Um bebê – vulcão de humanidade

Poemas sobre mães : Um bebê – vulcão de humanidade.

Acredito piamente,
Ser um filho a maior transformação na vida da gente.

Veja – minha pequena – vieste como quem chega numa fôrma de bolo já ajeitada,
Instalada,
Quadrada,
E graciosamente chegaste em seu formato redondo,
Num sublime desajustar das formas.

Dizem que é preciso saber reconstruir para criar.

Você desconstruiu histórias nesse chegar,
Metamorfoseando a penumbra do passado, num festival de presente.
Agora mais humano. Mais amoroso.
Menos superficial. Mais substancial.

Sim, existem milhares de metamorfoses dentro de uma jornada da vida.
Mas dentre todas, a maternidade foi a mais vívida.
Não transparente, mas límpida.

Foi capaz de, como um vulcão,
remover as planícies de um sólido relacionamento a dois,
Instaurando assim belos rochedos de um novo integrante.
Cristal bruto.
Adesão.
Comunhão.

Devastou as noites que antes eram bem dormidas,
para um local onde só de muito amor se permaneceria um povoado.
Bem aventurado,
Os nele instaurados.
Testados.

Arrastou para longe os “happy papos furados”, para muita canção de ninar.
E haja rimar!

Assoprou para bem longe o dinheiro para supérfluo,
que era antes tão valorizado nesta terra de desconceituo.
Rejeição de mais,
Por melhor e menos.
Por essencial.
Vital.

Pequena, você trouxe a certeza do hoje,
O aceitar de que o passado é sombra que não se apaga,
E que o futuro é uma criança em “terrible two”.

Aquele futuro tinhoso,
mas brincalhão, leve, doce,
Que tira com sua cara,
Que adora brincar de esconde-esconde,
Numa perspicaz saga.
Como você, minha filha.

Devastou as aparências e cultivou as essências!

Por Marrie Ometto, autora do livro “Desapareci ao Virar Mae, Mas Reencontrei-me”, disponível para vendas no site da Amazon, Livraria Cultura e Editora Bianch.


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