Como auxiliar seu filho a superar o medo de errar e perder

Muitas crianças só sabem ganhar. E, diante disso, passam a não quererem nem participar mais, pois tentar implícita a possibilidade da falha, que para algumas crianças é insuportável. Com isso elas tentam menos, desenvolvem-se com mais dificuldade e as vezes há até problemas na socialização. Existe uma tensão muito grande entre o desenvolvimento infantil na primeira infância (que é quase que puro ID) e as questões das frustrações por não conseguirem algo/ falharem.

Crianças gostam de elogios. E o modo como os elogiamos, às vezes, os incentivam justamente a não tentar, pois elogiamos o SUCESSO, o GANHAR e não o esforço (leia mais aqui).

É frequente:

“Como você é inteligente, tirou 10”

ao invés de

“Como você é esforçado. Esse 10 veio pois você estudou e se dedicou bastante.  Aí está o mérito, parabéns!”.

Percebam:

Quando elogiamos o resultado, as crianças não focam no que as levaram a atingir isso. E, querendo sempre surpreender os pais (por talvez terem nascido inteligentes), acabam tendo pavor da derrota.

Ao contrário, quando damos valor ao esforço, elas entendem o caminho para que as coisas aconteçam. Ficam emocionalmente mais preparados para tentarem coisas cada vez mais criativas, desafiadoras e, consequentemente, mais inteligentes.

Se elogiamos apenas as vitórias, surge o medo da derrota. E, com isso, o medo de errar, que pode ser ser complicado para seus desenvolvimentos. Aliando tudo isso ao tanto de pais helicópteros (leia mais aqui) que temos nos dias atuais (afinal a modernidade e a falta de tempo com os filhos faz disso terreno fértil), mais ainda as crianças são poupadas das decepções. E menos elas desafiam o mundo que há de experimentações há sua volta, na angustia do errar.

Isso vem acontecendo a algum tempo e, nas Universidades, um grande problema vem sendo em como lidar com esse ego dos alunos que não os fazem tentar – por medo de errar. O caso tá tão sério que, nos EUA, já foi criado um curso: “Aprendendo a errar”, para que as pessoas finalmente consigam lidar com as frustrações de tal forma que isso não as trave em projetos de vida.

Tudo começa na infância

Como estudante de psicanálise que sou, vejo que um dos maiores conhecimentos que Freud trouxe à ciência foi mencionar que a experiência da infância tem uma forte influência sobre a personalidade adulta.

“O desenvolvimento da personalidade envolve uma série de conflitos entre o indivíduo, que quer satisfazer os seus impulsos instintivos, e o mundo social (principalmente a família), que restringe este desejo.”  (CLONINGER, 1999, p. 55).

A infancia tem papel fundamental da formação do indivíduo e em suas características base para lidarem com o mundo mais pra frente. Até os 7 anos, é quando nós pais mais podemos auxiliar, pois essa é a etapa em que seu caráter está sendo formado em suas estruturas.

E como auxiliar a que não tenham medo de errar, além de direcionar na forma que elogiamos nossas crianças?

Uma coisa muito bacana que venho fazendo aqui em casa (pois desde que mudamos a minha filha do método construtivista para o método tradicional seu medo de errar virou pavor – aqui dou meu depoimento) é fazer a seguinte pergunta, todos os dias:

“No que você falhou hoje?”

Ao invés de perguntar: como foi seu dia na escola? O que fez de bom?

Perguntando no que ela falhou, em que jogo perdeu ou o que a decepcionou, tenho espaço para valorizar as tentativas dela, fortalecendo essa questão de ela tentar e tentar mais vezes. “Porque, minha querida filha, no final, o que conseguirá não será o mais inteligente, e sim o mais esforçado!”.

A discussão pode não ser super tranquila e confortável no início e, como mãe, talvez você precise  você  compartilhar um monte de falhas suas ao longo da sua infância antes que seus filhos começem a se abrir com você. Exemplos reais, além de fazerem as crianças sentirem-se mais conectadas, é um belo exemplo de que muitas vezes é necessário falhar para crescer.

Um beijo, Marrie

 


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18 Comments

  1. Josyane Gomes

    7 de outubro de 2017 at 13:24

    Thaís Naiara Juliana Salles Fernanda Duarte

    1. Edgard Dias

      5 de outubro de 2017 at 13:05

      Amor… É muita coisa pra eu ler agora. Kkkkk DEPOIS, quem sabe. ?

  2. Fernanda Ramos

    4 de outubro de 2017 at 20:05

    ola Marrie, por que vcs mudaram ela do método construtivista para o tradicional ?

    1. Mamãe Plugada

      4 de outubro de 2017 at 20:23

      Fernanda, pq mudamos de cidade e em São Paulo a gama de escolhas é maior. No interior, não conhecíamos as escolas e há quase 0 relatos digitais. Com isso, optamos pela escola que eu e meu marido estudamos a vida toda (tradicional), por termos confiança nos profissionais (muitos são os mesmos até hoje) e valores de lá.

    2. Fernanda Ramos

      4 de outubro de 2017 at 20:32

      entendi, mas a preferência de vcs seria pelo método construtivista ?

    3. Mamãe Plugada

      4 de outubro de 2017 at 20:52

      Eu pessoalmente gosto bem mais dos métodos não tradicionais, mas a escola tem que ser muito bem estruturada para ser bem sucedida nesses métodos.

    4. Fernanda Ramos

      4 de outubro de 2017 at 21:01

      sim com certeza…obrigada Marrie por responder minhas perguntas

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