Que bom!

Mas nunca se esqueça de que a primeira vez a desbravar o terreno é muito mais difícil. Desafiador. Sombrio.
Só é fácil ser criança para quem já foi. Nunca para quem está sendo.

Muito amor aos nossos pequenos desbravadores! Eles precisam da nossa compreensão e não dos nossos julgamentos e comparações.

Por @MarrieOmetto #reflexoesplugadas.

Imagem da Revista Impressa Pais& Filhos, edição Out/2017.


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45 Comments

  1. Gisani Sackser

    7 de outubro de 2017 at 14:42

    Concordo plenamente! Sofri com minha filha com cada dentinho que rasgou imaginando o site que ela deveria estar sentido e o pior é que eles cairão e ela irá sentir mais dor.

  2. Alessandra Alves

    7 de outubro de 2017 at 12:51

    Aline Alves da Silva, Crislene Vasconcelos, Sabrina Araújo, Monica Aguiar, olhem que texto lindo!

  3. Danielli Muzy

    7 de outubro de 2017 at 12:20

    Lindo texto. Bem verdadeiro. Todo mundo fala: vida boa, só come, dorme, brinca… Ninguém se põe no lugar do bebê.

  4. Alessandra F. Schumacher

    7 de outubro de 2017 at 08:43

    Minha filha com 4 anos em momento de tristeza, chorando me disse: – Mamãe é muito difícil ser criança e ser a primeira( ela tem uma irmã de 3anos) pq a gente tem que ir para o jardim de infância tds os dias cedo, tem que ter cuidado com a irmãzinha, tem q aprender a bicicleta, tem q ir para cama cedo e ainda tenho que dividir meus brinquedos e papai e mamãe com minha irmã menor. Tudo isso em um tom tão triste, tão doloroso que me machucou tanto, mães não aguentam ver os filhos sofrendo……. normalmente ela ama a irmã, nao sai sem a irmã, se ganha um bombom, um presente ela logo pergunta e o de Giovanna?? As pessoas próximas já sabem, sempre trazem algo para outra….. mas, nesse dia, ela colocou para fora as suas inquietudes….. e eu passei olhar diferente, a olhar onde minhas atitudes estava levando a ela tamanha responsabilidade, me policio sempre…. a gente aprende muito com eles também.

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